quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Os lucros fabulosos que os bancos e empresas tiveram em 2011

O ano de 2011 não foi muito bom para alguns setores da economia brasileira. Mas, para outros pode-se dizer que foi uma maravilha, considerando os lucros fabulosos que suas empresas obtiveram no ano passado. Notadamente considerando-se que o objetivo primordial de qualquer empresa privada é obter lucros. Os lucros bilionários que muitas empresas brasileiras tiveram no ano passado contradiz de forma clara e cristalina que o ano de 2011 foi um ano de crise para o Brasil. Aliás, existe um setor na economia brasileira que não sabe o que é crise: o setor bancário.  Levando em conta os cinco maiores bancos brasileiros, de 2003 até 2011 obtiveram uma lucratividade de 316% enquanto nesse mesmo período a inflação medida pelo IPCA foi 55% e a SELIC (índice que remunera a maior parte dos títulos do governo) foi de 233%.

Os ganhos que os bancos estão obtendo no Brasil são muito altos, até exagerados. Em 2011, o somatório dos lucros dos seis maiores bancos (três privados, dois públicos e um semipúblico – o Banco do Brasil) foi de inacreditáveis R$ 59,82 bilhões. O maior lucro no ano passado no setor bancário foi do Itaú Unibanco, com R$ 14,6 bilhões e lucratividade (basicamente o lucro dividido pelo patrimônio líquido no ano) de 22,3%. O Banco do Brasil teve um lucro em 2011 de R$ 12,1 bilhões, com rentabilidade de 22,24%. O Bradesco lucrou R$ 11,02 bilhões e rentabilidade de 21,3%. O BNDES teve um lucro de R$ 9 bilhões, com lucratividade de 15%. O Santander lucrou R$ 7,8 bilhões e lucratividade de 16,2%. A Caixa Econômica Federal lucrou R$ 5,2 bilhões e lucratividade de 29,6%.

Como se observa acima, o nível de rentabilidade dos bancos é muito alto, muito superior ao da SELIC, em vários casos mais do que o dobro. Não resta dúvida que o sistema bancário é extremamente importante para a economia e para o desenvolvimento do país e da sociedade, mas essa alta lucratividade não é o resultado somente da eficiência de seus executivos e funcionários, certamente a exploração de seus clientes também contribui para esses lucros estratosféricos.  O nível de crédito aumentou significativamente nos últimos oito anos, passando de 26% do PIB para 49% (com expansão de 20%, em média, ao ano), mas é notório que os custos diretos e indiretos de se obter empréstimos bancários no país são muito altos, às vezes quase proibitivos.

Outras empresas brasileiras também tiveram lucros muito grandes no ano passado, mais são empresas praticamente monopolistas em seus setores e estão entre as maiores do mundo: A Petrobrás e a Vale. Esta última teve um lucro de R$ 37,82 bilhões, o maior lucro que uma empresa brasileira já conseguiu. O lucro da Petrobrás foi de R$ 33,3 bilhões, o terceiro maior da história, perdendo apenas para a Vale no ano passado e para a própria Petrobrás em 2010. Outras empresas e grupos empresariais também tiveram lucros muito grandes, sendo que algumas já divulgaram e outras irão divulgar (notadamente aquelas que possuem obrigação de divulgar os seus resultados), mas muito longe dos patamares dessas duas empresas. Essas duas empresas tradicionalmente conseguem grandes resultados em termos de lucros.

Apesar de se considerar que faz parte do jogo do mercado as empresas competirem e obterem o máximo lucro possível, não parece ser moral setores terem um lucro muito alto, muito maior do que a média, às custos de seus usuários. No caso específico dos bancos, isso é notório. As altas taxas de tarifas e juros cobrados em praticamente todos os empréstimos maculam qualquer objetivo que tenha caráter de função social ou de respeito ao cidadão. Pode até ter respeito, mas para isso precisa pagar muito caro. Considerando o nível de inadimplência da maioria dos bancos, não se justificam os custos tão altos na utilização dos bancos brasileiros. Não há dúvida que esses grandes lucros são sustentáculos para a solidez e perpetuidade dessas empresas e bancos, mas o povo não pode pagar toda a conta quando utiliza os seus produtos e serviços.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Elevar o quantitativo e o perfil das exportações passa pelo aumento em investimentos

