domingo, 30 de setembro de 2012

O Brasil deve mudar o foco no tipo de educação oferecida aos brasileiros

A formação profissional de nível superior é quase sempre sinônima de boa remuneração no futuro e realização do sonho de progredir na vida em termos profissionais. Na maioria das vezes também esse sonho pode ser frustrado em razão da baixa remuneração que várias profissionais passam a receber ao exercer a profissão para a qual se preparou com tanto amor e dedicação. As pessoas se esforçam abdicando de muitas coisas, estudando até altas horas da noite, aos sábados, domingos e feriados durante quatro, cinco, seis anos ou até mais tempo para ao final desse período ser reconhecidas, mas muitas vezes isso não acontece. Quais são os motivos disso? A culpa é de quem? Existe algum meio de mudar essa situação?

Em um estudo realizado pelo economista Naercio Menezes Filho, do Centro de Políticas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e da Universidade de São Paulo (USP) pode está as respostas para as indagações formuladas acima. A principal conclusão desse estudo é que as pessoas estão estudando e se formando em áreas que o mercado tem menos procura. Nas áreas em que o mercado mais precisa, existem poucas pessoas se formando. As profissões das áreas exatas e técnicas estão com a demanda em alta no Brasil, mas segundo o estudo do Naercio, que foi baseado nos Censos de 2000 e 2010, houve um aumento na oferta de profissionais de humanas. 

A consequência disso foi a queda nos salários de profissões não ligadas à área técnica, como Administração, Comunicação e Jornalismo, e Marketing e Publicidade, que caíram no período de 2000 a 2010 em termos reais, respectivamente, 17,8%, 14,1% e 7,4%. Por outro lado, no topo da remuneração entre todas as profissões com formação universitárias em 2010, estavam Medicina, graduados em academias militares, Engenharia Civil e Odontologia, com salários mensais médios de respectivamente R$ 6.952, R$ 6.359, R$ 4.855 e R$ 4.854.

O trabalho levou em consideração os 10,6 milhões de brasileiros com idade entre 18 a 60 anos que detinham diploma universitário em 2010 e os 5,4 milhões que estavam na mesma situação em 2000. Sempre no Brasil diz-se que existe um apagão de mão de obra qualificada, mas o salário real médio de quem tem o ensino médio completo caiu de R$ 1.378 em 2000 para R$ 1.317 em 2010 e o de quem tem diploma universitário também caiu nesse mesmo período de R$ 4.317 para R$ 4.060.  Isso poderia significar que a demanda por profissionais qualificados diminuiu e não aumentou como muitos dizem, mas a a resposta do estudo para essa aparente contradição é a seguinte: O mercado precisa de profissionais de exatas e técnicas, mas o país está formando mais profissionais das áreas de humanas.

Tudo isso pode ser constatado pelos exemplos de três profissões: Médico, Engenheiro Civil e Administrador. Havia 141,8 mil engenheiros civis no Brasil em 2000, em 2010 passaram para 146,7 mil. Com isso, a proporção de engenheiros civis no total da população com diploma universitário caiu de 2,76% para 1,45% no período, enquanto que houve uma elevação de 20,6% no salário em termos reais. O mesmo ocorreu com a Medicina. O número de médicos cresceu de 207 mil para 225 mil nesse mesmo período. Isso levou a proporção dos médicos no total da população diplomada de 4,04% para 2,23%. Enquanto isso, o salário deu aumentou de 18,13%. 

Por outro lado, quem se formou em Administração teve os resultados inversos aos observado nas profissões descritas acima. O número de administradores teve um salto monumental no período de 2000 a 2010 no Brasil, passando de 594 mil para 1,473 milhão. A profissão passou de 11,6% do total dos diplomados para 14,6% entre 2000 e 2010. A oferta de tantos profissionais nessa área tornou-se bastante excessiva, o que levou a uma diminuição de 17,8% na remuneração desse profissional no período aqui analisado.

