Muitas pessoas apressadas costumam fazer comparações com indicadores econômicos referentes aos dois governos de FHC com os dois de LULA, na maioria das vezes mostrando que os resultados alcançados pelo governo petista foram muito melhores que os alcançados pelo governo tucano. Números relacionados a taxas de juros, relação dívida/PIB, taxa de desemprego, crescimento da economia, entre muitos outros são muitas vezes tratados como fracassos dos dois primeiros governo pós estabilização de preços. A verdade é que em ambos os governos, de LULA e de FHC, houve muito que se comemorar em razão de muitos desafios vencidos, embora ainda existam muitos a serem vencidos.
O principal mérito do primeiro governo tucano foi sustentar o Plano de Estabilização no meio de vários choques na economia internacional, começando a primeira grande crise, a mexicana, logo após a implantação do Plano Real. Logo vieram muitas outras crises produzindo uma forte escassez de recursos no mercado internacional para economias em desenvolvimento como a brasileira. Em razão disso, da cultura inflacionária no Brasil, tendo em vista os vários e vários anos de processo inflacionário vivido pelos brasileiros, entre outros fatores, o governo brasileiro se viu forçado a elevar fortemente as taxas de juros da economia. Isso levou ao crescimento médio do PIB no período ser extremamente baixo, elevando, em consequência, a uma alta taxa de desemprego que abrangia praticamente todas as camadas da sociedade brasileira.
No segundo governo de FHC também ocorreram crises substanciais que afetaram diretamente o andamento da nossa economia culminando com fortes perdas em termos de crescimento e de geração de emprego. Podem ser citados os três principais problemas enfrentados pelo último governo tucano: a crise brasileira em 1999, o ataque aos Estados Unidos em 2001 e as eleições em 2002. Cada um desses três tiveram relevância no travamento do crescimento da economia. A crise brasileira foi determinada, principalmente, pelo forte déficit em transações corrente da ordem de 4% do PIB forçando o Brasil a trocar o regime cambial e em seguida a política monetária com a implantação do regime de metas de inflação. O ataque sofrido pelos Estados Unidos fez “esfriar” a economia internacional afetando negativamente o Brasil tanto o comércio internacional quanto as transações financeiras internacionais. As eleições de 2002 com a eminência do Partido dos Trabalhadores ganharem as eleições pela primeira vez fez com que muitos agentes ficassem receosos, tendo como uma das consequências disso o aumento dos preços levando o governo a aumentar fortemente as taxas de juros.
Os custos para a sociedade brasileira foram extremamente alto, tanto em termos de emprego quanto em termos de impostos que foram direcionados para pagar os juros da dívida pública em razão das altas taxas de juros praticadas naquela época para sustentar o plano econômico. As taxas de juros que o governo pagava na época giravam em torno de 14 % acima da inflação medida pelo IPCA. Em razão disso, muitos analistas diziam que a dívida pública iria explodir no governo petista porque não seria possível gerar superávit primário suficiente para estabilizar a relação dívida/PIB.
Em razão de diversos fatores, isso não ocorreu, ao contrário, os brasileiros viram essa relação diminuir e o país com nível de reservas em moedas estrangeiras jamais visto. A redução da relação dívida/PIB foi ajudada pela mudança da metodologia de medição do PIB que o elevou em 10% no inicio do governo LULA. Só por esse ajuste contábil do PIB a relação dívida PIB passou de 50% para 45% logo no começo do governo LULA. O êxito do governo LULA pode-se medir em algumas ações que foram muito importantes para a economia e para o povo brasileiro. A continuidade da política econômica do governo anterior e o fortalecimento do comércio exterior foram fundamentais para o país obter os ganhos advindos do crescimento da economia mundial. O fortalecimento do mercado interno com políticas de inclusão de distribuição de renda levaram poder de consumo para muitos brasileiros que sempre viveram à margem da sociedade em termos de não poder comprar o que precisava.
A razão do LULA sair do governo com nível de popularidade
extremamente alta e o FHC muito mais baixa, deve-se a isso: LULA pode
elevar o poder de compra dos brasileiros, FHC apesar de ter tido o êxito
de sustentar a economia e a estabilidade de preços não conseguiu
aumentar emprego e nem renda para os mais pobres. Não se deve culpar um
ou outro governo, eram períodos e circunstâncias muito diferentes. Mesmo
que FHC quisesse implantar políticas sociais na mesma magnitude da
implantada por LULA não haveria recursos suficientes, boa parte dos
recursos públicos estava sendo direcionada para pagar os juros da
dívida. O governo Lula continuou pagando um valor muito alto em juros,
mas as receitas do governo eram muito maiores proporcionadas
principalmente pelo crescimento da economia.









5 comentários:
Francisco ,
Sem dúvida concordo inteiramente com tudo . Tenho dito isto aqui para os Lulistas que só veem exito no governo petista , esquecendo de reconhecer que foi um governo de continuidade e que não fose o governo FHC implantar as bases , nunca este governo atual teria conseguido os exitos que conseguiu .
abs
Francisco
Caro amigo Francisco. Fez uma excelente análise da conjuntura política do Brasil nos dois últimos governos. Embora eu concorde com você devo ressaltar que o país poderia estar numa posição muito melhor caso as privatizações feitas pel governo FHC não tivesssem sido um fracasso para a economia brasileira. A meu ver, o dinheiro das estatais foi para o ralo sem contar que a cobrança da CPMF serviu para financiar campanhas e distribuir dinheiro com os políticos tucanos. Leia A Privataria Tucana do conceituado jornalista Amaury Ribeiro Junior
Bem, o Lula não existiria politicamente falando se não fosse o FHC ...
esse livro q vc Jota citou sao uma serie ilaçoes sem fudamento,leiam esses artigos,seguem os links abaixo.
http://blogs.estadao.com.br/ethevaldo-siqueira/2010/05/08/dez-provas-do-fracasso-da-privatizacao/
http://blogs.estadao.com.br/ethevaldo-siqueira/2011/01/27/preco-de-banana-ministro/
http://blogs.estadao.com.br/ethevaldo-siqueira/2010/10/21/mentiras-de-ze-dirceu-sobre-privatizacao/
http://www.implicante.org/blog/dossie-do-dossie-as-pessoas-por-tras-do-livro-do-amaury/
So complementando tem 2 expressoes no comentario do amigo ai q e pra fazer rir,confesso q ri mto, chamar o escritor do livro de conceituado, e dizer as privatizaçoes foi um fracasso pra economia,os numeros dizem ao contrario, alienaçao e lavagem cerebral tem limites.
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