As transações comerciais entre os países são altamente significativas para o desenvolvimento, o progresso, a sustentabilidade do crescimento econômico e riqueza da população.  Países que possuem um alto coeficiente de exportação tem uma alta probabilidade de experimentar período longo de crescimento sem problemas importantes com desequilíbrios. A dinâmica das atividades relacionadas a produtos e serviços transacionados com países estrangeiros é muito mais forte do que a dos que são transacionados quase que somente na economia doméstica. Exemplos disso aqui no Brasil são dois tipos de produtos que ao longo dos últimos anos tem apresentado trajetórias distintas quanto a quantidade e valor exportado: os produtos primários e os produtos manufaturados.

No período de 2005 a 2011, a quantidade de produtos manufaturados exportados pelo Brasil teve uma queda de 14,4% enquanto que o quantitativo dos produtos básicos exportados aumentaram 41,1% nesse mesmo período. Isso fez com que a participação dos produtos primários no total das exportações brasileiras passasse de 29,3% para 47,8% e a dos produtos manufaturados caísse de 55,1% para 36,0%, percentual mais baixo em 30 anos. Boa parte desse ganho de participação nas exportações do Brasil obtida pelos produtos primários foi graças ao aumento de preços no mercado mundial. Os produtos industriais exportados pelo Brasil tiveram os preços aumentados em 65% enquanto que o aumento dos preços dos produtos primários no mercado mundial foi de 150% nesse período de sete anos.

A verdade é que o Brasil tem perdido participação no comércio mundial de produtos manufaturados e ganhado no comércio de produtos primários. Em 2005, o Brasil era responsável por 0,81% das exportações de produtos industriais, em 2010 essa participação era de apenas 0,69%. Enquanto isso, em 2005 o país era responsável por 1,95% das exportações mundiais de produtos primários, mas em 2010 essa participação passou para 2,76%. Não é difícil entender porque os maiores ganhos de produtividade do trabalho obtidos nos últimos anos se encontram no setor primário da nossa economia. A dinâmica imposta ao setor em razão dos ganhos substanciais obtidos por causa do aumento de preços de muitos produtos agrícolas e seus derivados fizeram do setor da agropecuária o que mais cresce na economia brasileira.

Os dirigentes do país necessitam ter em mente que economia brasileira precisa alterar significativamente a sua pauta de exportação. Em 2011, por exemplo, tivemos um superávit comercial de US$ 29,8 bilhões, entretanto, na balança de serviços e rendas tivemos um déficit de US$ 85,2 bilhões, gerando o déficit em transações correntes de US$ 52,6 bilhões que foi coberto pelos investimentos estrangeiros no país, por empréstimos de médio e longo prazos e por aplicações de estrangeiros no país. Isso, evidentemente, leva o país a ter responsabilidade no futuro tendo em vista que terá que devolver esses recursos no futuro, seja dos empréstimos, aplicações financeiras ou investimentos. No caso dos empréstimos e aplicações financeiras, o país, setores público e privado, tem que devolver o principal e os juros. No caso dos investimentos, o país irá pagar aos proprietários desses recursos os lucros e dividendos repatriados. Vale salientar que somente em 2011 os lucros e dividendos que o Brasil repassou para residentes em outros países foram de US$ 38,2 bilhões.

O Brasil que tem pretensões de ser uma nação rica, precisa urgentemente reverter essa situação de vendedor de produtos de pouco valor agregado e passar a vender produtos com alta qualidade e que tenham muito valor. Incentivos devem ser dados para que sejamos mais dinâmicos em nossas exportações e passemos a ser menos dependentes do capital estrangeiro. Entre as várias ações que deve ser realizadas para se obter resultados que deixem o país em situação muito melhor do que estamos vivendo, as principais são: diminuir a burocracia existentes relacionados a negócios, baixar vertiginosamente os juros cobrados no país, qualificar os trabalhadores, melhorar a infra estrutura, principalmente estradas, portos e aeroportos e aumentar significativamente as taxas de investimentos. Esse último ponto, pode ser considerado como o mais importante de todos os elencados acima. Para ser um ator importante no mercado mundial, o Brasil precisar vender muito mais mercadorias de origem não agrícola.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Políticas de emprego devem passar pela qualificação do trabalhador brasileiro