Conforme visto acima, o Brasil tem que formar profissionais em áreas em o país está realmente precisando. Não é conveniente formar mais naquelas áreas em que sejam mais fáceis tanto em termos de ensino quanto em termos de custos para montar e manter os cursos. É sabido que as dificuldades de se aprender engenharia ou medicina são muito maiores dos que aprender administração, por exemplo. O mesmo pode se dizer do custo de se montar um curso de medicina ou de engenharia, não necessários muito mais recursos que custam muito mais caro. Mas, o país para se desenvolver precisa de muito mais cursos de engenharia, de tecnologia, de medicina e de cursos técnicos de nível médio. O país deve investir em educação, mas de forma correta, não da forma que está fazendo atualmente. Tem que mudar o foco, tem que mirar o desenvolvimento e progresso do Brasil e da sociedade brasileira.

sábado, 29 de setembro de 2012

FHC e LULA: Dois brasileiros que fizeram muito pelo Brasil e pelos brasileiros

As transformações pelas quais o Brasil passou a partir de meados dos anos 1990 fizeram do país e de sua gente em algo muito diferente do que estávamos acostumados desde há muito tempo. As mudanças foram significativas a ponto de levar uma nação inteira a palpar novos horizontes no mundo do desenvolvimento e do progresso. Após o povo brasileiro passar por terríveis momentos causados pelas crises derivadas da alta exacerbada dos preços e da falta de emprego que assolou o país a partir do final dos anos 1970 e foi que foi se acentuando com o passar dos anos. Os anos 1980 foram por demais tristes para a nossa economia, que além de produzirem várias recessões com consequências para o emprego renda, levaram o país a ter sérias crises de dívida externa.

No início dos anos 1990 o país estava com quase os mesmos problemas da década anterior, mas a partir de 1994 podemos ficar aliviados de um dos fantasmas que roubavam a paz, a segurança e, principalmente, a renda dos brasileiros: a inflação.  Apesar de ter custado muito caro para os brasileiros, o programa de estabilização de preços no Brasil por meio do Plano Real, foi um dos responsáveis, o principal, por tirar o país e a sociedade brasileira do atraso que vivíamos há muitas décadas. O país pagou muito caro para que o seu programa de estabilização de preços desse certo, mas valeu muito essa decisão. Muitos recursos vindos dos impostos dos brasileiros e centenas de bilhões de reais vindos das vendas empresas estatais foram usados para pagar o principal e os juros da dívida pública do país que aumentavam muito em razão das altas taxas de juros que o governo era obrigado a praticar em razão do plano econômico em andamento. Se o governo não tivesse tomado essa decisão é muito provável que o Real ficaria no rol dos vários planos econômicos fracassados.

Ao mesmo tempo o país vendeu as empresas estatais que necessitavam de investimentos, que o governo não tinha recursos para aplicar nelas, fazendo com que elas tivessem aporte de recursos que viabilizassem a renovação dessas empresas ajudando, assim, a proporcionar uma pujança à economia brasileira. Pode-se até contestar o valor pelos quais as estatais brasileiras foram vendidas, mas não se deve nunca ir contra os resultados que essas empresas passaram a ter após a venda para o setor privado.  A economia brasileira pode lograr a obter ganhos que há décadas não havia experimentado. Com o programa de estabilização de preços coroado de êxito, com as finanças do setor público saneadas e com as empresas estatais restantes enxutas e bem administradas, o país estava pronto para dar o passo seguinte.

O Brasil entrou nos anos 2000 com os preços estáveis, com a economia forte, com as empresas saneadas, com a formação de vários grupos empresariais brasileiros investindo no exterior, com, inclusive, o início de algumas verdadeiras multinacionais com capital genuinamente brasileiro. Apesar, de ter havido fortes ganhos sociais a partir do Plano Real, onde houveram ganhos reais bastante consideráveis, principalmente, para as camadas mais pobres do país, ainda existia um nível vergonhoso de pobreza que deixavam dezenas de milhões de brasileiros totalmente aleijado do consumo. Viviam sem ter direito ao consumo de produtos e serviços básicos.

