sábado, 30 de julho de 2011
A inflação custa mais ao Brasil que o próprio aumento de preços
quarta-feira, 27 de julho de 2011
É conveniente o governo doar tanto dinheiro para o Corinthians construir o seu estádio?
sábado, 23 de julho de 2011
Os grandes desafios dos serviços públicos de saúde no Brasil
terça-feira, 19 de julho de 2011
O BNDES deveria ter melhores critérios para realizar seus empréstimos
sábado, 16 de julho de 2011
A migração no Brasil ainda é alta, embora menor do que a existente no passado
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Os gastos sociais do governo deveriam ter um melhor direcionamento
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Controlar bem o orçamento público é fundamental no combate à corrupção
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Arrecadação e gastos do governo em 2010

O poder público é essencial na vida das pessoas, apesar da existência de muitas contestações a esse respeito, seja por pura conotação ideológica ou em razão das propagadas corrupções que ocorrem no setor público. Mas, a verdade é que o Estado brasileiro supre muitas demandas que são originadas das necessidades da população dos mais diversos tipos. Para isso são cobrados das empresas e da população em geral impostos, contribuições, taxas e outras formas de captação de recursos para o governo financiar os gastos no atendimento das necessidades das pessoas. Quanto o governo gasta por ano? Em quais áreas são gastos mais recursos? Quais são as modalidades em que o setor público obtém mais recursos? Quem arrecada e gasta mais: a União, Estados ou Municípios?
A Secretaria do Tesouro Nacional divulgou recentemente a consolidação das contas nacionais onde constam as receitas e as despesas dos entes da federação referente ao exercício de 2010. Naquele ano, o valor total das receitas correntes dos três níveis de governo foi de R$ 1,62 trilhão. Desse valor, 55% foram arrecadados pela União, 28% pelos Estados e 17% pelos Municípios. Do montante total, 39% foram arrecadados por meio de tributos e taxas, 31% por meio de contribuições, 17% por transferências e o restante por receitas diversas. É importante ressaltar que os impostos e as taxas correspondem a 31,66% das receitas da União, a 63,81% dos Estados e a 21,7% nos Municípios; as contribuições correspondem a 53,41% das receitas da União, 4,01% dos Estados e a 3,18% dos Municípios. Já as transferências correntes correspondem a 22,34% das receitas dos Estados e a 65,61% dos recursos dos Municípios. As transferências correntes são recursos repassados pela União para Estados e Municípios e dos Estados para Municípios.
As despesas consolidadas em 2010 dos três entes da federação foram de R$ 1,59 trilhão, sendo que 31,86% corresponderam a gastos com pessoal e encargos sociais, 9,01% a juros e encargos da dívida pública os 59,13% restantes correspondem a compras de matérias e serviços, gastos com a previdência social, transferências, etc. Ao dividir os grandes grupos de despesas dos três entes da federação, tem-se a seguinte configuração: os pagamentos de salários e encargos sociais da União corresponderam a 20,33% dos gastos, a 45,26% dos gastos dos Estados e a 49,60% dos gastos dos Municípios. Os juros e os encargos da dívida pública corresponderam a 13,58% dos gastos da União, a 3,87% dos Estados e a 1,69% das despesas dos Municípios.
A União foi responsável pela maior parte dos gastos do setor público em 2010, ficando com 56,56%. Os Estados com 27,40% e os Municípios com 16,04% restantes. O Congresso Nacional gerou uma despesa de R$ 4,98 bilhões, as Assembléias Legislativas tiveram um custo de R$ 9,81 bilhões e as Câmaras Municipais custaram aos contribuintes brasileiros R$ 7,21 bilhões. O judiciário federal custou R$ 24,48 bilhões e o estadual, R$ 21,40 bilhões. Na educação foram gastos R$ 44,06 bilhões no governo federal, R$ 75,3 bilhões nos governos estaduais e R$ 73,43 bilhões nas prefeituras. Em 2010 foram gastos R$183,32 bilhões nas três esferas de governo, sendo que os valores repartidos quase que equivalentes em termos absolutos entre os três níveis de governo. A União gastou R$ 60,62 bilhões, os Estados R$ 55,71 bilhões e os Municípios, R$ 67 bilhões.