Disponibilizar e ajudar a obter um emprego ou trabalho para quem não tem opção de encontrá-los sem a ajuda de algum meio é muito importante visto que existem muitas pessoas desempregadas, subempregadas ou na completa informalidade sem conseguir melhorar dessa situação. Nesse sentido, as ações do poder público são fundamentais para que possa reparar as assimetrias existentes no mercado de trabalho em nosso país. Políticas públicas que levem à possibilidade real das pessoas conseguirem uma boa colocação no mercado de trabalho passam a ser mais que necessárias para atender um dos pré-requisitos de melhora do bem estar dos brasileiros, principalmente daqueles mais vulneráveis.

Existem dois tipos básicos de atuação do setor público no mercado do trabalho: as políticas ativas e as passivas. As políticas consideradas ativas são aquelas em que as pessoas são ajudadas direta ou indiretamente a conseguir uma colocação no mercado de trabalho, muitas vezes um emprego ou trabalho melhor do que o anterior.  Exemplos desse tipo de política são as intermediação de mão de obra, assessoria aos desempregados, treinamentos onde os trabalhadores são requalificados ou aprendem uma nova profissão, assessorias a empresas visando aumentar o número de empregados, políticas de investimentos visando a criação de emprego e renda. Pode-se também classificar como esse tipo de política os incentivos aos empreendimentos próprios, sejam individual ou coletivo.

Já as políticas ditas passivas, estão a assistência financeira ao trabalhador desempregado que é consubstanciado basicamente pelo seguro-desemprego e por outros tipos de transferências pecuniárias ou não aos trabalhadores em situação vulnerável que desempregado ou na iminência de perder o emprego. A verdade é que mesmo dada a grande importância que as políticas ativas possuem para a preparação dos trabalhadores e aumentar a produtividade destes, tem sido relegadas para um segundo plano. Nos últimos anos, os valores destinados à aplicação em programas de políticas passivas de emprego tem sido em torno de 36 vezes os valores destinados a políticas ativas. Ou seja, tem sido dada prioridade a cuidar do trabalhador em situação crítica, desempregado, mas tem se descuidado na tarefa de não deixar que ele chegue a esse estado.

Certamente o trabalhador ter uma assistência no momento em que esteja desempregado é uma necessidade que não pode ser contestada, mas ações que levem à geração de emprego e renda e aumente a produtividade dos trabalhadores em geral são mais que necessárias, são uma obrigação do poder público. Treinamentos sérios e de alta qualidade que levem o trabalhador a ter um aprendizado que seja suficiente a atender às necessidades do mercado de trabalho são fundamentais. Preparar um trabalhador de modo que tenha um bom nível de conhecimentos gerais, habilidades específicas e atitudes adequadas no trabalho é uma tarefa que não deve falhar. Muitas vezes as precárias escolas em que o trabalhador frequentou ficaram longe em atingir o objetivo de deixá-lo com essas qualidades e esse nível de preparação. Então, faz-se necessária a sua preparação por meio de cursos complementares.
  
Precisamos urgentemente aumentar a produtividade do trabalho em nosso país, a competitividade do Brasil no exterior depende disso. Ter trabalhadores bem preparados com boa formação, com políticas públicas que levem à geração de emprego e renda deve ser uma das prioridades do poder público em todos os níveis. Evidentemente que essas políticas devem vir acompanhadas com políticas e ações que levem ao crescimento econômico porque não adianta nada ter trabalhadores bem formados, mas sem empregos. A boa formação não gera emprego em si, mas é essencial para aumentar a produtividade e a renda do trabalhador e da sociedade.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

As taxas de desemprego divulgadas não correspondem à verdadeira taxa de desemprego do povo brasileiro

Ter um emprego, uma ocupação ou uma atividade que proporcione uma remuneração suficiente para custear as necessidades e os desejos é o que toda e qualquer pessoa deseja, notadamente se essa pessoa está desempregada ou subempregada. Ter a certeza e a garantia de que no final do mês irá receber um determinado valor correspondente ao trabalho realizado durante os trinta dias anteriores faz dessa pessoa mais feliz e a deixa com muito menos stress. Está desempregado é um transtorno e pode levar a momentos de frustrações, humilhações e privações no atendimento de necessidades básicas.