O governo seguinte ao responsável pelo programa de estabilização de preços ficou incumbido de realizar a tarefa de proporcionar uma oportunidade para uma parte significativa da população brasileira. Com programas sociais de conotação de distribuição direta de renda tirou muitas famílias da miséria e deu um novo ânimo para quem estava totalmente desprovido de esperança. Além desses programas de distribuição direta de renda, o governo implantou vários outros programas que proporcionou a ascensão de milhões de pessoas para patamares de renda jamais vistos em toda a história do Brasil. Evidentemente que se não tivessem havidos os primeiros passos dados pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, o governo LULA não teria podido implantar e executar o seu bem sucedido programa de renda realizado em seu governo.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O setor de serviços mostra força, vigor e importância para a sociedade brasileira

Nos últimos anos o setor de serviços tem tido aumentos significativos, muito maiores do que o aumento do PIB, configurando-se como detentor de uma dinâmica muito importante e fundamental para elevar o fortalecimento da economia brasileira. Essa dinâmica é determinada, principalmente, pela entrada no mercado de consumo de uma parcela significativa da sociedade que até recentemente estava aleijada da possibilidade de usufruir serviços relacionados, por exemplos à beleza, estética, reparos de automóveis e muitos outros.
 
Segundo relatório recentemente divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o setor de serviços no Brasil apresentou taxas de crescimento líquido em termos reais nos anos de 2008, 2009 e 2010 de, respectivamente, 11,4%, 6,4% e 11,0%. Ou seja, mesmo com a crise econômica que abalou boa parte do mundo e o Brasil também, o setor passar praticamente inerte sem sentir os efeitos mais perversos da forte contração econômica no mundo.
 
Ainda de acordo com o IBGE, no período compreendido entre 2007 e 2010, a receita líquida das empresas de serviços acumulou um crescimento real de 31,6%, sendo que em quatro segmentos a variação acumulada foi superior a este resultado: os serviços de manutenção e reparação (63,0%); as atividades imobiliárias (59,8%); os serviços prestados principalmente às famílias (44,9%) e os serviços profissionais, administrativos e complementares (44,9%).
 
De 2007 a 2010, a produtividade dos serviços apresentou crescimento real, passando de R$ 43,8 mil para R$ 48,1 mil. Houve também uma redução da proporção do valor adicionado que foi destinada aos salários, que caiu de 34,2%, em 2007, para 33,8%, em 2010. O salário médio, em salários mínimos, também sofreu queda, de 2,6 para 2,4. Isso significa que uma parte razoável dos ganhos obtidos em razão do aumento da produtividade ficou nas mãos das empresas do setor. A menor parte dos ganhos de produtividade ficou, então, para os trabalhadores.
 
É no setor de serviços que se encontram boa parte das mentes brilhantes que dão vazão às invenções e novas tecnologias que levam ao aumento da produtividade também para outros setores como agricultura e indústria. É no setor de serviços onde se encontram desde as consultorias mais sofisticadas até aquelas pelas que prestam assistência de pequenos reparos domésticos, cabeleireiros, dentistas, médicos, advogados e uma infinidade de outras profissões e empresas que oferecem os seus serviços para toda a sociedade brasileira, seja ela constituída de pessoas físicas ou jurídicas.
 
Em todo o mundo, o setor de serviços é o mais importante de constitui a maior parte da economia tal qual o no Brasil. Embora o país tenha recentemente tirado algumas áreas que antes eram consideradas como serviços, tais como vários programas de informática (que passaram a ser incluídos como investimentos) e os serviços prestados nas indústrias (que deixaram de ser contabilizados como serviços e passaram a ser tratados como indústria), e passaram a ser contabilizados como pertencentes a outros segmentos da nossa economia, o setor de serviços ainda continuará a ser o mais importante, com o maior nível de renda e empregando o maior número de pessoas no Brasil.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

As investigações dos desvios éticos no governo federal devem ser levados mais a sério


A ética, a moral, a retidão e o respeito aos princípios que norteiam o bom comportamento devem sempre repousar na mente e nas ações de todos que recebem direta ou indiretamente delegação do povo para representá-lo seja no executivo ou no legislativo.  Apesar desses princípios sejam afirmados e reafirmados como sendo exigidos e praticados nas diferentes instâncias dos poderes no Brasil, constantemente somos bombardeados com informações a respeito de corrupção e desvios da conduta ética por parte de servidores públicos, sejam eleitos, nomeados ou pelos que entraram no setor público por concursos.


Em 1999, a Presidência da República criou a Comissão de Ética Pública, que investiga os desvios de conduta dos membros do poder executivo. Os membros dessa comissão possuem um mandato de três anos, geralmente sendo reconduzidos por mais um mandato de três também de três anos. Mas, o problema é que as recomendações dos membros da comissão nem sempre são cumpridas e, o que é mais grave, isso pode levar o dono ou a dona do poder a intimidar ou a não reconduzir quem investigar ou recomendar alguma punição para algum integrante do governo ou servidor que seja muito chegado de quem manda.


