domingo, 24 de abril de 2011

A inflação deve ser combatida sem recessão


A economia brasileira tem passado por alguns problemas nos últimos tempos, notadamente referente ao aumento de preços. A inflação é uma tragédia para as pessoas, principalmente para os mais pobres, motivo pelo qual deve ser evitada utilizando-se de métodos apropriados que a debele, mas que não afete de forma negativa as atividades econômicas.

A crise econômica que deixou os Estados Unidos, o Japão e os países da Europa em situação muito crítica nos obrigou a implantar políticas fiscais e monetárias compatíveis com a recuperação da crise financeira mundial. Entretanto, se comparado com a magnitude das políticas efetivadas nos países centrais, as nossas ações tiveram efeitos bem reduzidos em termos das finanças públicas. No Brasil, além dos valores envolvidos em termos do PIB serem bem baixos, as políticas de incentivos foram por um período bem curto, nas maioria dos casos por menos de um ano. Ao mesmo tempo em que apresentaram resultados muito bons em termos de crescimento da economia.

Nos países centrais não, além dos valores envolvidos serem relativamente muito maiores, a dependência de muitas empresas à ajuda do governo foram muito maior e por muito mais tempo. Muitas empresas ainda estão precisando da ajuda governamental. A dívida pública dos Estados Unidos está em praticamente 100,00% do PIB, com tendência de crescimento. Há três anos, a relação dívida pública bruta nos Estados Unidos era de 62%. A expectativa é que em quatro anos esse percentual chegue a 110%. Atualmente, a dívida pública norte-americana está em torno de ES$ 14,5 trilhões.

A situação dos países da Europa e do Japão é ainda pior, visto que os Estados Unidos ainda possuem o dólar que é aceito em quase todo mundo possibilitando que esse país se financie, pelo menos em parte, com a emissão de sua moeda. Embora isso já esteja ocorrendo, é limitado e tem efeitos colaterais como a diminuição do valor do dólar perante outras moedas, os outros países não possuem esse mecanismo. Existem países na Europa que estão à beira da falência, com a dívida pública muito alta, com falta de liquidez e baixa credibilidade.

Para completar o quadro, está ocorrendo o problema sério das revoltas nas ditaduras do oriente médio e da área da África produtora de petróleo. Nesses países com a instabilidade implantadas por conta da queda ou da iminência de queda de seus mandatários, elevou sensivelmente os preços do petróleo para patamares bastante significativos. O aumento somente não está sendo maior em razão da letargia nas taxas de crescimento dos principais paises do mundo, exceto a China e Índia.

Com todos esses problemas que se alastram na economia mundial, o Brasil pode até se sentir em situação privilegiada. A sua taxa de crescimento está sendo estimada em torno da metade da do ano passado e seu déficit público está em torno de 2,5% do PIB, enquanto que de outros países, como o Estados Unidos, está em 10%. O que temos que nos preocupar é com a inflação que este ano deve ficar em torno de 6,5%, considerada alta, visto que a meta do governo é de 4,5%.

A política que o Banco Central do Brasil está praticando, embora seja a utilizada desde há bastante tempo, pode levar o nosso país a ter uma recessão, com queda na economia, nos lucros e no emprego. Como a grande parte da inflação existente em nosso país atualmente é proveniente de preços internacionais e de preços administrados, para que o aumento nos juros básicos (o principal mecanismo utilizado pelo Banco Central no combate à inflação) afete, de fato, as taxas de inflação será necessária uma queda significativa na economia. Eu não acredito que os dirigentes da autoridade monetária brasileira irão por esse caminho. O momento é de crescimento com responsabilidade, tendo como maior objetivo o bem estar do povo brasileiro.

sábado, 23 de abril de 2011

Bullying nas empresas: Um mal a ser combatido


Assédio moral ou bullying é uma prática terrível que destrói, machuca e prejudica qualquer pessoa que tenha a má sorte de ser uma vítima. Esse tipo de comportamento que tem maior visibilidade nas escolas, também tem uma grande incidência nas empresas, vitimando pessoas que passam a ter transtornos que lhes custam muito em todos os sentidos. Como é praticado o bullying nas empresas? Quais são as suas vítimas? Quais a conseqüências dessa prática nas empresas? O que deve ser feito para evitar esse tipo de comportamento?

A palavra de origem inglesa bully, significa “mandão”, “valentão”, “tirânico” ou “ameaçar”, “oprimir”, “maltratar”, “assustar”. São termos que facilmente encontram guarida em pessoas desprovidas de comportamentos éticos, de respeito às pessoas e sem noção de justiça. Nas empresas brasileiras, infelizmente, encontram-se recheadas de chefes, gerentes ou outros tipos de profissionais que sentem prazer em humilharem empregados pelos mais diferentes motivos. É um tipo de comportamento altamente deplorável e reprovável por qualquer organização considerada séria e que deva merecer respeito.