Recentemente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados referentes à situação de emprego e desemprego no que se refere às seis Regiões Metropolitanas onde são realizadas as pesquisas mensais de desemprego (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte). Segundo esses dados, a taxa de desemprego tem caído continuamente desde o ano de 2004 quando a taxa de desemprego aberto (que considera somente as pessoas que estão efetivamente procurando emprego) era de 11,7% até chegar aos 5,5% de janeiro de 2012. Vale salientar que para efeito de políticas do governo, esses dados de desemprego obtidos pelo IBGE embora cubram somente uma parte da população brasileira são validados como representando todo o país.

Como todos nós sabemos, o Brasil tem uma grande heterogeneidade quando se considera emprego. Existem as mais variadas profissões e atividades e os mais diferentes valores pagos como remuneração. Além disso, existe um percentual muito alto de pessoas, com relação ao total de pessoas ocupadas, que trabalham na informalidade. Embora exista essa grande variação de salários, o IBGE calculou o salário médio real (descontado da inflação) pago nessas seis Regiões Metropolitanas (RM) em vários anos. Em janeiro de 2012 o salário médio nas seis RM foi de R$ 1.672,20, sendo 27,2% superior ao valor pago em 2004 que era de R$ 1.314,96. As pessoas que trabalhavam no setor privado em janeiro de 2012 sem carteira assinada tinham uma remuneração média de R$ 1.117,00 e as que trabalhavam no setor privado, mas tinham a carteira assinada tinham uma remuneração média de R$ 1.545,50. Nesse mesmo mês, as pessoas que trabalhavam por conta própria obtiveram uma remuneração média de R$ 1.423,20.

A verdade é que de acordo com o IPEA, as pessoas ocupadas em 2002 nas seis RM mencionadas acima eram 17,6 milhões, ao final de 2011 esse número passou para 22,7 milhões, um aumento de 30%. Já as pessoas ocupadas que tinham a carteira assinada, nas seis RM em 2007 eram 9,94 milhões e em 2010 passaram para 11,60 milhões, um aumento de 16,7%. Nesse mesmo período, considerando todo o país (cuja informação foi obtida por meio dos dados da Relação Anual de informações Sociais – RAIS) as pessoas ocupadas com carteira assinada passaram de 37,61 milhões para 44,1 milhões, um aumento de 17,2%.

Pelo número de carteiras assinadas visto acima, tem-se uma noção bastante clara de que as taxas de desemprego divulgadas por órgãos como o IBGE e outros não correspondem ao verdadeiro número e nem ao percentual de desempregados no Brasil que estejam necessitando de uma ocupação. Em primeiro lugar porque não são pesquisados todos os municípios brasileiros e em segundo lugar porque não entram nas estatísticas de desempregados quem está desempregado, mas não está procurando sistematicamente emprego. Além destes, não entram também como desempregados aquelas pessoas que estão fazendo algum tipo de trabalho esporádico ou estejam subempregadas. A metodologia do IBGE tem que ser readequada para que possa ser possível a obtenção e a divulgação da verdadeira taxa de desemprego do povo brasileiro.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A competitividade do Brasil requer a cooperação de todos

A competição tem se tornado a tônica na maioria das circunstâncias pelas quais tem o ser humano como protagonista. Seja no trabalho, nos relacionamentos pessoais e sociais os vencedores, quem faz mais, quem tem mais, quem gera os melhores resultados são sempre os mais valorizados. O conceito de competitividade tem estado presente na ciência econômica desde os seus primórdios com os trabalhos de Adam Smith e David Ricardo. Para esses autores, notadamente para o primeiro, as pessoas e as empresas deveriam competir entre si que ao agir dessa forma fariam muito melhor e todos sairiam ganhando, mesmo que essa não fosse a intenção em cada ação tomada individualmente. A ideia básica por trás disso é que no ambiente competitivo as pessoas buscam sempre dar o máximo de si, procurando sempre fazer mais e melhor. Assim, a sociedade como um todo sairia ganhando porque todos produziam mais e ganhariam mais.