Parece que foi exatamente isso que ocorreu para que a presidente Dilma Rousseff não reconduzisse dois integrantes da comissão, Marília Muricy e Fabio de Sousa Coutinho.  Esse fato é inédito na Comissão de Ética Pública, todos os seus integrantes sempre foram reconduzidos pelo presidente da república sempre que findava o primeiro mandato.  Tanto o presidente Fernando Henrique quanto LULA, nunca deixaram que alguém não fosse reconduzido, mesmo tendo realizado investigações e feito recomendações para punir algum integrante do governo que um dos dois presidentes tivesse afeição.


Esse fato da não recondução para um segundo mandato dos dois membros levou à renúncia do presidente da comissão, o jurista e ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, cujo mandato terminaria em dezembro de 2013.  O presidente da comissão saiu muito desgostoso pelo desprestígio da comissão por para da chefe do executivo quando envolve alguém próximo da presidente. Dois fatos podem corroborar isso. No final de 2011, por iniciativa de Marília, o colegiado recomendou a demissão do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, do PDT. Dilma não queria demitir o ministro para não desagradar o presidente LULA, entre outros motivos. Coutinho, por sua vez, reacendeu a raiva da presidente ao propor aos outros membros da comissão que aprovassem uma "advertência" ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, o ministro mais próximo da presidente.


O poder público é mundo importante para que os seus mandatários o utilizem para se vingarem de coisas que não gostaram. Ainda mais quando esse “não gostar” refere-se a atos que visavam exatamente elevar a boa condução em termos ética do poder. O rancor não cabe na mente e nos atos de estadistas. Isso soa extremamente desagradável para quem preza pela ética e pela moral e não pode ser praticado por quem possui alto nível de aprovação popular como é o caso da presidente.

A ociosidade está comprometendo as vidas de milhões de jovens brasileiros


O desalento, o desconforto, a falta de coragem, a preguiça, a falta de incentivo, entre outros motivos, tem levado muitos jovens simplesmente a desistir de investir em si próprios seja na formação profissional ou até mesmo em trabalhar em um emprego formal, informal ou em um negócio próprio. É perceptível a quantidade desses jovens pelas cidades brasileiras, principalmente naquelas em que não existe uma economia dinâmica. Ao andarmos nas periferias das cidades percebemos um número enorme de pessoas jovens que ao invés de estudar ou trabalhar ou fazer as duas coisas não fazem nenhuma das duas e ficam o dia e a noite na ociosidade desperdiçando tempo ao invés de serem produtivos e produzirem renda e riqueza.

Em um estudo realizado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), coordenado pelo professor Adalberto Cardoso, constatou-se que 20% dos brasileiros entre 18 e 25 anos não trabalham e nem estudam. No país são 5,3 milhões de jovens nessa faixa etária que não trabalham e nem estudam, conforme mostrou a pesquisa coordenada pelo professor Adalberto. Se fossem incluídos os jovens que ainda procuram alguma ocupação mas que continuam desempregados, o número saltaria para 7,2 milhões. A pesquisa da UERJ foi realizada em 2010, ano da maior taxa de crescimento do PIB brasileiro. Se a pesquisa tivesse sido realizada em um ano de recessão ou de baixo crescimento da economia certamente os números seriam ainda mais desanimadores.



As mulheres constituem a imensa maioria nesse grupo, com 66%. Parece ser uma constatação obvia, mas os mais pobres tem o maior percentual de jovens nessa situação. São 46,2% dos jovens nessa situação que pertencem a famílias cuja renda familiar não ultrapassam R$ 77,75 mensais. Ao mesmo tempo, verifica-se que no Norte e Nordeste onde se encontra a maior participação das pessoas jovens que nem estudam e nem trabalham. Nessas duas regiões, um quarto dos (um em cada quatro) jovens estão nessa situação, enquanto que no Sul tem 13% e no Sudeste, 16,8%.