É muito triste saber que cerca de 90% das empresas brasileiras tratam esse comportamento como banal e somente levam em conta quando afeta de forma explícita o rendimento da empresa. Na maioria das vezes, o agressor tem como objetivo que o agredido saia do emprego por vontade própria, evitando que a empresa pague indenização pelo desligamento sem justa causa. Mas, existem outros motivos tais como: vontade de mostrar poder, prazer em humilhar outras pessoas indefesas, impedir que potenciais competidores sejam eliminados, preconceito por razões de sexo, origem, religião, cor e muitos outros motivos.

A caracterização de bullying no local de trabalho pode ocorrer quando existe exposição do empregado a situações humilhantes e constrangedoras por várias vezes mesmo que em situações diferentes, geralmente praticadas por pessoas hierarquicamente superiores. Muitas vezes isso ocorre de forma sutil, mas que machuca muito. Alguns exemplos onde o bullying pode ser encontrado no trabalho são: críticas sem fundamento, um empregado ser culpado sem que haja uma justificativa clara e irrefutável, ter um tratamento inferior aos dos demais integrantes da equipe, ser alvo de xingamentos ou gritos, quase sempre ser alvo de piadas ou apelidos pejorativos, ser vigiado em excesso e outros tipos de comportamentos que deixem a pessoa em situação constrangedora.

Apesar de ficar debilitada, física, moral e psicologicamente, a pessoa vítima de bullying no local de trabalho deve denunciar em todos e com todos os meios possíveis. No sindicato, no setor de recursos humanos da empresa, no ministério público, na delegacia do trabalho, comissão de direitos humanos e órgão como a OAB, etc. É muito importante que qualquer tipo de comportamento considerado como assédio moral seja denunciado para que esses monstros que praticam essas barbaridades sejam punidos e que não surjam novas vítimas em muitas empresas.

Os custos e as conseqüências dessa prática são difíceis de serem medidos, mas todos saem perdendo, inclusive quem a pratica. Para a vítima, os resultados são terríveis. Desde a perda da auto estima até o aparecimento de doenças como depressão, stress e muitas outras. Para a empresa, ocorre a perda da produtividade, falta de estímulo por parte dos empregados vítimas de companheiro solidários à situação de humilhação pela qual o amigo ou amigos esteja passando e a imagem negativa da organização quando esse tipo de comportamento é noticiado na mídia. Para o agressor, além de não obter nenhuma vantagem com isso ainda pode ser envolvido em sindicância, ter que indenizar a vítima, perder o emprego ou ter uma conotação negativa perante à sociedade e à própria organização.

sábado, 16 de abril de 2011

O empreendedor deve ter oportunidades e incentivos


A capacidade e a possibilidade de se empreender algum projeto, atividade ou um negócio devem ser realçadas e incentivadas para que o êxito seja obtido com menos dificuldades. O empreendedor é de fundamental importância, seja nas empresas, nas atividades individuais, onde a pessoa seja dona do próprio negócio, ou no setor público. A pessoa que não tem medo de desafios e busca sempre melhorar em suas atividades, seja por conta própria, na empresa em que trabalha ou em alguma organização pública, que sempre busca obter os melhores resultados por meio da utilização de novos métodos ou qualquer outra ação que leve a riscos devem receber apoio.

De acordo com Joseph Alois Schumpeter, um dos maiores economistas do século vinte, o empreendedor inova e movimenta a sociedade. Com as suas atividades inovadoras, criativas e lucrativas leva progresso e desenvolvimento para as pessoas e para o país como um todo. Muitas grandes corporações existentes atualmente no Brasil tiveram o seu surgimento pela coragem, ousadia e perseverança de muitos empreendedores destemidos que não tiveram medo do incerto e foram em frente com garra, determinação e muito trabalho mesmo não contando com muitos apoios.

O nível de pessoas que empreendem por meio de um negócio próprio no Brasil ainda é muito baixo. De acordo com uma pesquisa recente do GEM (Global Entrepreneurship Monitor), apenas cerca de um quinto dos jovens que saem das universidades buscam trabalhar por conta própria, seja sozinhos ou em sociedade com outras pessoas. Nas pesquisas da FGV (Fundação Getúlio Vargas) sobre rendimentos, a variação relevante se encontra no rendimento com carteira assinada. Ou seja, o aumento de rendimento verificado nas pessoas que trabalham por conta própria é quase que insignificante para explicar eventuais aumentos nos rendimentos dos brasileiros.