Entretanto, essa prática tem se revelado bastante cruel para muitos, gerando mais perdedores do que ganhadores. Nesse sistema, somente os mais fortes, os mais bem preparados conseguem ter êxito e saírem como vencedores. Considerando uma sociedade, um país, esse sistema não tem cabimento, sempre deve haver alguma regulação por parte do Estado e este sempre deve está presente para segurar na mão do mercado ou das pessoas quando estes estiverem fracos e prestes a cair. O socorro do Estado é fundamental, a autossuficiência do mercado é um mito pelo qual não deve existir nenhuma crença. As deficiências apresentadas pelo mercado não muito superiores do que a tão comentada eficiência do setor privado. As assimetrias são imensas e não se resolvem por si próprias. Na verdade, nem o Estado deve sobreviver sem o mercado e nem este deve sobreviver sem o Estado.

A tão discutida falta de eficiência do Brasil para competir com países estrangeiros no mercado mundial são causadas tanto pelo mercado quanto pelo Estado. Muitos fatores que influenciam a dificuldade de competir com vários países no comércio exterior têm as próprias empresas e o governo como responsáveis. Por exemplo, a perda acentuada do peso da indústria no PIB brasileiro e o altíssimo déficit que o Brasil incorre no comercio mundial de produtos industriais são causados principalmente pelos escassos investimentos que a indústria realiza na criação de tecnologia e inovações, pela baixa qualidade no ensino no país, pela taxa de câmbio muito valorizada, pela taxa de juros altas causada principalmente pelos altos juros que o setor público paga de sua dívida.

Para que o Brasil possa ser competitivo na área econômica é necessário que haja uma forte cooperação entre o Estado e o mercado vislumbrando o aumento da qualidade e da quantidade de nossos produtos e serviços. Temos que ter produtos de alta qualidade competindo em todos os mercados do mundo, não podemos ter cerca de 70% das nossas exportações constituídas de produtos primários. São tipos de exportação com muito pouco valor agregado. As empresas não devem ficar esperando pelo governo para agir, precisam, de fato, fazer a sua parte. Para que a competitividade no Brasil não produza mais perdedores do que ganhadores, é preciso que haja uma revolução que seja consubstanciada no aumento vertiginoso da qualidade do ensino, uma diminuição dos juros da dívida pública e outros gastos do governo que levem à diminuição da carga tributária, aumento significativo nos investimentos na criação de novas tecnologias e outros tipos de inovações, depreciação da taxa de câmbio, melhoras nos nossos sistemas de transportes ente outras ações.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Os rendimentos do trabalho estão menos concentrados entre as regiões do Brasil

Os rendimentos das pessoas definem, de certo modo, o padrão de vida que a sociedade consegue obter no cotidiano.  Apesar de, infelizmente, termos um perfil de país com renda extremamente concentrada, os rendimentos do salário é definidor de como se vive para a imensa maioria dos brasileiros. A renda do país é dividida entre os proprietários do capital (os empreendedores, os investidores), o governo e os trabalhadores. Disparado, o rendimento do trabalho é o mais importante tanto em termos percentuais do valor total da renda nacional quanto em termos de utilização, dado que a sua maior parte é utilizada para o consumo.

No primeiro ano após a estabilização de preços obtida com o Plano Real, 48% de toda renda no Brasil eram destinados aos assalariados, ou seja, quase a metade da renda do país era destinada aos trabalhadores. Nos anos seguintes, em razão, principalmente, da participação do governo na renda nacional por meio do aumento da carga tributária, houve uma diminuição razoável da participação dos assalariados nos rendimentos do país, passando a representar 42,4% em 2002, recuperando um pouquinho em 2009 quando tinha uma participação de 43,4%. Evidentemente que no período da inflação alta era muito pior para os trabalhadores, mas quinze anos após o início da estabilidade de preços, os trabalhadores brasileiros tinha uma queda na participação na renda nacional de 9,6%.