Atualmente, em muitos países ricos do mundo possuem um percentual razoável de jovens que nem estudam e nem trabalha, embora em termos percentuais menores que no Brasil, mas lá existe uma escassez de emprego proporcionada pela baixa taxa de crescimento da economia ou até mesmo por recessão que tem afetado muitos dos países da Europa e em outras regiões do mundo. Em muitos países, mesmo não tendo emprego, os jovens buscam qualificação profissional seja por meio do ensino formal ou por meio de algum curso profissionalizante que possa deixar apto a exercer uma atividade com maior produtividade quando a economia voltar a crescer e voltar a oferecer oportunidade de trabalho.

É preciso que os jovens brasileiros tenham ânimo e busquem sempre investir na própria vida, criando, assim, perspectiva para ter um padrão de vida no futuro muito melhor e com muito melhor remuneração nas atividades que vier exercer. A preparação é fundamental, ter boa formação, melhor ainda. Não podemos perder uma parte de dessa geração para o ócio, temos que levar esses jovens para o mundo produtivo, oferecendo-lhes oportunidades para que possam participar efetivamente da economia, seja como trabalhadores empregados em uma empresa ou em uma atividade própria. Provavelmente quantos talentos são desperdiçados por conta dessa falta de perspectiva desses jovens. A vadiagem pode não ser fruto somente de preguiça, mas de algo mais complexo que deve ser investigado e eliminado para que os jovens que tenham coragem possam participar efetivamente na construção de uma sociedade rica e produtiva no Brasil.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O Brasil está menos pobre e menos injusto em termos de renda e riqueza


O Brasil sempre foi cantado e decantado como um dos campeões de concentração de renda e riqueza entre todos os países do mundo em que poucos possuem muita riqueza e muitos não possuem quase nada. Essa situação se configura como um entrave para o próprio desenvolvimento além de ser uma perturbação que produz efeitos nocivos para toda a sociedade. Isso, entre muitos outros efeitos negativos, prejudica muito o consumo e o bem estar de uma parcela significativa de nosso povo dada a falta de recursos na imensa maioria das famílias para o atendimentos de seus desejos e necessidades de consumo.
 
Ainda bem que nos últimos anos tem ocorrido uma mudança significativa tanto na diminuição do nível de pobreza quanto na concentração de renda dos brasileiros. Recentemente, o IPEA (Instituto de Pes  quisas Econômicas Aplicadas) divulgou um trabalho no qual são apresentados números que comprovam a diminuição sistemática da concentração de renda no Brasil. Segundo o IPEA, que utilizou dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), a desigualdade de renda no Brasil vem caindo continuamente desde 2001. Entre 2001 e 2011, a renda per capita dos 10% mais ricos aumentou 16,6% em termos acumulados, enquanto a renda dos mais pobres cresceu notáveis 91,2% no período. Ou seja, a do décimo mais pobre cresceu 550% mais rápido que a dos 10% mais ricos. Os ganhos de renda obtidos aumentam paulatinamente, na medida em que caminhamos do topo para a base da distribuição de renda.
 
A concentração de renda no Brasil aumentou continuamente de 1960 até 1990 quando a partir de então passou a diminuir. A medida de concentração de renda é obtida por meio do índice de Gini, que quanto mais próximo estiver e 1 (um) mais concentrada é a economia e quanto mais próximo estiver de zero mais justa é a economia e a sociedade em termos de renda e riqueza. O ápice da concentração de renda no Brasil foi em 1990 quando o índice atingiu 0,607. Embora a diminuição tenha começado a ocorrer a partir da implantação do Plano Real em 1994, a queda ocorreu com maior vigor quando a economia começou a crescer já na década de 2000.
 
A redução da desigualdade observada na década passada teve a contribuição de diversos fatores. A participação desses fatores na redução das desigualdades no país teve a seguinte configuração: Trabalho (58%), Previdência (19%), Bolsa Família (13%), Benefício de Prestação Continuada (4%) e Outras Rendas (6%) como aluguéis e juros.  Isso mostra quão decisivo foi o aumento do emprego para a diminuição das desigualdades. O aumento do valor do salário mínimo e a renda distribuída por meio da Bolsa Família tiveram importância, mas muito inferior ao do aumento do trabalho.
 
O país teve uma redução de 57,5% na pobreza na década passada que permitiu ao Brasil fazer mais do dobro do que foi pactuado com as metas do milênio da ONU, e em menos tempo. Mais da metade dessa queda na pobreza, cerca de 52%, foi provocada por mudanças na desigualdade de renda, sendo o restante explicado pelo efeito crescimento puro. Segundo o IPEA, sem essa redução da desigualdade, a renda média precisaria ter aumentado quase 89%, em vez dos 32% observados entre 2001 e 2011, para que a pobreza tivesse a mesma queda.
 
