Historicamente o Brasil
sempre foi estruturalmente uma economia deficitária em termos de rendas com os
outros países. O rombo dessas contas é cobertas em parte pelos superávits do
comércio de mercadorias e serviços e pelos capitais que veem para serem
aplicados ou nas empresas (investimentos diretos) ou em aplicações no mercado
financeiro (geralmente constituem-se em capital especulativo). Em ambos desses
tipos de capital continuem em empréstimos que a qualquer momento esses
investidores, se assim o desejar, poderá tirá-los do Brasil juntamente com os
seus rendimentos e aplicá-los em outro país ou países. Em razão disso, um país
como o Brasil que tem muito mais desses tipos de capitais oriundos de investidores
estrangeiros aplicados internamente do que dos investidores brasileiros
aplicados no exterior.
Em momentos de crises no
mercado mundial, um país com um perfil desse tipo pode apresentar
vulnerabilidade e ficar sujeito a passar por momentos que não existam meios para
financiar o seu déficit externo, aprofundando tremendamente a queda na economia
e podendo até mesmo ter que dar um calote em sua dívida. Essa vulnerabilidade vem acompanhando o Brasil
desde há muito tempo culminando com as crises dos anos 1980 e 1990. Na segunda metade
da década de 1990 com a implantação do Plano Real, plano que inicialmente estava
ancorado na taxa de câmbio, teve um fluxo bastante forte de moeda estrangeira
atraída pelas taxas de juros que beirava à estratosfera e pela venda da maioria
das empresas estatais, muitas das quais a preços baixos e contava ainda com
financiamento de bancos estatais brasileiros. Mas, em 1999 o Brasil foi forçado
a mudar a sua política monetária por conta da falta de reservas em moedas estrangeiras.
A partir daquele ano o
governo foi obrigado a flutuar a taxa de câmbio e trabalhar com regime de metas
de inflação e com superávit primário pré- definido. Esses três pilares
continuam até agora, embora tenha sofrido alterações quanto à magnitude de cada
um deles. Se em alguns momentos eles podem travar um pouco a economia em termos
de crescimento, por outro lado, ajuda a conter a inflação e também a sanear as
finanças públicas com reflexos diretos na melhora da vulnerabilidade externa do
país. Atualmente, as condições externas do país estão bem caminhadas,
entretanto, essa vulnerabilidade continua, embora em menor magnitude do que no
passado, em razão dessa dependência de capital estrangeiro.
A aferição dessa dependência
pode ser vista considerando os tipos de investimentos realizados em alguns anos
pelos estrangeiros no Brasil e de brasileiros no exterior. Por exemplo,
considerando o ano de 2009, o Brasil tinha investido no exterior US$ 157,667
bilhões em empresas (investimentos diretos), US$ 18,871 bilhões em carteira,
US$ 81,52 bilhões em outros investimentos e US$ 238,52 bilhões em reservas de
moedas estrangeiras. Nesse mesmo ano, os investidores tinham US$ 401,24 bilhões
em empresas, US$ 566,697 bilhões em carteira e US$ 116,579 bilhões em outros
tipos de investimentos. Naquele ano, os estrangeiros tinham US$ 588,893 bilhões
investidos a mais no Brasil com relação ao que os brasileiros tinham investindo
no exterior. Os estrangeiros tinham US$ 1,084 trilhão, e os brasileiros, US$
495,6 bilhões. O diferencial de rendimento é muito grande a favor dos capitais
investidos aqui no país. Enquanto os investimentos dos estrangeiros aplicados no
Brasil rendem, em média, 4,5%, as aplicações dos brasileiros no exterior rendem,
em média, 1,0%.
Na dinâmica e nas relações
dos países há a necessidade de possuir recursos que outros países possam
aceitar. Isso poderia ser em parte resolvido se o país tiver uma moeda muito
forte, coisa que raramente ocorre com um país que não seja muito forte em
termos econômicos. Outro problema mais sério ainda é a falta de poupança
suficiente para atender as demandas de investimentos necessários para que o
país possa crescer de forma satisfatória. Historicamente o país sempre recorreu
aos capitais estrangeiros para implantação de muitos projetos de investimentos,
em razão, principalmente da falta de poupança para a realização de investimentos
de maior vulto. Portanto, somente quando o país tiver um nível de poupança bem
superior ao que tem atualmente é que poderá não necessitar dos recursos vindos
dos mercados internacionais no nível que está atualmente.









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