sábado, 31 de março de 2012

O Brasil precisa participar dos ganhos da revolução do conhecimento


Os desafios que se impõem diante das circunstâncias, momentos e necessidades proporcionam oportunidades de melhorar, alterar o modo de se fazer o que se fazia antes e buscar mudar o que se fazia utilizando-se de novas técnicas, ferramentas, meios e qualidade. As circunstâncias históricas fizeram com que os modos de produção, o trabalho, a produtividade e o tempo despedido no local de trabalho se alterassem significativamente ao longo dos últimos duzentos anos. Até meados dos anos 1750, os países asiáticos eram responsáveis pela maior parte da produção mundial. A partir de então, com a primeira revolução industrial (com o aparecimento do motor a vapor, tear mecânico, ferrovias, entre outras invenções) a Inglaterra passou a ser o centro da produção mundial, com a dinâmica do processo industrial e de outros processos dele derivado aquele país passou a ser o principal absorvedor de produtos primários do mundo.

Um pouco mais de um século depois, por volta de 1880, ocorreu a segunda revolução industrial quando surgiram a eletricidade, o motor a combustão, o automóvel, entre muitos outros. Apesar dessa segunda revolução ter também ocorrido na Inglaterra, foram nos Estados Unidos e na Alemanha onde teve-se maior dinâmica, onde começaram a disputar a ocupação do espaço que era da Inglaterra.  Nessa disputa teve-se muitas batalhas de diferentes tipos, inclusive as duas guerras mundiais. A partir dos resultados e cenários deixados pelas guerras, os Estados Unidos se consolidaram como a maior potência mundial, sendo rivalizado apenas no âmbito militar pela antiga União Soviética. Agora o mundo vive outra revolução na economia que está se dando por meio do conhecimento e na produção de bens não materiais.

As mudanças em termos de valor, do modo de produção, do tipo de trabalho, da sociedade que estão ocorrendo em todos os países do mundo apresenta-se como uma oportunidade magnífica para um país como o Brasil em elevar o valor agregado de seus produtos e serviços e o conhecimento dos seus trabalhadores e da sociedade em geral. Não pode-se admitir que sejamos um país eternamente fornecedor de produtos primários para um país ou grupo de países com maior dinâmica, geração de riqueza e mais importante como foram os casos da Inglaterra antes e os Estados Unidos no século XX, entre outros. O Brasil tem que ser protagonista dessa nova revolução, tem que obter retorno, vantagens e riqueza desse novo momento em que estamos vivendo. Não podemos ficar com taxa de investimos abaixo de 20% do PIB e defasados tecnologicamente por falta de inovações tecnológicas em nossas empresas.

A estrutura social e familiar está se modificando radicalmente, com a idade média da sociedade aumentando em razão da diminuição da quantidade de jovens e do aumento da expectativa de vida das pessoas. Ao mesmo tempo, cresce assustadoramente o número de famílias chefiadas ou só pelo pai ou só pela mãe, muitos dos quais idosos. Ao mesmo tempo em que as carências de formação da população são bastante acentuadas tanto do ponto de vista da qualidade quanto em quantidade. Atualmente, no Brasil, não mais que 13% das pessoas com idade entre 18 e 24 anos estão matriculados no ensino superior. Isso na presença de uma parte muito grande da sociedade composta de analfabetos ou semianalfabetos.

A modernidade e as facilidades podem também deixar vulneráveis os trabalhadores em termos de tempo de trabalho, visto que não é mais necessário que se desloque até à empresa para realizar as suas tarefas laborais, com os meio disponíveis podem trabalhar em qualquer local e em qualquer momento. Isso pode fazer as pessoas a trabalharem até mesmo mais do que os antigos operários na Inglaterra do século dezenove, pelo menos em termos de tempo gastos trabalhando. É necessário que o ensino, a legislação e as empresas sejam preparados para lidar com essas novas possibilidades visando melhorar a vida das pessoas, aumentando a sua qualidade e melhorando a produtividade e o bem estar de todos.