Nesses anos tem se observado uma diminuição acentuada na concentração de renda do trabalho entre as regiões brasileiras. A Região Sudeste em 1995 tinha 58,7% da renda do trabalho, em 2002 tinha 54,6% e em 2009 50,8%. A Região Sul em 1995 tinha 17,6% da renda do trabalho, em 2002 tinha 17,2% e em 2009, tinha 17,8%. A Região Nordeste em 1995 tinha 14,5% da renda do trabalho, em 2002 tinha 14,9% e em 2009, tinha 16,1%. A Região Centro-Oeste em 1995 tinha 7,3% da renda do trabalho, em 2002 tinha 8,7% e em 2009, tinha 9,3%. A Região Norte em 1995 tinha 3,9% da renda do trabalho, em 2002 tinha 4,6% e em 2009, tinha 6,0%. Como se observa, apesar de muito concentrada nas regiões Sul e Sudeste, em razão da existência das maiores empresas e da maior quantidade de firmas nessas duas regiões, está ocorrendo um aumento significativo dos rendimentos dos trabalhadores nas outras regiões do Brasil.

Considerando alguns Estados, observa-se claramente que houve uma diminuição sistemática na participação do rendimento do trabalho em uns e aumentos contínuo em outros. Por exemplo, os trabalhadores do Estado de São Paulo em 1995 ficavam com 34,6% do total do rendimento do trabalho do Brasil, em 2009 essa participação passou para 28,5%. Nesse mesmo período, o Estado do Rio de Janeiro passou de 10,9% para 10,4%, Minas Gerais de 9,5% para 10,1%. Em praticamente todos os Estados do Nordeste houve aumento na participação dos trabalhadores no rendimento da renda nacional do trabalho.

É bastante confortante obsevarmos que regiões mais pobres estão conseguindo aumentar significativamente os rendimentos dos seus trabalhadores, tanto em quantidade de trabalhadores quanto em valor unitário dos salários. Observa-se isso de forma mais clara pelos números dos fluxos migratórios existentes atualmente no país. Aquela quantidade enorme de pessoas que saiam do Nordeste em busca de oportunidades em alguns estados do Sudeste não se verifica mais. Agora, muitas oportunidades estão lá no próprio estado de origem além disso, as principais cidades do Sudeste estão saturadas e apresentam uma série de dificuldades para aqueles que buscam oportunidades, mas que não possuem um bom preparo técnico. Felizmente, essas pessoas não precisam mais deixar seus familiares e amigos para sofrerem humilhações em terras distantes.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O grau de desenvolvimento do Brasil ainda é incompatível com o de um país rico

Para traçar o perfil de um país desenvolvido é necessário que certos requisitos estejam presentes na sociedade e nas pessoas em geral.  Ter um nível de renda razoável, ter um parque fabril respeitado, ter um alto grau de produtividade média do trabalho, ter liberdade de ir e vir e ter serviços de saúde e educação de alta qualidade são as condições mais importantes para caracterizar uma sociedade considerada rica.  Nesse sentido, pode-se dizer que o Brasil é um país rico, desenvolvido? É importante a participação do governo para elevar o grau de desenvolvimento do Brasil? O Brasil está vivendo um processo de desindustrialização?

O Brasil tem tido nos últimos anos características muito parecidas com as que são próprias de países desenvolvidos: diminuição da participação do setor agrícola no PIB, aumento significativo do setor serviços na economia fazendo, inclusive, que também ocorra uma diminuição na participação da indústria no produto. Ao observarmos as estatísticas, verifica-se que esse processo está ocorrendo no Brasil, mas desprovido de um fator importantíssimo: o aumento vertiginoso da produtividade do trabalho. Observa-se um aumento muito tímido da produtividade nos últimos anos, exceto alguns ramos não muito significativos calcados em tecnologia de ponta. Nos últimos onze anos a produtividade do trabalho na indústria deve uma queda de 0,6% ao ano, em média. No setor de serviços, que corresponde a quase 70% de nossa economia, a produtividade do trabalho nesse período tem crescido somente 0,5% ao ano, em média.

