quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Os gastos nas eleições deveriam ser mais limpos

Em época de eleição, o povo realça os acertos ou os desvios dos políticos para que possa votar naqueles que merecem receber o apoio e o voto. A propaganda com elogios, enfatizando o que o candidato irá fazer caso se eleja é a tônica nesse período. Os que possuem muito dinheiro, seja deles próprios, do partido ou de empresas ou pessoas físicas, conseguem ser mais visto, mais ouvido e mais difundidos as suas propostas. Ou seja, quem consegue ter mais recursos na campanha, consegue ter muito mais possibilidade de ser eleito mesmo que suas propostas, seus ideais e comportamento ético sejam piores do que outros candidatos ao mesmo cargo, mas que não possua recursos na mesma magnitude.
 
Campanhas custam caras e são para poucos. Em uma cidade de 700.000 habitantes, estima-se para se conseguir ser eleito vereador é necessário que se gaste entre R$ 400 mil e R$ 500 mil. É muito dinheiro que deve sair de algum lugar e que em algum momento será cobrado de uma forma ou de outra. Quem financia uma campanha eleitoral, seja a própria campanha ou a de outra pessoa, o faz não porque é bonzinho e só quer ajudar, mas quase sempre espera obter alguma vantagem depois que o beneficiário é eleito. Caso o candidato seja muito conhecido e tenha muitos eleitores de campanhas passadas ou que exerça algum cargo que o coloque em grande evidência na cidade, os custos da campanha devem ser menores, mas não muito menores dos valores mencionados acima.
 
Os recursos que os partidos e os candidatos utilizam nas campanhas eleitorais tem que ter um caminho limpo, devem ser declarados e sem nenhuma conotação de relação de imoralidade e que fira os princípios éticos. Entretanto, para que isso seja factível é necessário que muitos pré-requisitos estejam postos, o que não o caso na imensa maioria dos casos no Brasil. Isso culmina em atos escusos que sempre levam a resultados que a sociedade brasileira está cansada de saber e de odiar: a corrupção.
 
Casos que levaram ao Mensalão ocorrem com freqüência muito maior do que se imagina por toda parte do país. São milhares de pequenos, médios e grandes casos que ao serem somados resultam em um valor monstruoso que destrói a áurea e beleza da nossa democracia. Os encantos dos princípios democráticos não devem ser perdidos por conta de marginais ou de pessoas que são tidas como corretas, mas que para ganharem eleições se submetem à práticas que ignoram a ética e a moralidade.  As escolhas dos candidatos devem ser pautadas na possibilidade de realização do atendimento das demandas da coletividade, sem basear-se em quanto o candidato apareceu, do quanto é bem produzido e de quanto gastou nas eleições. O povo deve votar em propostas que sejam factíveis e que o proponente esteja calcado em princípios éticos.
 

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