O Brasil tem que atuar em duas vertentes para acompanhar as atuais mudanças na economia. Em primeiro lugar é preciso que as condições sejam apropriadas para que o nosso país seja um dos principais protagonistas obtendo ganhos e participando efetivamente dos resultados de nova revolução, a revolução do conhecimento. Consegue-se isso com investimentos em tecnologias, infraestrutura, aumento vertiginosos no ensino de qualidade para os brasileiros e com legislação que leve a simplificar a estrutura burocrática na produção de bens e serviços no país. Em segundo lugar, é necessário que o povo também participe dos ganhos, não seja apenas um coadjuvante que recebe uma parte muito pequena dos resultados obtidos no processo de produção. Os ganhos devem ser para todos, para o país, para as empresas, para o governo e, principalmente, para a sociedade brasileira.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Abertura e sobrevivência das empresas no Brasil

A formalização de um negócio ou de uma atividade é o que todas as pessoas que trabalham por conta própria, seja só, com familiares ou com empregados, deveriam fazer.  Entretanto, as dificuldades são imensas, que muitas vezes ultrapassam a necessidade de se ter um negócio formal, legal e com todos os direitos e deveres. As dificuldades começam na abertura, onde são exigidos muitos documentos, muitas comprovações e burocracia de toda natureza, apesar de algumas mudanças na legislação e a intervenção de algumas entidades, os empecilhos para se abrir uma empresa ainda são muito grandes. Após a abertura, as dificuldades são ainda maiores. São tão grandes que muitas delas sucumbem após alguns poucos anos.

Estudos de especialistas da área social, de emprego e renda mostram que a imensa maioria de aumento da renda da população é proveniente do aumento do emprego formal, emprego com carteira assinada, não dos empreendedores. Isso é comprovado por outros estudos, nos quais utilizando-se do ferramental da econometria obteve-se resultados bastante claros no sentido de que o número de empresas abertas aumenta quando as condições de mercados estão adversas e as perspectivas de aumento do desemprego são maiores. Ou seja, quando as pessoas sentem que podem perder o emprego ou já estão desempregadas e conseguir outro trabalho está difícil é que partem para abrir um negócio próprio.

Diante das dificuldades mencionadas acima, dos riscos inerentes a qualquer negócio, da falta de crédito barato e de eventual dificuldade de mercado fazem as pessoas preferirem ficar no emprego, que embora lhes proporcione um rendimento baixo, os riscos são infinitamente menores. Trabalhando em uma empresa como empregado, o máximo que pode ocorrer com a pessoa é perder o emprego. Já tendo montado um negócio próprio, se esse negócio fracassa e acaba, muitas vezes a pessoa perde tudo ou quase tudo que possui. Algumas estatísticas mostram que cerca de 50% das novas empresas vão à falência em dois anos.  Estudos mostram que existem alguns fatores que ajudam a levar uma empresa a ter sucesso ou não em seus primeiros anos.

Esses fatores são os seguintes: o tamanho da empresa, quanto maior a empresa, menor a possibilidade de a mesma vir a falir em seus primeiros anos de vida. Um outro fator muito importante para que uma empresa nova tenha sustentabilidade em seus primeiros anos é o nível da atividade econômica. Parece bastante óbvia, quanto maior a taxa de crescimento da economia, menor a possibilidade de uma empresa falir. Outra variável significativa é a localização da empresa. Ela deve está próxima de seu mercado e da mão de obra a ser utilizada. A idade da empresa também é um fator que pode ser classificado como importante. Quanto mais tempo de vida tem uma empresa menos provável é a sua falência. Um fator que pode ser caracterizado como um dos mais importantes é o crédito. O crédito tem que ser fácil, sem burocracia e barato. Quanto mais barato e fácil é o crédito, menos as empresas falem.

