Em
época de eleição, o povo realça os acertos ou os desvios dos políticos para que
possa votar naqueles que merecem receber o apoio e o voto. A propaganda com
elogios, enfatizando o que o candidato irá fazer caso se eleja é a tônica nesse
período. Os que possuem muito dinheiro, seja deles próprios, do partido ou de
empresas ou pessoas físicas, conseguem ser mais visto, mais ouvido e mais
difundidos as suas propostas. Ou seja, quem consegue ter mais recursos na
campanha, consegue ter muito mais possibilidade de ser eleito mesmo que suas
propostas, seus ideais e comportamento ético sejam piores do que outros
candidatos ao mesmo cargo, mas que não possua recursos na mesma magnitude.
Campanhas
custam caras e são para poucos. Em uma cidade de 700.000 habitantes, estima-se
para se conseguir ser eleito vereador é necessário que se gaste entre R$ 400
mil e R$ 500 mil. É muito dinheiro que deve sair de algum lugar e que em algum
momento será cobrado de uma forma ou de outra. Quem financia uma campanha
eleitoral, seja a própria campanha ou a de outra pessoa, o faz não porque é
bonzinho e só quer ajudar, mas quase sempre espera obter alguma vantagem depois
que o beneficiário é eleito. Caso o candidato seja muito conhecido e tenha
muitos eleitores de campanhas passadas ou que exerça algum cargo que o coloque
em grande evidência na cidade, os custos da campanha devem ser menores, mas não
muito menores dos valores mencionados acima.
Os
recursos que os partidos e os candidatos utilizam nas campanhas eleitorais tem
que ter um caminho limpo, devem ser declarados e sem nenhuma conotação de
relação de imoralidade e que fira os princípios éticos. Entretanto, para que
isso seja factível é necessário que muitos pré-requisitos estejam postos, o que
não o caso na imensa maioria dos casos no Brasil. Isso culmina em atos escusos
que sempre levam a resultados que a sociedade brasileira está cansada de saber
e de odiar: a corrupção.
Casos
que levaram ao Mensalão ocorrem com freqüência muito maior do que se imagina
por toda parte do país. São milhares de pequenos, médios e grandes casos que ao
serem somados resultam em um valor monstruoso que destrói a áurea e beleza da
nossa democracia. Os encantos dos princípios democráticos não devem ser
perdidos por conta de marginais ou de pessoas que são tidas como corretas, mas
que para ganharem eleições se submetem à práticas que ignoram a ética e a
moralidade. As escolhas dos candidatos
devem ser pautadas na possibilidade de realização do atendimento das demandas
da coletividade, sem basear-se em quanto o candidato apareceu, do quanto é bem
produzido e de quanto gastou nas eleições. O povo deve votar em propostas que
sejam factíveis e que o proponente esteja calcado em princípios éticos.










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