Atualmente, em razão da facilidade da comunicação, existem muito mais oportunidades para as pessoas empreenderem. Notadamente para quem tem facilidade de lidar com as novas mídias. Esses terão mais oportunidades e possibilidade de sucesso empreendendo individualmente do que em uma empresa grande. Nesta, existe dificuldades até para se dialogar com o chefe, enquanto que em casa, por meio das redes sociais é possível conversar com pessoas muito importantes e que possuem poder de decisão nas organizações em que trabalham. É muito importante que as empresas sejam muito mais flexíveis e dêem liberdade, atenção e oportunidade para as pessoas com perfil empreendedor.

Infelizmente, tanto as empresas quanto o governo não tem sido tão incisivos quanto aos incentivos ao empreendedorismo. Uma iniciativa que devemos louvar e realçar é um programa do governo federal que incentiva as pessoas a trabalharem por conta própria. Nesse programa, que acaba de completar um milhão de inscritos em todo o país, a pessoa que tem um negócio próprio cujo rendimento bruto não ultrapasse R$ 36.000,00 e não seja sócio ou proprietário de outro negócio passa a ter a empresa aberta sem pagar nada e tem uma série de benefícios de natureza fiscal. Seria muito importante que esse limite fosse ampliado para pelo menos R$ 100.000 anuais. Isso, certamente, seria de grande significado para a nossa sociedade porque muitos negócios seriam abertos ou legalizados.

Que bom que existissem incentivos em grande magnitude para elevar o empreendedorismo em nosso país. Existem muitas pessoas com coragem e capacidade de enfrentar os desafios que empreendimentos requerem. Entretanto, faltam-lhes incentivos e oportunidades tanto das empresas para os que são empregados quanto por parte dos órgãos públicos para aqueles que são donos do próprio negócio. Os incentivos existentes por parte do governo ainda são muito incipientes e não atendem à demanda de todos os tipos de empreendimentos. As empresas que derem oportunidades aos seus empregados com perfil de empreendedor terão muito mais possibilidade de crescimento. O governo aumentando os incentivos ao empreendedorismo terá muito mais arrecadação de imposto e a sociedade terá muito mais emprego e desenvolvimento econômico e social.

sábado, 9 de abril de 2011

Chega de tanta violência no Brasil


A população brasileira tem sofrido muito com tanta violência, sendo vítima direta ou indiretamente dezenas de milhões de pessoas que quase nada podem fazer para evitar isso. Observa-se que a vida e o respeito às pessoas deixaram de ter importância para muitos, ficando a sensação de que o egoísmo descabido e injustificado prevalece sobre a vida humana. Por que existe tanta violência em nosso país? Quais são as causas dessa violência desnecessária? Qual é o custo da violência no Brasil?

A violência no Brasil está disseminada nos mais diferentes lugares e regiões e nas mais diversas formas. Seja no trânsito, no trabalho, na família, nas escolas, por agentes públicos ou em outros locais ou por quem quer que seja, a violência deve ser repudiada, abominada e punida com o máximo rigor da lei. A sociedade deve combater tudo isso exigindo das autoridades aplicação de leis existentes e aprovação de outras leis quando as existentes sejam ineficientes à inibição da violência.

Infelizmente, as autoridades somente se mobilizam para modificar a legislação sobre violência quando ocorrem fatos que chamam a atenção da mídia. Mas, logo depois de algum tempo esquecem e a situação fica como antes. Sabemos que dezenas milhares de pessoas são assassinadas todos os meses no Brasil seja por arma de fogo, arma branca, no trânsito ou por outros tipos, mas ninguém se mobiliza para que esses assassinos sejam punidos. O percentual dos assassinos que sofrem efetivamente algum tipo de pena é extremamente baixo, tornando o custo de se cometer esse tipo de crime muito pequeno. Para quem não teme o pecado ou não preza o bem comum, não preza o bem das outras pessoas, com a falta de punição à prática de crime tem-se um ambiente propício a atos criminosos, inclusive crimes de morte.

A violência consubstanciada pela agressão física e mental pelas polícias civil, militar e municipal, pelos motoristas que trafegam nas nossas estradas e ruas, pelos marginais e pelas pessoas comuns é uma das maiores mazelas existentes no Brasil. Não se pode apontar para uma causa única, mas para uma série de fatores que juntos produzem essas tragédias que são cotidianas para o nosso povo. Campanhas de incentivo ao respeito às pessoas e à vida dessas pessoas conjugadas com punição de todos os crimes, proibição do uso de arma de fogo por todos e ações preventivas de toda natureza poderiam ter efeitos positivos significativos em termos de diminuição dos crimes no Brasil.