Mas, os dois fatores mais importantes para que uma empresa tenha uma longa vida é a garra, a determinação, a força de vontade e a coragem dos donos do negócio para enfrentar as dificuldades.  Quanto maior a dedicação e a seriedade com que o dono trata do seu negócio, menor a possibilidade da empresa vir à bancarrota. Outro fator que pode ser julgado como igualmente importante é a participação do governo em várias áreas que levem as empresas a terem menos dificuldades em suas sobrevivências. Legislação menos difícil, treinamento e consultoria grátis para os pequenos e médios empreendedores, liberação de crédito desburocratizado e barato, melhora na infraestrutura do país são algumas das ações que o setor público deve fazer para melhorar as condições de vida das empresas brasileiras, principalmente daquelas que foram abertas há pouco tempo e tanto precisa de apoio.

segunda-feira, 26 de março de 2012

A pirâmide social no Brasil está se transformando em um losango social

O padrão de vida dos brasileiros tem passado por transformações causadas principalmente pela redução drástica das taxas de inflação, aumento no nível de emprego, aumento significativo do salário mínimo e do salário médio em geral e de programas sociais implantados, notadamente, pelo governo federal.  As pessoas passaram a comprar mais, não somente alimentos e roupas e calçados, mas bens de consumo duráveis como automóveis, geladeiras de melhor qualidade e outros bens de valor alto.  Os números que são divulgados indicam que as pessoas estão obtendo melhores rendimentos e conseguindo melhorar de vida, obtendo ascensão na escala social.

Em uma pesquisa recente realizada pela empresa Cetelem BGN, uma subsidiária da BNP Paribas Personal Finance França, onde foram ouvidas 1.500 pessoas maiores de 16 anos a respeito de diversos assuntos pertinentes à definição de que classe econômica pertencem e outras informações relevantes. É importante salientar que as pessoas de 16 anos ou mais representam 74% da população brasileira. Nessa pesquisa foi constatado que 38% são analfabetos ou semianalfabetos, 25% tem o ginásio completo ou incompleto, 27% tem o segundo grau completo ou incompleto e 10% tem o superior completo ou incompleto. Também foi constatado que 59% das pessoas com 16 anos ou mais de idade estão casadas ou vivem com companheiros, 31% estão solteiras, 6% são viúvas e 4% são separadas ou desquitadas.

O fato mais importante é que se verifica que a tão decantada pirâmide social do Brasil está se transformando em um losango social. Em 2005, as classes D e E representavam 51% da população brasileira, a classe C 34% e as classes A e B juntas representavam 15%. Em 2011, os percentuais acima passaram a ter a seguinte configuração: D e E: 22%, C: 54% e A e B: 24%. É uma mudança considerável, notadamente, considerando que houve aumento significativo na participação dos brasileiros nas classes mais altas e diminuição nas duas classes mais baixas. Em números, são 45,24 milhões de brasileiros pertencentes às classes E e D, 103,05 milhões que pertencem à classe C e 42,43 milhões que pertencem às classes A e B.

A renda média familiar mensal obtida em 2011, segundo cada classe foi a seguinte: a média das pessoas que pertencem às classes D e E foi de R$ 792,00, as que pertencem à classe C foi de R$ 1.450,00 e as que pertencem às classes A e B foi de 2.907,00. Os gastos mensais das famílias em 2011 teve a seguinte configuração: a média dos pertencentes às classes D e E foi de R$ 657,00, as pertencentes à classe C foi de R$ 1.171 e as pertencentes às classes A e B foi de R$ 2.035,00. Vale salientar que em todas as classes os maiores gastos ocorreram em compras no supermercado e com alugueis.

Mesmo com a melhora e mudança de patamar em termos de classe social, os rendimentos do brasileiro continuam muito baixo e não retratam um verdadeiro padrão de vida que uma classe média deve ter.  Classificar uma família que tem um rendimento mensal de R$ 1.450,00 de classe média não parece ser adequado. Não resta dúvida que boa parte da base da pirâmide social subiu, mas o rendimento médio é muito baixo, mesmo daqueles que alcançaram novos patamares da pirâmide social. Esse processo de ascensão social do brasileiro tem que ter continuidade com melhora nos rendimentos para todos. Políticas de toda natureza que levem os brasileiros viverem melhor devem e tem que ser efetivadas e praticadas com toda ênfase possível.

sábado, 24 de março de 2012

O tempo que o brasileiro fica no ambiente do trabalho vem diminuindo ao longo dos anos

O trabalho consome a maior parte da vida de cada brasileiro, para isso não existe nenhuma dúvida, muito embora existam pessoas que não tem como hábito utilizar o tempo com trabalho. A necessidade de produzir, de fazer algo produtivo e que proporcione algum retorno de natureza financeira ou de outro tipo, faz parte do cotidiano de grande parte das pessoas.  Muitos sacrificam o lazer, o estar com a família ou diversão para está no trabalho, em reuniões de natureza política, social ou religiosa ou até mesmo em um segundo ou terceiro trabalho remunerado porque um único trabalho não é suficiente para atender as necessidades de compras e outros tipos de gastos.

