segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A dignidade de morar adequadamente deveria ser para todos


A moradia constitui-se como a principal condição para que uma pessoa possa desfrutar de bem estar, de tranqüilidade, paz e privacidade. Apesar de nos últimos anos o Brasil ter experimentado uma expansão muito grande de novas moradias dos mais diferentes padrões nas mais diversas regiões, ainda existem muitas pessoas morando em condições sub-humanas, onde faltam muitos dos itens que lhes possam proporcionar nível conforto considerado razoável.  Os mais de trezentos bilhões de reais investidos em financiamentos de moradias nos últimos cinco anos não alcançaram milhões de pessoas que continuam morando em condições extremamente precárias.

De acordo com comunicado do IBGE em 21 de dezembro de 2011, utilizando dados do Censo 2010, existem no Brasil 11,4 milhões de pessoas vivendo em moradias inadequadas para que o ser humano possa morar com dignidade e  bem estar. São 3,22 milhões de moradias caracterizadas como favelas, palafitas, grotas, invasões, etc. que servem de lar para seis por cento da população brasileira. Somente em vinte regiões metropolitanas estão 87% de todas essas pessoas que vivem em condições sub-humanas e quase 50% estão na Região Sudeste. O que surpreende são os níveis de atendimentos de alguns serviços básicos nesses aglomerados como coleta de lixo que atendia 95% dessas moradias, 72,5% das moradias possuem medidor exclusivos de energia elétrica e 88% eram atendidas por rede de água. Mas, evidentemente, esses serviços não podem esconder as dificuldades existentes nesses locais.

Os estados que mais possuem pessoas morando em nessas condições são Rio de Janeiro, São Paulo e Pará. Este último surpreendeu porque possui muito mais, em termos absolutos, do que estados com população muito maior como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia. No Pará vivem 1,27 milhão de pessoas em 324.596 moradias em condições precárias, correspondente a 11% de toda a população do Brasil vivendo nas mesmas condições.  Em São Paulo vivem 2,72 milhões de pessoas, correspondente a 24% do Brasil, em 748.801 moradias nessas mesmas condições.  No Rio de Janeiro são 2,02 milhões de pessoas em 617.466 habitações, correspondente a 18% das pessoas que vivem nessas condições no Brasil.

Em termos proporcionais com relação à população total, as Regiões Metropolitanas que mais possuem pessoas morando em condições não adequadas são Belém com 52,3%, Salvador com 25,7%, São Luis com 23,9%, Recife com 22,4%, Baixada Santista com 15,8%, Manaus com 14,5%, Teresina com 13,2%, Fortaleza com 11,5% e Maceió com 10,2%. As outras Regiões Metropolitanas possuem percentuais inferiores a 10%. Essas Regiões Metropolitanas mencionadas acima são grandes conglomerados onde moram  muitas pessoas, são grupos de cidades em que praticamente não é possível distinguir limites entre elas. Observa-se acima que, principalmente nas quatro primeiras, o percentual de pessoas morando de forma inadequada é muito grande.

As políticas públicas devem ser intensificadas, principalmente aquelas voltadas para o financiamento de moradia de pessoas de baixa renda. Sabe-se que a imensa maioria dos empreendimentos imobiliários existentes atualmente é destinada a pessoas com rendas diferentes dessas pessoas que moram em favelas ou em outros locais semelhantes.  Os números apresentados acima apenas indicam a quantidade de pessoas vivendo em moradias inadequadas, mas escondem a crueldade e o sofrimento que essas pessoas passam em seus cotidianos. A dignidade deve ser posta à disposição das pessoas, a maior dignidade que uma pessoa pode ter é morar de forma adequada, com privacidade, liberdade, higiene e segurança. Essas mais de onze milhões de pessoas merecem tudo isso.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Compras públicas e o desenvolvimento da economia brasileira

O governo pode ser útil à sociedade das mais diferentes formas, com atuação direta ou indireta afetando as pessoas com suas ações. Desde servindo no papel de indutor e provedor dos direitos básicos dos cidadãos tais como segurança pública, jurídica e institucional, saúde, educação e moradia como implementando políticas econômicas que levem ao crescimento da economia ou evite recessões mais severas em momentos de crises. Na verdade, existem muitos outros campos em que o governo pode atuar para mudar a economia e a vida das pessoas. Uma dessas áreas são as compras públicas de materiais, serviços e investimentos.