A essencialidade da presença do governo na sociedade e sua atuação no atendimento das demandas existentes é indiscutível. Áreas como a da saúde, em que a demanda é muito alta e os serviços oferecidos muito aquém do que se poderia imaginar como razoável se configura como o maior gasto do governo entre todos os seus gastos correntes. Será que não é o caso de verificar se o método como esses recursos são gastos é o mais correto? Outra questão que sucinta é se vale a pena mesmo pagar um montante tão grande de recursos para o Congresso Nacional, as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais. Deveria haver uma redução substancial, os R$ 22 bilhões gastos com o poder legislativo em 2010 poderiam muito bem ser reduzidos à metade sem prejuízo para a sociedade. Ao contrário, o valor não gasto poderia servir para atender muito bem várias demandas importantes que não são atendidas por falta de recursos. O mesmo pode se dizer dos R$ 143,63 bilhões que o setor público pagou no ano passado em juros e serviços da dívida.
terça-feira, 5 de julho de 2011
O Brasil clama por investimentos em infraestrutura

Para que qualquer país possa crescer de forma sustentada é necessário que exista uma boa preparação da força de trabalho, um capital humano bem educado e preparado, e infraestrutura robusta. Se tiver apenas um desses dois ingredientes a receita para levar um país para patamar mais alto no crescimento e no desenvolvimento terá muito pouca utilidade. Investir em infraestrutura ajuda a elevar os rendimentos dos capitais já instalados, além de ajudar a criar condições de atração de mais capitais em razão da redução dos custos para instalar, operar e distribuir produtos e serviços. O Brasil tem investido o suficiente em infraestrutura? O sistema de transporte é importante para ajudar no crescimento do país? Como o Brasil está em termos de investimento em transporte?
Os setores de energia, transportes, telecomunicações e saneamento, principalmente os três primeiros, possuem a capacidade de gerar riqueza em magnitude muito superior aos valores investidos neles próprios. Por proporcionar menores custos dos investimentos em gerais, aumentar a produtividade, ajudar a gerar economia de escala e poder transformar regiões, investir em infraestrutura deve ser um dos principais objetivos de uma nação. Infelizmente, o Brasil tem se comportado muito inadequadamente nesse quesito. Desde a década de 1980 que o percentual do PIB que o Brasil investe em infraestrutura está em torno de 2%. É um percentual muito pouco. De acordo com estudo do Banco Mundial, somente para manter o estoque de infraestrutura existem seriam necessários investimentos anuais de 3% do PÍB. Para alcançar o patamar da infraestrutura existente na China, por exemplo, seriam necessários investir em torno de 6% do PIB durante vinte anos.
Os anos têm sido bastante cruéis com o país quanto às políticas econômicas adotadas e aos vários problemas sérios pelos quais o nosso país passou. Desde os vários congelamentos de preços, hiperinflação, crises de dívida, programa de sustentação do controle de preços implantado no com o Plano Real e muitas outras situações pelas quais a nossa economia passou inviabilizaram um nível de investimentos mais substancial nas áreas de infraestrutura. Coisa que era feita na década de 1970 quando a taxa de investimentos nessa área girava em torno de 10% do PIB. Na verdade, o estado brasileiro com déficits nominais consideráveis, pagando juros muito altos, em 1999, por exemplo, chegou a 45% ao ano, e com vários outros problemas de ordem orçamentária teve poucos recursos para investir e o setor privado não teve participação significativa.
Um dos setores fundamentais entre os de infraestrutura está o de transportes. Nessa área, os investimentos são também muito baixos, em torno de 0,50% do PIB. Ao passo que países como a China e a Tailândia, por exemplos, estão em 4%. Além de ser muito reduzido, os investimentos em transportes estão concentrados no transporte rodoviário. Para este são direcionados em torno de 70% dos investimentos em transportes, enquanto para o ferroviário são destinados em torno de 20%. Isso é um dos motivos dos altos custos de logística no Brasil, visto que o transporte por ferrovia é muito mais barato do que o transporte por rodovias. Paises como os Estados Unidos utilizam uma relação inversa. Naquele país 43% do transporte é realizado por meio de ferrovias enquanto que pelas rodovias são transportados cerca de 30%.