A verdade é que ao longo das últimas décadas, o brasileiro tem trabalhado menos em termos de horas utilizadas no ambiente de trabalho, e certamente tem sobrado mais tempo para o lazer. Será que as pessoas tem tido mais lazer? De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por amostragem domiciliar realizada pelo IBGE, nos anos de 1992, 2001 e 2009 o percentual de pessoas que trabalhavam até 44 horas por semana no Brasil (todos os trabalho, seja remunerado ou não) foram 58,3%, 59,0% e 68,2%, respectivamente. Portanto, o percentual daquelas pessoas que trabalham mais do que é determinado pela Constituição (44 horas semanais) vem caindo.

O IPEA realizou uma pesquisa na qual solicitava que o entrevistado informasse, entre várias outras informações, se quando estava fora do ambiente de trabalho conseguia se desligar totalmente do trabalho. Segundo as informações obtidas nessa pesquisa, 54,6% das pessoas conseguem se desligar totalmente do trabalho quando estão fora do horário de trabalho, enquanto que 45,4% não conseguem. Outra questão abordada foi se o entrevistado possuía algum outro compromisso além do emprego principal. Nesse caso, 29,7% dos entrevistados afirmaram que tinha algum outro compromisso: atividade religiosa, política, estudos, trabalho voluntário, outro trabalho remunerado, etc. É interessante observar que 6,2% informaram que possuíam mais de um emprego.

Foi perguntado também se o entrevistado achava que o tempo livre vem diminuindo em razão do trabalho.  Nesse caso, 37,7% responderam que o tempo gasto no trabalho tem causado uma diminuição no tempo livre, enquanto que para 62,3% acham que o trabalho não tem afetado o tempo livre. Ao mesmo tempo, 39,5% afirmaram que o tempo gasto no trabalho afeta negativamente a qualidade de vida, enquanto que para 60,5% acham que não, que a qualidade de vida não é afetada pelo trabalho. Mais da metade não se importa de tirar um pouco do tempo livre para se dedicar ao trabalho. São 51,2% dos entrevistados que não tem reação negativa em utilizar uma parte do tempo livre para ser usada em atividades relacionadas com o trabalho, enquanto que 48,8% não gostam de utilizar o tempo livre para tratar de assuntos relacionados do trabalho.

O trabalho faz parte do nosso cotidiano e ao exercermos as nossas atividades devemos fazê-las com o sentimento de que não se trata de um castigo ou algo pejorativo. Evidentemente que existem muitos ambientes de trabalho que não são mil maravilhas, mas devemos fazer sempre o melhor com o menor esforço possível. A tecnologia, o conhecimento e a experiência existem para isso: para fazer do trabalho algo que possa se assemelhar com momentos de lazer, embora as cobraças de praxe estejam presentes quase que cotidianamente. Os números mostram, conforme visto acima, que o tempo médio que as pessoas ficam no trabalho vem diminuindo, entretanto as pessoas vem assumindo outros compromisso, além do trabalho, que podem levar atém mesmo a diminuir o tempo de lazer. A vida deve ser regrada, com certo equilíbrio entre trabalho, outros compromissos, lazer e família.

quarta-feira, 21 de março de 2012

A desindustrialização e a eficiência na economia brasileira

As formas de desenvolvimento econômico que afetam as economias e as sociedades se dão como uma revolução que muitas vezes não é percebida, mas muda o modo de vida das pessoas substancialmente. Historicamente, isso ocorreu em muitas nações que hoje são consideradas ricas. As revoluções industriais mudaram o padrão de vida da imensa maioria de quem vivia em países da Europa e em outras nações fora do Velho Continente nas épocas em que ocorreram. Essas mudanças geralmente se dão paulatinamente, mas considerando mesmo o médio prazo pode ser sentida, por exemplo, em termos de mudanças nos tipos de empregos que passam a ser ofertados em determinados setores em escala muito menor do que ocorria em tempos passados.