São vários bilhões de reais que a administração pública direta (União, Estados e Municípios e o Distrito Federal) e a indireta (empresas públicas, fundações, etc.) compra todos os meses. São valores que podem proporcionar uma dinâmica muito forte para a economia ou para determinada área da economia brasileira. Somente por meio de suas compras, o governo pode mudar o perfil das empresas brasileiras, notadamente aquelas de médio e pequeno porte. Na verdade, desde a aprovação da Lei 8.666/93, de 21 de junho de 2003, que estabelece as normas e as regras gerais de todas as compras do governo, englobando todas as áreas do setor público, foram criadas várias leis, realizadas várias alterações na legislação existente visando o aprimoramento e a eficiência nas compras do setor público.





Em um trabalho muito recente do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), no período de 2008 a 2010, 127.166 empresas forneceram produtos ou serviços para o governo federal, das quais 13.380 eram indústrias. Somente em 2010, 7.417 firmas industriais forneceram ao governo. É interessante verificar que a média de empregados por empresas fornecedoras do governo naquele ano era de 125,3 enquanto que das empresas não fornecedoras era de 16,7. Outra constatação é que a média de pessoas com nível superior é maior nas empresas fornecedoras do governo do que as não fornecedoras, 24,8 contra 20,3.





A grande maioria das empresas industriais fornecedoras é constituída de micro empresas. Em 2010, os percentuais em termos de tamanho de empresas fornecedoras do governo federal eram os seguintes: micros – 74,3%, pequenas – 15,2%, médias – 7,4% e grandes – 3,2%. Outra constatação nesse trabalho do IPEA é que a maioria das empresas industriais que fornecem produtos e serviços para o governo federal é constituída de empresas com baixa intensidade tecnológica. Mais especificamente, em termos de intensidade tecnológica as empresas fornecedoras do governo estão assim distribuídas: baixa tecnologia – 46,83%, média tecnologia – 38,02% e alta tecnologia – 15,15%. Observa-se que, em razão de legislação favorável às vendas para o governo pelas pequenas e médias empresas, além de outros fatores, faz deste tipo de empresa o que mais vende ao governo em termos de quantidade de firma, não de valor das vendas.





Apesar de ter havido várias mudanças na legislação, tanto as diretamente relacionadas às compras públicas quanto às de gestão como a Lei de Responsabilidade Fiscal, ainda existem deficiências no modo e na forma como são realizadas as licitações para compras de bens e serviços para o setor público brasileiro. Evidentemente que as dificuldades para essas mudanças são imensas, mas a necessidade de aprimoramentos mais acentuados se configura como mais importante e mais forte. Além de serem muito importantes para melhorar a economia com criação de emprego e renda, as compras públicas são constantemente objetos de relatos de corrupção, na qual entes públicos e privados querem levar vantagens às custas de terceiros e da sociedade. O poder público deve ter em mente que o aprimoramento nessa área deve ser constante, sempre tendo em mente a eficiência, a moralidade, a ética, o desenvolvimento da economia brasileira e a melhora no bem estar do povo brasileiro.


sábado, 17 de dezembro de 2011

O PIB brasileiro é altamente concentrado em poucos municípios

A economia, as pessoas e a própria vida das pessoas estão repletas de números. Tudo se mede por meio de números. Assim, se a pessoa é mais pobre ou mais rica e descrita por meio do valor da renda ou da riqueza que se mede com números. Da mesma forma, a riqueza de um país, de um estado ou de um município é medida por numero, o quanto se produz durante um determinado período de tempo, geralmente um ano. Para medir a riqueza gerada em um dos três entes da federação utiliza-se o Produto Interno Bruto (PIB) que contabiliza tudo que ocorreu durante um ano, por exemplo, que elevou (ou diminuiu) a riqueza. Por exemplo, a matéria-prima que uma empresa compra não entra no PIB, mas a produção final é contabilizada no PIB.

Evidentemente que quanto maior o PIB, maior a riqueza gerada naquela unidade da federação, com maior arrecadação da prefeitura, do estado ou da União. Além, é claro, as pessoas passam a ter maior renda quando a economia cresce. Infelizmente em nosso país não se observa uma distribuição de renda que se possa afirmar que quando o PIB aumenta a renda ou a riqueza das pessoas também aumenta. Existem muitos municípios que possuem um PIB muito alto, entretanto não se verifica um padrão de vida das pessoas compatível com a riqueza gerada.