Um processo de desindustrialização saudável poderia ocorrer com os serviços crescendo muito mais do que a indústria e a agricultura em razão das altas rendas obtidas pela população que busca serviços dos mais diversos tipos para saciar desejos originados da disponibilidade de recursos que antes estavam ausentes da vida da grande maioria da população. Nessa situação, a indústria e a agricultura crescem, embora a taxas altas, mas inferiores às dos serviços. Obviamente, não estamos presenciando no Brasil atualmente um processo exatamente igual ao descrito acima. Apesar de parecido, com grande contingente de pessoas que entraram na sociedade de consumo, de nossa economia ter despontada como as maiores do mundo e ter estrutura parecida com a de muitos países desenvolvidos, ainda falta muito.

Poderíamos estar em um patamar muito mais elevado se tivéssemos tido um bom senso e adotadas algumas medidas de ordem econômica. A política cambial tem sido um dos principais entraves para a economia brasileira. Se por um lado ajuda a combater a inflação, por outro, eleva significativamente a competitividade da nossa indústria e serviços no exterior. As taxas de juros elevadas fazem dos investimentos, algo imprescindível para o crescimento e o desenvolvimento, quase proibitivo dada a competição desleal das taxas de juros absurdas praticadas no Brasil. A diminuição dos investimentos externos diretos verificados nos últimos anos, principalmente na indústria, também tem contribuído para diminuir o nosso ímpeto para o desenvolvimento. O nível da poupança no Brasil está muito baixa, é preciso aumentá-la para que possamos investir muito mais (em uma situação com juros mais baixos). A sensatez dos nossos governantes deveria estar a serviço do povo no sentido amplo com aplicação de políticas voltadas para o desenvolvimento de verdade.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A produtividade do trabalho do brasileiro e as diferenças entre os setores da economia

O progresso, o aperfeiçoamento, o aprendizado, o conhecimento e a novas tecnologias elevam a quantidade que cada pessoa pode produzir por tempo de trabalho em sua atividade. A chamada produtividade do trabalho é um dos fatores determinantes para a riqueza e a renda das pessoas, das empresas e do país, quanto mais de produz, em termos de valor, exercendo a mesma atividade com o mesmo tempo de trabalho, mais se tem em rendimento.  Claro que se espera que a produtividade sempre esteja aumentando, nunca retrocedendo. Sempre se espera produzir mais com o mesmo tempo de trabalho despendido. Como está a produtividade do trabalho na economia brasileira? Está crescendo, diminuindo ou estável? Quais são os ramos de atividades em que a produtividade mais aumenta? Quais são as áreas em que se tem as maiores produtividades?

Para ficar mais claro da importância da produtividade em cada um dos setores da nossa economia, faz-se necessário apresentar a distribuição dos empregos e da produção em cada um dos grandes setores da economia brasileira. Considerando o ano de 2009, os serviços eram responsáveis por 67,5% do valor adicionado na economia (o PIB) e por 62,1% da mão de obra empregada em todo o país, a indústria era responsável por 26,8% do produto e por 20,5% da mão de obra e a agropecuária era responsável por 5,6% do produto e por 17,4% da mão de obra empregada no Brasil.

De acordo com um trabalho recentemente divulgado pelo IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), a produtividade do trabalho no Brasil tem crescido, mas não na magnitude esperada, considerando a economia como um todo e o período de 2000 a 2009. A produtividade do trabalho é nada mais do que o valor da produção realizada em um período (um ano, por exemplo) dividido pela quantidade de trabalho empregada nesse produto. Nesse período, a produtividade do trabalho cresceu em média, por ano 0,9%, considerada uma média baixa, ainda mais considerando que um dos três grandes setores apresentou diminuição em sua produtividade nesse período. Nesse período de dez anos quem teve o maior aumento na produtividade do trabalho foi a agropecuária que passou de uma produtividade de 3,3 em 2000 para 4,7% em 2009, representando uma variação positiva por ano, em média, de 4,3%.  Os serviços passaram de uma produtividade de 14,8 para 15,5, um aumento de 0,5% por ano, e a indústria passou de 18,4 para 17,4, uma diminuição em sua produtividade de 0,6% por ano.