Fenômenos desse tipo, ocorrem, por exemplo, em país ou região que passa de uma economia tipicamente agrária para uma industrial ou intensiva em capital. Na primeira revolução industrial que ocorreu em vários países europeus, trabalhadores campestres passaram a produzir peças, equipamentos e utensílios industriais. O mesmo ocorreu no Brasil no decorrer do século passado, mais intensivamente a partir dos anos 1950. A economia brasileira era praticamente agrária, existiam poucas indústrias no país, sendo que muitos dos produtos industriais consumidos aqui eram produzidos no exterior. A partir de 1930 é que começou, de fato, a haver uma transformação da economia brasileira em que diminuía a importância da agricultura e aumentava a da indústria.

Tipicamente, em economia que sofre alteração nos processos produtivos a partir do estágio inicial de desenvolvimento, começa aumentando a participação da indústria na economia, diminuindo a da agricultura, mas esta continua crescendo em termos absolutos com a incorporação de novas tecnologias e aumento de produtividade. Ao mesmo tempo em que a indústria aumenta substancialmente a sua produtividade, a ponto de suplantar em muito a da agricultura, surgem novas demandas de serviços sofisticados dos mais diferentes tipos provocadas pelo aumento da renda na indústria e na agricultura que apesar de não apresentar a mesma dinâmica daquela gera renda suficiente para alterar o perfil de demanda dos pertencentes a esse setor da economia. Isso tem continuidade com o país obtendo alta renda tanto em serviços, que passa a ser o setor mais importante da economia, como no setor industrial, que perde importância na economia, e também na agricultura que ainda tem uma dinâmica bastante forte.

Com a recente discussão que se instalou no país a cerca do fenômeno da desindustrialização do Brasil, pode-se indagar: O Brasil está vivendo um fenômeno parecido com o descrito acima? Com as divulgações por órgãos do governo de que a renda do país cresceu significativamente nos últimos anos poderiam nos levar a acreditar que a resposta para a indagação acima seria afirmativa. Entretanto, a verdade é bem diferente. Nos países que experimentaram essa transformação em suas economias nos anos 1970 e 1980, com a indústria perdendo peso na economia, isso ocorreu quando a renda per capita era muito mais alta do que a do Brasil na atualidade. Outro argumento que ajuda a tratar o fenômeno que está ocorrendo agora no Brasil como diferente do descrito no parágrafo anterior é que a produtividade média na indústria brasileira nos últimos anos tem ficado negativa enquanto que nos países ricos ocorreu exatamente o inverso, mesmo com a indústria perdendo peso continuou aumentando a sua produtividade.

Na verdade, a diminuição da participação da indústria brasileira na economia está muito mais relacionada com a falta de competitividade com os produtos estrangeiros do que qualquer outro fenômeno típico de desenvolvimento econômico. Não é segredo que vários setores em várias regiões do país sucumbiram em razão da invasão de produtos estrangeiros, notadamente os provenientes da China. Fatores como taxa de câmbio muito valorizada, taxas de juros muito altas, impostos exagerados, nível de educação muito baixo com qualidade muito aquém da ideal ajudam a explicar esse fenômeno para o processo de desindustrialização que o Brasil está vivendo. Também ajudam explicar esse fenômeno a facilidade com que países entram no Brasil com seus produtos fabricados através de mão de obra extremamente barata e o pouco investimento em tecnologias e inovações visando aumentar a produtividade no setor.

domingo, 18 de março de 2012

Investir em infraestrutura de transporte é condição necessária para o desenvolvimento

A dependência dos meios de transportes para o desenvolvimento e o progresso do país é indiscutível e são altamente relacionados em termos de eficiência e produtividade. A infraestrutura em transporte é uma das pré-condições para o crescimento econômico e os próprios investimentos em transporte (rodoviário, aquático, ferroviário, aéreo, etc.) elevam a capacidade de geração emprego e renda para muitas camadas da população pelo efeito multiplicador da renda que envolve vários setores da economia.  Mas, muito mais importante do que isso, um país com uma boa estrutura de transporte tem custos de produção e escoamento mais baixo, a produtividade dos fatores de produção é mais alta, resultando no aumento da renda e na diminuição dos preços. Assim, todos saem ganhando quando se tem grandes investimentos nos meios de transportes no país, tanto nas rodovias, portos, aeroportos, ferrovias e nas ruas e avenidas das cidades brasileiras.