Em um trabalho recentemente divulgado, o IBGE apresentou dados do PIB de todos os municípios brasileiros no período de 2005 a 2009. Nesse trabalho, verificou-se que está havendo uma pequena descentralização da renda, mas e ainda muito alta, considerando os municípios. Em 2009, a média dos 10% dos municípios que mais contribuíram para o PIB naquele ano foi 95,4 vezes a média dos 60% dos municípios que menos contribuíram para o PIB. Em 2005 essa relação era de 99,7 vezes. A medida de concentração de geração de riqueza pode ser sintetizada pela verificação de que os três municípios que mais geram riqueza foram responsáveis por 21,5% de todo o PIB do Brasil no ano de 2009. A cidade de São Paulo é disparada a que tem o maior PIB, com 12% do PIB nacional, Rio de Janeiro com 5,4% e Brasília com 4,1%.

Observa-se também uma grande quantidade de municípios com dependência do poder público para sobreviverem. Em 2009 eram 1.968 municípios, correspondendo a 35,4% dos municípios brasileiros, que tinham em mais de um terço de sua economia dependente da atividade do setor público. É uma quantidade muito grande de municípios que dependem das ações do setor público para que possam ter renda suficiente para as pessoas viverem, embora sem o atendimento pleno das suas necessidades.

Muitos municípios deveriam seguir exemplos de alguns entes da federação, como municípios e estados, que lograram obter altas taxas de crescimento do PIB, aumentando, conseqüentemente, a riqueza. Por meio de incentivos dos mais diferentes tipos conseguiram atrair empresas para realizarem empreendimentos ao mesmo tempo em que pessoas do próprio município também conseguiram abrir o próprio negocio. Mas esses exemplos não são seguidos pela maioria dos municípios brasileiros. Preferem se acomodar com baixíssima produção, produtividade sem nenhuma perspectiva de melhora e o povo com baixa renda. As pessoas que estão se preparando para serem candidatas a prefeitos ou a vereador nas eleições do próximo ano precisam ter isso em mente. Principalmente naqueles municípios que possuem baixa autonomia de arrecadação de recursos, devem buscar o desenvolvimento com a atração de empresas e incentivo aos próprios moradores a investirem na cidade. Transformar as pessoas em empreendedoras é transformar o padrão de vida das pessoas e mudar o perfil econômico, político e social do município.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Desenvolvimento e as pessoas: Os resultados do crescimento devem ser para todos

O desenvolvimento deve ser para as pessoas, a população deve ser a protagonista do crescimento e do desenvolvimento. Os números da economia não devem ser somente números, mas algo que possa, de fato, representar mudanças no padrão de vida das pessoas, deve ser para o povo como um todo. Os investimentos públicos, os incentivos fiscais, as facilitações e a desburocratização devem ser focados no ser humano. É necessário que todas essas ações tenham como objetivos primordiais facilitar as pessoas poderem viver melhor. Os resultados de medidas como o PIB, entre muitos outros, devem espelhar a vida das pessoas.

Se um estado, um país, uma região ou um município se desenvolve, o bem estar auferido pela população deve ser o menos desigual possível. Em lugares que existam recursos, os dirigentes públicos devem visar o ser humano oferecendo a todas as pessoas serviços de saúde em condições que levem a atendimento que sejam em quantidade e em qualidade suficientes a ponto de deixarem as pessoas satisfeitas. Ao mesmo tempo, a educação tem que ser oferecida às pessoas em geral em quantidade e qualidade que proporcione aos estudantes total domínio do que deveriam saber ao terminar os seus cursos. Além dessas duas demandas básicas, existem outras demandas que o Estado deve atender diretamente ou indiretamente, por meio de concessões à iniciativa privada. Tais como boas estradas, trânsito em condições adequadas, segurança, saneamento básico e moradia.

Os mandatários fazendo isso estarão, direta e indiretamente, reforçando o aumento da produtividade, da criatividade, da competitividade e do aumento da renda. Tudo isso leva a mais desenvolvimento, criando-se um círculo virtuoso onde todos saem ganhando. Infelizmente, muitos prefeitos e governadores ficam o tempo todo apagando incêndio e quase nunca colocam em prática planos de desenvolvimento tendo as pessoas em primeiro plano. Historicamente ficou comprovado que o desenvolvimento com a participação efetiva da população eleva o padrão de vida das pessoas em magnitude muito superior ao que é apresentado pela forma de desenvolvimento que muitos países e regiões sub-nacionais praticam tradicionalmente.