Em exercício realizado pelo IPEA, mostrou que ao considerar a população por renda per capita e dividi-la em 10 pedaços iguais, entre a primeira e a última PNAD da década passada, a renda dos 10% mais pobres subiu 91,2% em termos reais per capita, acumulados no período. Este ganho vai caindo paulatinamente à medida que nos aproximamos do topo da distribuição, atingindo 16,6% entre os 10% mais ricos. Quando se compara as décadas de 1960 e a de 2000, as taxas acumuladas de crescimento dos estratos extremos da distribuição são similares. A renda dos 10% mais ricos nos anos 60 sobe 66,87%, quase o aumento de renda dos 50% mais pobres na década passada, e vice-versa. É o que podemos chamar de imagem invertida no espelho da desigualdade. No final da década passada, voltamos ao ponto onde estávamos meio século antes.
 
O país, e seu povo, teve que penar muito para que pudesse lograr atravessar um caminho tortuoso em que os mais fracos e os mais debilitados quase sempre saiam perdendo e ficando mais fraca ainda ou mais fraco em relação aos que eram mais forte. Era uma situação na qual quem tinha mais ganhava mais e quem tinha menos ganhava menos, se ganhasse alguma coisa. Agora, vivemos outro momento em que se tem a perspectiva de prosseguimento desse processo de desconcentração de renda e riqueza no país e a redução acentuada da pobreza. Os governantes do Brasil em todas as instâncias e poderes devem fazer o máximo possível para que o povo brasileiro seja menos pobre e a sociedade tenha a renda e a riqueza cada vez mais desconcentradas.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O tráfego nas grandes cidades brasileiras está quase inviável em alguns horários


A locomoção tornou-se uma dos principais obstáculos para as pessoas nas principais cidades do Brasil, em razão, principalmente, do aumento muito grande do número de veículos sem o aumento na mesma proporção das vias transitáveis. Muitas pessoas passam várias horas por dia nos deslocamento de casa para o trabalho e do trabalho para casa por conta dos congestionamentos, seja transportado por transporte público ou por veículo próprio, notadamente de está em um automóvel. Em muitas cidades existe trânsito travado até mesmo após o período de pico, que corresponde aos horários entre sete e nove horas da manhã e cinco da tarde e oito horas da noite dos dias úteis. É muito comum haver congestionamentos às dez horas da noite ou aos sábados.

 

O IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) divulgou recentemente um estudo no qual é traçado o perfil dos gastos com transporte das famílias brasileiras que moram nas maiores regiões metropolitanas do país. As regiões metropolitanas utilizadas no estudo são as seguintes: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Fortaleza, Salvador e Belém. Esse estudo utilizou dois tipos de transportes: o público (serviços de ônibus, ferrovias, metrôs e trens metropolitanos, transporte hidrográfico, táxi, mototáxi e transporte alternativo) e o privado (automóveis, motocicletas e caminhonetes, além das bicicletas). Segundo o IPEA, as famílias brasileiras moradoras de áreas urbanas comprometem cerca de 15% da renda mensal com transporte diário, sendo o gasto com transporte privado cinco vezes maior que o montante despendido com transporte público. 

 

Nas capitais, 56% dos gastos das famílias são referentes à compra de veículos, 26,9% com combustível e 11,2% com manutenção. Nas periferias metropolitanas, essas taxas são de 52,8%, 28,7% e de 13,2%, respectivamente. O uso de veículo próprio proporciona conforto, mas proporciona um custo muito alto para quem os utiliza. É um conforto que custa muito caro. Andar em um veículo, apesar de custar muito caro é muito melhor do que todo dia pegar um ônibus (que o meio de transporte utilizado por cerca de 88% das pessoas que usam o transporte público nas grandes cidades) que geralmente anda muito lotado e desconfortável.