Por razões de falta de recursos públicos por conta das crises internas e externas interminais vividas no período e pela falta de perspectivas de crescimento na economia brasileira, o período de 1984 a 2005 levaram à falta  de investimentos públicos e privados em transporte no país o que levou a uma crescente diminuição na qualidade e quantidade de serviços de transportes no país. Muitos meios de transportes ficaram sucateados, como o caso do ferroviário, muitas estradas ficaram quase que intransitáveis e as principais cidades do país ficaram com a capacidade de absorção de veículos em suas ruas totalmente esgotada. A partir da estabilização da nossa economia obtida com a redução drástica das taxas de inflação e da estabilização do Real, após passar por várias crises, o país se voltou para a malha de transportes em seus vários modais.

Os investimentos em rodovias tem sido realizados majoritariamente com recursos públicos, muito embora a partir da segunda metade da década de 1990 vários trechos passaram para a responsabilidade do setor privado por meio de concessões. Existe a estimativa de que o setor privado esteja interessado em 15% da malha rodoviária do país, somando as áreas já concedidas e as que estão programadas para serem leiloadas. Os 85% restantes da malha rodoviária do país deverão ser de responsabilidade direta do setor público, seja da União ou dos Estados. Uma parte dos que não entrarão nas concessões poderão ser entregue ao setor privado por meio de contratação de parcerias público-privado, mas não se tem a estimativa do quantitativo que poderão entrar nesse programa.

Nos últimos anos, os investimentos no setor de transporte aumentaram significativamente. No período de 2003 a 2010, os investimentos no setor aumentaram 200% em termos reais, passando de R$ 7,0 bilhões para R$ 23,4 bilhões. Sendo que 60% desse valor investido no último ano foram destinados ao modal rodoviário que precisa de muito mais investimento para que possa proporcionar trafegabilidade adequada. Existem estimativas de que são necessários investimentos anuais nas rodovias brasileiras de cerca de 2,0% do PIB brasileiro, atualmente estão em 0,42%. Esses investimentos estão sendo feitos pelo governo e pelas empresas concessionárias. No modal aeroviário, apesar do forte crescimento da demanda oriunda, principalmente do aumento da renda média dos brasileiros, os investimentos ainda são bastante baixos e de origem majoritariamente do setor público. Nos últimos meses teve-se a concessão de três aeroportos, o que nos leva a acreditar que os investimentos nesse modal apresentem melhora significativa nos próximos anos.

Quanto ao modal ferroviário, os investimentos em manutenção e modernização tem ficado a cargo quase que integralmente do setor privado enquanto que os de expansão tem ficado sob a responsabilidade do governo. O investimento anual do setor público tem girado em torno de R$ 2,9 bilhões enquanto o governo investe, em média, R$ 2,5 bilhões anuais. Os investimentos no modal hidroviário tem ficado em torno de R$ 2,8 bilhões por ano, tendo as participações do setor público e do setor privado em partes quase iguais. Aqui entram algumas empresas estatais com investimentos substanciais.

Os dirigentes brasileiros, sejam eles do governo federal, dos governos dos estados ou das prefeituras, devem ter em mente que a infraestrutura de locomoção de pessoas, bens e produtos deve ser a mais adequada possível. Para que se produza e se viva com eficiência e bem estar é necessário que o custo em termos de tempo, dinheiro e conforto nos deslocamentos seja o menor possível. É impossível imaginar que o país possa ter uma grande produtividade sem uma malha rodoviária, ferroviária, aeroportuária, hidroviária adequada. Além disso, o tráfego nas cidades deve ser mais rápido, mais seguro e menos estressante do que se tem atualmente. Para tudo isso, são necessários investimentos pesados tanto do setor público como do setor privado. Os responsáveis devem se habilitar a cumprir com as suas responsabilidades.