Um dos fatores mais importante para ajudar a existência da participação efetiva das pessoas nos resultados do desenvolvimento é que as instituições públicas sejam sérias, eficazes, respeitadas e sem burocracia. Complementam essas qualificações a ausência de corrupção ou sua incidência muito baixa que seja possível debelá-la rapidamente e seus autores punidos severamente e que os funcionários públicos, sejam eles aprovados em concursos, indicados ou eleitos, saibam atender bem aos cidadãos. As pessoas em geral devem ter o respeito do Estado em sua essência, não somente em discursos de autoridades, mas na prática, no cotidiano. Ao mesmo tempo, é preciso que as pessoas sejam mais participativas em cobrar as atitudes corretas das autoridades. Infelizmente, muito pouco se observa de mobilização contra determinadas atitudes de governantes. A maioria das pessoas é acomodada, não busca se informar de forma correta das coisas que estão ocorrendo, o que leva muitas vezes a emitirem opinião não baseado em fatos concretos, mas em algo como ouviu dizer, etc.

O nosso país, apesar de afirmações de algumas pessoas muito pessimistas ou com informações e formações deficientes dizerem que o Brasil está prestes a entrar em recessão ou algo parecido, existem muitos fundamentos que justificam prevermos vários anos de crescimento da nossa economia. Não é razoável pensarmos que os resultados desse crescimento sejam divididos de forma totalmente desigual, com uns ganhando muito e muitos ganhando muito pouco. Transformar esse crescimento em verdadeiro desenvolvimento passa por levar os ganhos que o crescimento da economia deixa para o país para todos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Os critérios existentes para criação de municípios deveriam ser muito mais rígidos

Ter uma autoridade ou grupo de autoridades próximas da população, facilitando o atendimento às demandas da sociedade pode ser importante, entretanto, é de se perguntar: será vantajoso ter muitos municípios, muitos dos quais conseguem arrecadar muito pouco recurso, os gastos sendo cobertos por repasses do Estado e da União? Será que está perto do prefeito ou dos secretários compensa os custos administrativos e políticos de um município? Será que não seria mais eficiente ter menos municípios e os recursos deixados de ser gastos com a estrutura do poder municipal ser investidos nos atendimentos às necessidades da população?
 
Certamente os gastos para manter uma prefeitura funcionando são bastante significativos e nem sempre são realizados de forma a atender ao povo. Além de desvios, roubalheira e corrupção dos mais diferentes tipos, existem muitos municípios em que a população seria perfeitamente atendida, muito provavelmente melhor, com uma estrutura extremamente enxuta com apenas alguns funcionários aprovados em concursos. Poderia ser uma subprefeitura, com a autoridade do prefeito sendo representada pelo subprefeito. Sairia infinitamente mais barato do que ser um município independente e ter que suportar uma câmara de vereadores com pelo menos nove parlamentares ganhando muito mais que a média da população do município, vários funcionários além do prefeito, seus secretários e uma quantidade grande de funcionários na prefeitura.


Atualmente existem em todos os Estados brasileiros muitos distritos que estão querendo se emancipar e se tornarem independentes. Isso vem de muitos anos. Segundo o IBGE, de 1980 até 2010, no Nordeste foram criados 419 municípios, passando de 1.375 para 1.794. Nesse mesmo período o Sudeste passou de 1.410 para 1.668, o Sul passou de 719 para 1.188 municípios, aumentando, portanto, 469 novos municípios constituindo-se na região que mais criou municípios nos últimos trinta anos. O Centro-Oeste nesse período criou 182 novos municípios, passando de 284 para 466. O Norte, apesar de sua extensa, nesse período criou 246 municípios, passando de 203 municípios em 1980 para 449 em 2010. Vale salientar que em 1988 com a criação do estado de Tocantins, os municípios existentes ou criados posteriormente pertencentes a esse estado passaram a fazer parte da região Norte.