 

De acordo com o IPEA, no período de 1998 a 2008, o PIB do Brasil cresceu em média 4% por ano, enquanto as vendas de automóveis e motocicletas aumentaram anualmente 7% e 12%, respectivamente. Nesse mesmo período o número de passageiros transportados por ônibus diminuiu enquanto que aumentou significativamente o número de veículos nas ruas e avenidas das cidades brasileiras, deixando a mobilidade praticamente inviável. É interessante observar que nesse período que o aumento de renda foi menor que o aumento do gasto das famílias com transporte privado. Ao mesmo tempo, nos últimos dez anos, os preços dos automóveis e dos combustíveis subiram menos que a inflação enquanto que as tarifas do transporte público subiram quase o dobro da variação geral de preços.

 

É inegável que o brasileiro gosta muito de carro e que adora andar em um automóvel. Mas as péssimas condições dos transportes públicos e a facilidades vinda tanto do aumento da renda quanto do sistema de crédito tem levado muitas pessoas a abdicarem do uso de ônibus ou metrô e passado a usar ainda mais o conforto do caro embora tenha que enfrentar congestionamentos e um incorrer em custos muito mais altos. Isso, evidentemente, contribui muito para o aumento contínuo das dificuldades em se trafegar pelas vias nas cidades. Atualmente, até mesmo nas cidades médias é possível encontrar o trânsito travado em alguns momentos do dia. A combinação do amor do brasileiro por carro, das facilidades de se comprar um veículo, dos incentivos à compra de automóveis, da falta de incentivos e investimentos em transporte público e da falta de criação de novas vias cria-se uma situação que leva à piora contínua das condições de tráfegos nas cidades brasileiras.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A moderna agricultura pode ser o remédio para o subdesenvolvimento do semi-árido nordestino


A agricultura é uma das áreas da economia que mais tem apresentado vigor, aumento de produtividade e aumento de renda, apesar das imensas dificuldades pelas quais esse setor passa anos após anos. O chamado Agribusiness tem tido uma dinâmica muito forte e atraído muitos investimentos tanto internos quanto do exterior e consolidando como a mais importante no comércio exterior. Essa dinâmica tem sido muito mais forte em algumas áreas do país do que em outras. Mas, mesmo assim, o país tem despontado como um dos maiores produtores mundiais de muitos produtos oriundos da agricultura ou da agropecuária.

 

Bilhões de pessoas na terra precisam se alimentar e o Brasil pode ser, como está sendo, um seleiro a oferecer comida para boa parte da população mundial a um preço razoável em razão do grande progresso que já obteve e continuará obtendo na produção de produtos agrícolas e outros produtos derivados. O país tem a primazia na produção de muito produtos de muita importância no mercado mundial e certamente continuará a ser nesses produtos e muitos outros no futuro, dada a dinâmica que a produção no campo tem tido nas últimas décadas. As mudanças que os preços agrícolas sofrem no mercado mundial não tem afetado muito a produção no mercado brasileiro por causa dos grandes ganhos de produtividade que o país tem tido nessa área.

 

Ao mesmo tempo, o Brasil deve ter o cuidado de homogeneizar essa dinâmica para todo o país, oferecendo tecnologia e outros meios para regiões desprovidas dessa dinâmica própria das regiões de agricultura mais desenvolvidas. O aumento da produtividade deve também contemplar as regiões mais sofridas e castigadas como as regiões do semi-árido nordestino cuja boa parte da população sobrevive graças ajudas vinda do governo federal como as oferecidas pelo programa Bolsa Família. É mais que urgente a transferências de tecnologias e conhecimentos praticados nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste para esses lugares tão pobres e tão sem esperança de mudanças para melhor.

 

Isso deve ser contemplado também com sistemas de irrigação, cisternas, poços profundos, poços artesianos e outras formas de oferta de água que sejam eficientes e não gere qualquer tipo de desperdícios. Com a inclusão dessa parte tão grande, de pessoas tão dispostas para trabalhar e de muita coragem no processo dinâmico da nossa economia, teremos muito mais oferta de produtos para o país e para o mercado mundial além, evidentemente, de muito mais riqueza, renda e consumo para milhões de brasileiros que atualmente tem como salvação as migalhas vindas do governo. Isso precisa mudar, tem que trabalho para quem quer e precisa trabalhar e nada mais apropriado do que a utilização de um setor dinâmico e que a imensa maioria daquela população tem capacidade de atuar. Essa dinâmica pode ser levada para lá tanto por meio grandes empresas, como por meio da agricultura familiar, mas com o emprego de modernos meios de produção agrícolas.