Muitas vezes se pergunta por que o Brasil não consegue crescer na mesma taxa que a China cresce. Uma das respostas está na falta de infraestrutura. Se crescer mais, além de não termos mão de obra qualificada para vários setores, nos falta infraestrutura suficiente para atender a demanda de logística, energia e comunicação. Apesar de haver bastante carência de energia, a energia existente pode não ser suficiente para suportar uma taxa de crescimento do PIB de 10% ao ano, por exemplo, mas o mais deficiente é o setor de transporte. Esse setor deve ser tratado com prioridade, notadamente o ferroviário. A nossa economia está implorando que se invista pesadamente em energia e transportes. Construir usinas hidrelétricas, ferrovias, rodovias asfaltadas, pontes, viadutos, metro e outros tipos de infraestrutura é essencial para termos um Brasil com um perfil muito melhor do existente até o momento.
sábado, 2 de julho de 2011
Os custos da dívida pública fragilizam o Estado brasileiro

Muitas vezes nos perguntamos o que o governo faz com tanto dinheiro que arrecada por meio dos pesados impostos que as empresas e as pessoas pagam. As dúvidas se tornam mais abundantes em razão dos péssimos serviços que o poder público oferece aos cidadãos, com destaque para a área mais importante e mais sensível que são os serviços de saúde. É verdade que existe muita ineficiência na gestão pública, que a corrupção e o favorecimento a particulares levam ao desperdício de uma parte substancial dos recursos arrecadados pelo Estado brasileiro. Entretanto, existe uma área que e campeã nos gastos, de onde sai um fluxo muito grande e contínuo de dinheiro que poderia ser aplicado nas demandas da sociedade: os gastos financeiros do governo.
Os gastos financeiros do setor público brasileiro nas últimas décadas levaram o país a jogar fora uma quantidade de recursos que seriam suficientes para transformar a vida de cada brasileiro e deixa-lo em situação confortável. O que se paga somente de juros da dívida pública em média em cada ano é suficiente para construir e equipar 1.500 hospitais de ótima qualidade. Ou seja, somente com o que se gasta de juros da dívida do governo em um único ano é suficiente para deixar a penúria com que os serviços de saúde oferecidos pelo setor público está passando há muito tempo. As condições, a magnitude, as taxas e as ações do governo brasileiro com relação à sua dívida sufocaram e estão sufocando o povo brasileiro.
Ao se analisar a situação financeira do Brasil junto com todos os entes públicos verifica-se que a fragilidade financeira é evidente. Nas últimas décadas a arrecadação, apesar de ser extremamente alta, não é suficiente para cobrir os gastos correntes, os juros e amortizar um pouco da dívida. Na verdade, a arrecadação não é suficiente nem mesmo de pagar a totalidade dos juros. Após o pagamento das despesas com saúde, educação, funcionalismo, etc. o que sobra não é suficiente para pagar os juros da dívida, o que falta é sempre financiado com a criação de mais dívida. Nos últimos anos a dívida tem aumentado substancialmente também por conta desse fator.
Nos anos desde a implantação do Real, em 1994, até 2005 o Brasil incorreu em uma política monetária muito rígida onde as taxas de juros eram utilizadas como uma espécie de seguro contra a inflação. Isso se por um lado ajudava a controlar os preços e a segurar a inflação, por outro era responsável por uma combinação perversa em que o povo era penalizado duas vezes. Ao mesmo tempo em que a economia não crescia com uma quantidade enorme de desempregados e salários e lucros de boa parte das empresas baixos o setor público incorria no pagamento de pesadíssimos encargos financeiros em razão das taxas de juros extremamente altas pelas quais a dívida pública era contratada. O brasileiro trabalhou muito para o mercado financeiro.
Na verdade, o setor financeiro é muito importante para a economia ao ofertar crédito cujo objetivo é a geração de renda e riqueza, quando os projetos financiados são lucrativos. Entretanto, na situação em que os objetivos são duvidosos e a lucratividade só é garantida por meio do sacrifício de cidadãos e empresas que incorrem em pesada carga tributária a relevância do setor financeiro parece não ser acentuada. O governo deveria ter trilhado também um outro caminho, evidentemente tendo a responsabilidade de ter a inflação sob controle. Poderia, como fez a partir de 2006, permitido a economia crescer a taxas mais fortes do que de fato cresceu. Apesar das dificuldades que uma economia emergente tem para impor a dinâmica da própria economia teria sido possível crescer mais, arrecadado mais, gerado mais emprego e lucros, pago menos juros e atendido em maior qualidade e quantidade as demandas dos brasileiros.