Como se observa nos números apresentados acima, muitos municípios foram criados nos últimos trinta anos, vários deles prosperaram, se desenvolveram, ganharam autonomia financeira e passaram até mesmo a constituir-se como um pólo de desenvolvimento. Mas, a imensa maioria continua dependendo de verba repassada dos entes federados de instâncias superiores para poderem sobreviver. Mesmo municípios criados em períodos anteriores a 1980 muitos não conseguiram se desenvolver e não existem justificativas plausíveis para continuarem existindo independentes. De 1950 até 2010 foram criados 3.676 municípios, ou seja, dos 5.565 municípios existentes atualmente 67% foram criados a partir de 1950. Entre 1950 e 1970 foram criados 2.063 municípios, entre 1970 e 1980 foram criados 39 e entre 1980 e 2010 surgiram 1.574 novos municípios no Brasil.


Os critérios para a emancipação de algum distrito deveriam ser muito mais rígidos e nunca deveria ser concedida a independência de um distrito que não pudesse ter autonomia financeira, com um percentual alto de recursos próprios no seu orçamento e que tenha condições de se desenvolver e progredir economicamente. Infelizmente, os critérios existentes atualmente são bastante frouxos e deixam brechas para o surgimento de municípios que terão grande possibilidade de gerar ineficiência ao invés de melhora nas condições de vida das pessoas.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Fatores determinantes para a redução da miséria e pobreza no Brasil nos últimos anos

Apesar de ainda existir muita pobreza no Brasil, é inegável que ocorreram melhoras significativas no nível de pobreza e miséria em nosso país, reduzindo-os. De acordo com dados de órgãos como o IBGE, o IPEA, entre muitos outros, nos últimos oito anos saíram da miséria ou da pobreza cerca de 30 milhões de pessoas. Eram seres humanos que praticamente não tinham o que comer, muito menos com que se vestir, calçar, andar de transporte público, estudar, etc. Eram pessoas que estavam condenadas a viverem o resto de suas vidas na mesma situação e muito provavelmente os seus filhos também. Não se deve dizer que essas pessoas deixaram de ser pobres, mas passaram a ter uma vida muito melhor. Aliás, a definição utilizada por muitos organismos internacionais, como o Banco Mundial, de que pobre é quem ganha em torno de R$ 3,6 por dia não tem fundamento e não deve ser levado a sério.

Muito se fala que a redução da pobreza, da miséria e da concentração de renda em nosso país é fruto de programas assistenciais como o Bolsa Família. Será que isso condiz com a verdade? Será que não existem outros fatores que explicam essa dinâmica na renda pessoal dos brasileiros nos últimos anos? Na verdade, o programa Bolsa Família custa anualmente ao país cerca de 0,4% do PIB e certamente esse montante não seria suficiente para protagonizar mudanças tão acentuadas no padrão de vida de tantos brasileiros. O programa Bolsa Família é muito importante para ajudar a explicar esse fenômeno, mas não é o único e nem o mais importante. Existem outros fatores que em conjunto com os programas de transferência de renda fazem da nossa economia uma das que  mais resgatam pessoas da miséria.

Além dos programas como o Bolsa Família existem outros cinco fatores que ajudaram e continuam ajudando o país a melhorar a vida de tanta gente. A estabilidade de preços pode ser definida como um fator fundamental para que as pessoas mais pobres possam ter uma vida melhor. Veja o que ocorrereu quando da implantação do Plano Cruzado e no início do Real. Com a diminuição radical da inflação, as pessoas mais pobres ficaram livres do chamando imposto inflacionário que corrói o salário, os ganhos de qualquer natureza e o dinheiro que esteja no bolso.

O crescimento econômico é muito importante porque as pessoas tem mais oportunidades de empregos e negócios, elevando a renda. De 2002 a 2010 a economia braseira vem crescendo a taxa média de 5% ano ajudando tanto as contas do governo como a geração de empregos. Nesse mesmo período, a renda do trabalhador brasileiro aumentou 18% em termos reais e a renda por domicílio aumentou 23,5% em termos reais. O crescimento leva quase que automaticamente para o terceiro fator que é a geração de empregos. Somente em 2010 foram gerados mais de 2,5 milhões de empregos. Tudo isso fez com que a taxa de desemprego no país passasse de 12,4% para 6,5% no período de 2003 a 2010. Um nível de desemprego muito baixo.

Outro fator muito importante é a valorização sistemática do valor do salário mínimo. O salário mínimo apesar de não ter muita importância para a classe média, ele é definidor de renda em muitas áreas de nosso país e de muitas famílias. São instituições públicas e privadas que pagam o piso salarial aos seus empregados. Além disso, existem cerca de 23 milhões de aposentados e pensionistas que recebem o salário mínimo como benefício. Considerando que para cada aposentado ou pensionista existam duas pessoas dependentes, tem-se cerca de 70 milhões de pessoas que são diretamente afetadas pela valorização do salário mínimo considerando somente a previdência social.