 

O desenvolvimento não pode ser completo, eficiente e justo se deixar uma multidão fora dos ganhos advindos da melhora na economia. Programa de inclusão é mais justo quando passa a incluir pessoas no processo de produção com aumento significativo na produtividade. O Brasil tem uma oportunidade ímpar de elevar a riqueza do país por meio da transformação do semi-árido nordestino em um dos celeiros que irá ajudar alimentar a população mundial que não para de aumento o consumo de alimentos.

domingo, 23 de setembro de 2012

A democracia brasileira e a seriedade de nossa sociedade dependem de cada um de nós brasileiros

Daqui a duas semanas teremos eleições para escolha de prefeito e vereadores em todos os municípios brasileiros, com mandatos de quatro anos iniciando a partir de janeiro de 2013. Deveriam ser escolhidos democraticamente, onde os melhores, os que tivessem mais capacidade de honrar os seus mandatos é que deveriam receber a maioria dos votos dos eleitores e, consequentemente, eleitos. Por que nem sempre os melhores não são eleitos? Por que muitos dos que realmente desejam lutar somente em favor do povo não são eleitos? Será que a lei permite essa situação? Será que existem leis que combatem a corrupção eleitoral, mas os eleitores e os políticos as desobedecem?

No período eleitoral existem basicamente três tipos de pessoas: as que não querem saber de jeito nenhum de política ou de políticos, os que aceitam, mas mediante pagamentos seja trabalhando regularmente e recebendo remuneração ou fazem algum tipo de ajuda ao candidato mediante o recebimento de algum pagamento de volta e os que ajudam por ajudar mesmo porque gostam do candidato. Apesar de existir a descrença nos políticos por parte de muitas pessoas, o maior número de pessoas se encontra no segundo grupo, são pessoas que ajudam determinado candidato, mas esperam receber algo em troca. Isso é generalizado em todo país e em todas as cidades brasileiras.

Existem muitas pessoas que até para colocar adesivos em seus carros cobram algum tipo de pagamento. Muitos que deixam colocar placas em suas casas o fazem mediante alguma compensação à vista ou futura. A civilidade, a ética, a honestidade e a moral passam muito longe também de muitas pessoas que não são políticas. As pessoas que vendem esses e outros tipos de facilidades  e arranjos para políticos são tão corruptas quantos os próprios políticos que os compra. Apoios são comprados não por meios de uma boa atuação em prol da população quando eleito, mas mediante pagamento de qualquer espécie diretamente para quem está apoiando a candidatura. Como a fiscalização é bastante frágil e a punição menor ainda, essa prática que macula a democracia brasileira continua imperando no processo eleitoral sem que praticamente nada seja feito para impedir.

Isso é a perpetuação da prática do coronelismo que era comum em grande parte do país na primeira metade do século passado, principalmente nas zonas rurais, mas que continua vivinha embora com outras roupagens e ingredientes diferentes. A força e o dinheiro aleijam aqueles que entram somente com a vontade realmente fazer a coisa certa, dificilmente se conseguirá êxito em uma eleição se não tiver muito dinheiro para patrocinar esses atos que além de serem contra as leis eleitorais atualmente vigentes no país custam muito caros. Os recursos podem vir dos mais diversos meios, mas muito, principalmente daqueles que já estão no poder, pode vir da própria corrupção na qual empresas ou pessoas físicas pagam propinas para terem algum benefício no mandato, seja mandato no legislativo ou no executivo.

Trabalhar corretamente é muito difícil quando os competidores utilizam meios difusos que vão contra às leis e aos princípios éticos. Isso, infelizmente, leva outras pessoas a fazerem o mesmo, pensando que não estão fazendo algo errado, mas estão. Estão fazendo, sim, algo muito errado que deveria lhes render uma punição severa. Não se deve brincar com a nossa democracia, não se deve ir contra as leis e, principalmente, contra princípios éticos. O desrespeito de tudo isso leva à desmoralização de nossa sociedade. O que as pessoas de bem devem fazer é não deixar com que pessoas maculem a moral e o caráter da nossa sociedade. Como fazer isso? Denunciando qualquer tipo de prática que ferem às leis eleitorais e não se vendendo seja para votar e algum candidato ou por outros atos vetados pela justiça eleitoral. Fazendo isso, teremos muito menos corrupção no país e o Brasil passa a ter uma sociedade mais séria.