A grande maioria dos trabalhadores brasileiros passa mais tempo no trabalho e no trajeto residência-trabalho-residência do que com o convívio com os familiares. Assim, as aflições, os bons e os maus momentos no ambiente de trabalho, a liberdade ao exercer as atividades laborais, o nível de importância que o trabalhador sente que tem para a empresa, enfim, a percepção que o trabalhador sente em relação ao seu trabalho é muito importante para definir o nível de alegria, felicidade, produtividade e até mesmo a saúde dessas pessoas. A economia é movida pelo trabalho e o trabalho depende fundamentalmente das pessoas que exercem atividades de modo individual ou em organizações que congregam mais de um individuo, desde aquelas que possuem dois colaboradores até aquelas que possuem dezenas de milhares de empregados. Todos são importantes para o país, para a economia e para a sociedade.
Para saber a percepção dos trabalhadores brasileiros sobre o seu ambiente de trabalho, o IPEA realizou uma pesquisa na qual foram entrevistadas 3.709 pessoas em todo o país, sendo 52,4% homens e 47,6% mulheres, que exerciam alguma atividade remunerada ou estavam à procura de alguma função no mercado de trabalho. Essa pesquisa tem uma margem de erro de 2,5%, ou seja, os resultados verdadeiros podem variar 2,5% para baixo ou para cima dos resultados apresentados na pesquisa. Alguns dos resultados extraídos dessa pesquisa estão descritos nos parágrafos que seguem.
É interessante obervar que 41% das pessoas entrevistadas disseram que escolheram a atividade atual por interesses profissionais, 26,6% disseram que dependem dela para sobreviver porque dificilmente encontrariam outro emprego no mesmo nível, 18,4% disseram exercem uma atividade transitória até que consiga algo melhor, 5,9% disseram trabalham em uma área que é tradição da família, 4,7% disseram que a atividade que atualmente realizam o fazem principalmente por engajamento político e 3,1% disseram que a atividade atual é apenas para passar o tempo livre.
Quanto à exigência de exercer atividade em grupo, em equipe, 56,6% das pessoas que trabalham no setor formal da economia responderam que existe exigência muito grande, 24,2% que existe baixa exigência e 17,2% que existe média exigência. Quando envolvem todas as áreas tem-se a seguinte configuração: 46,8% de alta exigência, 32,7% de baixa exigência e 18,5% de exigência média. No que se refere à exigência de se realizar atividades em grande velocidade, a pesquisa apresentou os seguintes resultados: 49,8% dos que trabalham o setor formal disseram que há grande exigência, 27,1% que existe baixa exigência e 20,9% disseram que a exigência é baixa para que trabalhem a um ritmo acelerado. Na economia como um todo, esses percentuais são de 47,2%, 28,7% e 21,8%, respectivamente.
Quanto à necessidade de se comunicar bem, 62,6% das pessoas que trabalham no setor formal afirmaram que existia uma exigência muito alta em suas atividades e a média em que estão incluídos todos os setores foi 58,8% dos que afirmaram que havia grande exigência para se comunicar bem. Nessa pesquisa, 58,8% dos trabalhadores do setor formal afirmaram que faziam atividades que antes eram exercidas por mais de uma pessoa, ou seja, estavam trabalhando por mais de uma pessoa. Outro ponto interessante é quanto à ocorrência de problema de saúde causada pelo excesso de trabalho. Na média de todos os setores, 17,3% afirmaram que já tiveram problema de saúde por causa do excesso de trabalho.
O panorama geral do trabalhador brasileiro é que ele é muito exigido e tem que cumprir tarefas que antes eram realizadas por outras pessoas. A competitividade no mercado de trabalho exige pessoas cada vez mais comprometidas com a organização, que, de fato, vistam a camisa da empresa e apresentem os resultados esperados a cada período. Ao mesmo tempo, a imensa maioria das empresas proporciona liberdade para seus empregados tomarem um cafezinho, irem ao banheiro ou conversar um pouco com o colega ao lado. Coisas que há algumas décadas eram restringidas até mesmo com certa intensidade. Com o surgimento de novas tecnologias, aumento da capacidade intelectual do trabalhador e, consequente, aumento da produtividade levam as pessoas a terem mais liberdade em seus locais de trabalho, mas aumenta a exigência por resultados.









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