Por último pode-se englobar como o último fator as políticas voltadas para o social como o financiamento estudantil para aqueles que não tem condições de pagar uma faculdade, e outros programas dessa natureza. A junção de todos esses fatores tem levado a nossa economia a ser mais respeitada e a sociedade brasileira pode vislumbrar um futuro no qual possa conviver com prosperidade, desenvolvimento, oportunidade e mais orgulho de ser brasileiro ou brasileira.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Transferência de renda às pessoas pobres é muito importante para o Brasil


Desde há muito tempo que o povo brasileiro, principalmente os mais pobres e mais carentes, sofre por falta de atendimento nas suas demandas mais elementares, tais como alimentação, educação, saneamento e muito outros. O sofrimento dessas pessoas é indescritível, só não é maior porque elas são acostumadas a sofrerem privações dos mais diferentes tipos e humilhações que passam a fazer parte do cotidiano. A pobreza deve ser combatida com todos os meios possíveis, não é razoável a sociedade brasileira ficar indiferente a sofrimentos de famílias que não possuem nada para comer. Não é possível imaginar que existam pessoas que sejam contra os gastos do governo em áreas que levam ajuda aos mais pobres do Brasil.

O governo, notadamente o governo federal, tem tido o discernimento e a coragem de enfrentar esse problema com a ajuda aos mais necessitados tais como a implantação e criação de programas assistenciais aos mais carentes, elevação do salário mínimo acima da inflação e outras ações que tem aliviado significativamente o sofrimento de muitas famílias pobres em nosso país, que não tinham oportunidade e nem condições de melhorar a própria vida e a de seus familiares. É notória a mudança de vida nas áreas mais carentes e nas casas dos mais pobres em nosso país. Graças à intervenção direta do governo a dignidade, a honra, a liberdade e o amor à própria vida estão presentes no meio dos mais pobres do Brasil.

É verdade que o governo aumentou significativamente os gastos nessa área, fato que na nossa história é muito difícil encontrar algo semelhante. Isso não deve ser imputado a um governo, a um partido, a um grupo de partidos ou a um grupo de políticos. Isso deve ser perene. Deve ser uma condição e ação de Estado, seja qual grupo político esteja no poder, as ações de combate à miséria e à pobreza devem ter continuidade com o máximo vigor, eficiência e eficácia possível. É inegável que a formulação, a operacionalização e o formato podem e devem ser modificados para que se tenham melhores resultados e mais eficiência nos recursos públicos despendidos nessa área. Mas nunca devem ser abandonados, a menos que não existam mais pessoas necessitando de ajuda.

Existem muitos gastos do governo que devem ser questionados e até mesmo combatidos, mas os gastos que são para os pobres jamais devem ser criticados, a não ser em termos de eventuais problemas. Gastos como os gastos com os juros da dívida pública e as altas aposentadorias pagas a muitos funcionários públicos aposentados ou até mesmo que ainda trabalham no setor público são imorais e devem ser combatidos com todo vigor. São bilhões de reais que são direcionados a quem já tem muito. Na maioria das vezes esses recursos fazem falta na saúde de muitos brasileiros que sofrem com os péssimos atendimentos nos hospitais, postos de saúde e outros locais de atendimento da área da saúde pública. Os recursos que são levados por essas duas áreas, juros abusivos e aposentadorias abusivas, que somam dezenas de bilhões de reais todos os anos seriam suficientes para melhorar significativamente os serviços de saúde no setor público e poderiam também melhorar a qualidade do ensino em nosso país.

A sociedade brasileira precisa refletir muito bem e conhecer verdadeiramente como são gastos os recursos arrecadados e o seu real destino. É muito fácil criticar algo que tenha conhecimento apenas superficialmente, muitas vezes nem isso. Os benefícios para os beneficiados, para o país e para a sociedade com um todo são incomensuráveis quando se tira dezenas de milhões de pessoas da miséria e passam a integrar ao mercado de consumo. Ao mesmo tempo em que milhões deixam de passar fome. É preciso avançar muito nessa política até chegar ao ponto em que essas pessoas não necessitem mais de qualquer ajuda do Estado, ao contrário, passam a ajudar o Estado com o pagamento de impostos e geração de renda e riqueza para o país.