Os efeitos negativos dos crimes não são caracterizados não somente pelas vidas perdidas (que por si só já são extremamente altos) e pelas seqüelas físicas e morais que a vítimas ficam, mas também pelo custo elevadíssimo para o país. Segundo levantamento de instituições como a Fundação Getúlio Vargas, entre outras, os custos da violência no Brasil giram em torno de 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Esses custos estão relacionados, principalmente, com os gastos com a segurança púbica, com a perda da força de trabalho que deixou de trabalhar ou porque a pessoa foi morta ou ficou inutilizada, pelos gastos com a segurança privada, com a diminuição de investimentos produtivos por falta de segurança e diminuição de impostos arrecadados pelo governo.

É preciso que todos se mobilizem para que o nosso país deixe de ser uma referência negativa no que se refere à violência. Não é possível assistir impávido senas de pessoas sendo mortas, violentadas física e mentalmente por pessoas comuns ou agentes do governo ser fazer nada. Vamos nos mobilizar por todos os meios viáveis para por um basta em tudo isso. Não é possível tolerar as organizações criminosas que intimida e extorque pessoas inocentes quando não as assassinas somente porque denunciou um crime ou testemunhou diante da polícia. Não é possível a tolerância a esse tipo de situação. A sociedade tem que exigir a liberdade, a segurança e o respeito sejam vivenciados por todos os brasileiros.

domingo, 3 de abril de 2011

A falta de profissionais qualificados necessita ser revertida


O crescimento e o desenvolvimento da nossa economia dependem além de infra-estrutura tais como estradas eficientes, portos e aeroportos, alteração na estrutura tributaria, mas fundamentalmente precisam de aumento na oferta de profissionais qualificados com formação que seja compatível com o que as empresas necessitam para alavancarem a produção de bens e serviços. A formação de profissionais passa a ser primordial para que não ocorram gargalos em muitas áreas da economia brasileira. O que deve ser feito para que haja uma oferta de mão de obra qualificada compatível com a demanda das empresas? Em que áreas deve haver maior atenção na formação de profissionais?

O grande problema que o Brasil está enfrentando no momento quanto à formação de profissionais diz respeito à qualidade dessa formação. Infelizmente, existem verdadeiras fábricas e lojas de diplomas que jogam no mercado profissionais sem a mínima condição de atuar na profissão para a qual recebeu comprovação de formado. Essa má formação está presente em todas as profissões e em todas as regiões do país. Desde as mais tradicionais e respeitadas como advogado, engenheiro, médico, etc. até outras menos conhecidas e respeitadas.

A gora é o momento de se dá ênfase na qualidade de todos os cursos, o nível da educação no Brasil necessita ter um salto muito grande em termos de qualidade. Uma das mostras dessa falta de qualidade no ensino é a grande quantidade de profissionais que estão trabalhando em áreas diferentes daquelas para as quais se formaram. Isso acaba levando profissionais se frustrando ao procurarem emprego, visto que o que aprenderam está aquém do que o mercado de trabalho exige. Na maioria das vezes, essas vagas que deveriam ser preenchidas por esses profissionais o são por profissionais de outras áreas, em razão de algumas empresas entenderem que é muito melhor ter esses profissionais do que ter profissionais da própria área, mas com uma péssima formação.

Isso tem ocorrido muito com os engenheiros ocupando cargos que seriam de administradores ou economistas. Dado que os programas de muitas faculdades que oferecem esses dois últimos cursos não são, ou não eram, exatamente o que o mercado necessitam e dado o maior domínio do ferramental matemática dos engenheiros do que a maioria desses dois tipos de profissionais tem levado várias empresas a preferirem os engenheiros a ocuparem postos que não são para engenheiros. Em razão disso, segundo o IPEA, em 2009 somente 38 dos engenheiros trabalhavam como engenheiros. É muito provável que esse percentual seja muito menor para outras profissões. Para que isso seja revertido é preciso que os outros cursos sejam melhorados muito, com readequação de programas e grades curriculares para que os profissionais não sejam enganados durante todo o período do curso e, principalmente, ao irem procurar emprego após a formatura.

É verdade que nenhuma instituição de ensino deixa o profissional totalmente pronto, é necessário treinamento no âmbito da empresa, mas apenas de adequação ou de readequação, não de formação. A empresa deve receber o profissional com os conhecimentos básicos solidificados, devendo apenas de aprimoramentos. Muitas vezes, as empresas gastam muito dinheiro e tempo com o treinamento de um funcionário por conta da má formação tanto do nível básico quanto do nível superior. É preciso eliminar esse gargalo que tanto atravanca a nossa economia e frustra muitas pessoas em seus desejos de exercerem uma profissão ao terminarem uma faculdade.