Na verdade, existem subsetores com produtividade muito superior às mostradas acima para cada um dos grandes setores, mas não são muito significativos, em termos percentuais, para a economia como um todo. Um exemplo é a indústria extrativa que possui uma produtividade de 81,1, mas representa apenas 1,8% do PIB e 0,3% da mão de obra no país. Por outro lado, existe o setor mais dinâmico em termos de aumento de produtividade que é o setor agropecuário, mas tem uma produtividade ainda bastante baixa. É preciso que se aumente a tecnologia empregada nas atividades, são as atividades onde se tem os maiores progressos na tecnologia em que se encontram os maiores aumentos na produtividade do trabalho. Deve-se, portanto, criar melhores tecnologias e preparar os trabalhadores para utilizar da melhor maneira possível essas novas tecnologias, aumentando o produto, a renda e o bem estar do povo brasileiro.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O sacrifício do povo brasileiro para pagar os juros da dívida pública do Brasil

Os compromissos financeiros de uma pessoa, de uma empresa ou de um ente público ou do setor público como um todo sempre levam cada um desses compromissados a sacrificarem o próprio consumo ou investimento para poderem honrar a dívida. Os recursos devidos foram úteis em algum momento em que supriu alguma necessidade do devedor, entretanto, em momento posterior o emprestador quer receber o valor emprestado acompanhado de um valor adicional que corresponde aos juros pagos pelo empréstimo, o custo dos recursos emprestados. Existem poucas pessoas adultas, empresas, instituições e governo que não possuem dívidas, a regra é que devam algum recurso a terceiros.

No caso do setor público brasileiro, a sua dívida é alta e tem um custo bastante significativo e o sacrifício que o brasileiro faz para honrar a dívida pública do Brasil é muito grande. Somente em 2011 o setor público brasileiro pagou em juros de sua dívida R$ 236,7 bilhões, correspondendo a 5,72% do PIB que é estimado em R$ 4,13 trilhões. Desse valor, R$ 180,5 bilhões foram pagos pelo governo federal, R$ 43,66 bilhões pelos governos estaduais, R$ 9,27 bilhões pelos governos municipais e R$ 3,19 pelas empresas estatais, excetos as dos grupos Petrobrás e Eletrobrás. Esses valores astronômicos de juros que os brasileiros pagaram em 2011 somente por intermédio do setor público são correspondentes a uma dívida bruta de todos os entes públicos que no final de 2011 atingiu o valor de R$ 2,24 bilhões, equivalente a 54,3% do PIB.

O sacrifício do povo brasileiro para pagar os juros da dívida pública está consubstanciado o superávit primário do setor público em 2011. O valor que o governo, em seus três níveis, conseguiu deixar de gastar para pagar juros foi de R$ 128,7 bilhões, correspondendo a 3,11% do PIB. Como visto acima, esse valor não foi suficiente para pagar todos os juros devidos no ano passado. O governo teve que recorrer a outros meios para honrar os seus compromissos financeiros tais como emissão de moeda, venda de títulos, etc.. O sacrifício teve participação de todos os entes. O governo federal entrou com 2,24% do PIB no superávit do setor público, os governos estaduais com 0,72%, os governos municipais com 0,08% e as empresas estatais, excetos as dos grupos Petrobrás e Eletrobrás, com 0,07% do PIB.

Os recursos despendidos com o pagamento de juros são em montante significativo que afeta em grande magnitude o atendimento das necessidades da população, notadamente aquelas pessoas mais carentes e que requerem com mais frequência a presença do Estado em sua vidas. A honestidade é a maior riqueza de uma pessoa e assim também é para o Estado, ele tem que pagar todos os valores que deve incluindo o custo desses valores que foram anteriormente pactuados. Mas uma coisa bem diferente é fazer com que precise muito menos de recorrer a recursos emprestados, sejam dos cidadãos brasileiros ou do exterior, para atender as suas necessidades. Faz-se necessário que sejam criados mecanismos que diminuam significativamente a dívida pública do Brasil, diminuam as taxas de juros cobradas por ela e aumente razoavelmente os prazos de vencimento de cada contrato de divida negociado.  O povo brasileiro não pode ser mais sacrificado como está sendo até agora para pagar esse valor tão alto de juros da dívida pública.