domingo, 20 de maio de 2012

Arrecadação, gastos, investimentos e juros pagos pelo governo


O nível da saúde financeira do Estado brasileiro pode ser medido pela qualidade de seus gastos, com que está gastando, do nível da dívida pública e também dos investimentos realizados pelo governo. Há muito tempo que, com a publicação da Lei de Responsabilidade Fiscal o perfil dos gastos públicos nas três esferas de governo tem mudado radicalmente, muito embora ainda persistam muito desperdícios, ineficiência, prática de corrupção e gastos exagerados em algumas áreas e falta acentuada de recursos em algumas áreas essenciais como é o caso da saúde, as finanças públicas no Brasil característica bem diferente do passado.

Uma das formas que o governo utiliza para melhorar os gastos públicos é com a aplicação do chamado superávit primário (receitas menos gastos que não envolvam nem receita e nem gastos financeiros). Atualmente, o superávit primário para o ano de 2012 é esperado em R$ 139,8 bilhões, equivalente a 3,1% do PIB estimado para este ano. A maior parte dessa “poupança” de gastos recai sobre o governo federal, com 2,15% do PIB enquanto que a soma do superávit primário dos estados e municípios deve ser equivalente a 0,9% do PIB. Vale lembrar que o setor público envolve todas as áreas do setor público incluindo as empresas estatais exceto as empresas do grupo Petrobrás, Eletrobrás e os bancos públicos.

Se por um lado o governo está fazendo uso dos recursos de uma forma um pouco mais racional, por outro lado, o nível da arrecadação dos recursos públicos está muito alto, sendo, inclusive, objeto de reclamação de vários setores da economia. Em 2011, foi arrecadado em tributos o valor de R$ 1,447 trilhão, equivalente a 34,9% do PIB. De todo esse valor, o governo federal foi o responsável por 68,28%, os estados por 25,81% e os municípios por 5,9%. Observa-se que de cada dez reais pagos em tributos no Brasil, o governo federal é responsável por quase sete reais. Embora muitos dos recursos arrecadados na esfera federal vão para os governos estaduais e municipais por meio de convênios e fundos de participação, a concentração nas mãos do governo federal de grande parte dos recursos arrecadados por tributos pode não se configurar como uma boa medida de alocação de recursos entre os entes públicos no país.

A dívida pública bruta do setor público no Brasil, excluindo o grupo Petrobras e do grupo Eletrobrás é equivalente a 56,3% do PIB, sendo que a interna é de 53,8% do PIB e a externa de 2,5% do PIB. Ao extrair os ativos financeiros do governo (dívida a receber, reservas do banco central, empréstimos do tesouro nacional, etc.) da dívida bruta tem-se a dívida líquida do setor público. Atualmente, a dívida líquida do setor público está em 36,6% do PIB. Independente do percentual da dívida em relação ao PIB, o que mais afeta as finanças públicas do país contribuindo, inclusive, para a falta de recursos para investimentos públicos é a enorme soma de recursos despendidos todos os anos para o pagamento de juros dessa dívida. Nos últimos doze meses terminados em março de 2012, o setor público brasileiro gastou o equivalente a 5,81% do PIB em juros nominais.

Para se ter uma noção mais clara disso, basta comparar todos o investimentos do setor público brasileiro em construção e reforma de portos, aeroportos, estradas, escolas, hospitais, compra de móveis, equipamentos, etc. por ano não chega a 2,5% do PIB. Para o país ter o desenvolvimento adequado é necessário que haja um forte investimento, tanto por parte do setor privado como por parte do setor público. Observa-se claramente que os altos valores que o governo paga de juros inibem a realização de investimentos por parte do setor público que tanto a sociedade brasileira necessita.

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