quarta-feira, 28 de abril de 2010

Brasil: A sua democracia e as suas necessidades


A força que o Brasil tem mostrado tanto interna como externamente é uma conseqüência da incontestável melhora nas suas condições econômicas, políticas e sociais ocorridas nos últimos quinze anos. Nesse período, o nosso país passou por transformações altamente significativas em vários contextos que levaram a refletir em sinais claros de melhora no padrão de vida das pessoas em geral. Entretanto, mesmo com vários indicadores em franca evolução, ainda existem muitas coisas e serem feitas e muitas outras precisam melhorar. O que precisa ser feito para que o povo brasileiro tenha uma vida melhor? Quais as nossas principais deficiências no contexto interno? Em que avançamos e o que ainda precisa de melhora?


Do ponto de vista político e de tomada de decisão, evoluímos com o aprimoramento da democracia e com a consolidação dos ditames democráticos, mas ainda existem muitas deficiências nos processos e no exercício da democracia. Práticas deploráveis de agentes públicos eleitos pela população ainda são corriqueiras. Apesar da atuação de órgãos de fiscalização e, em alguns casos, da própria população, casos de falcatruas e corrupção ocorrem com freqüência extremamente alta. É bastante louvável que possamos escolher todos os ocupantes de cargos que historicamente e no mundo todo são eleitos pelo voto, mas essa prática deve está acompanhada do cumprimento de regras claras de boa gestão, de atendimento aos princípios éticos, morais e respeito à sociedade. Nesse ponto precisamos evoluir significativamente.


Antes da implantação do Real, vivíamos em um mundo de incertezas e de instabilidades onde os preços se alteravam a uma velocidade muito alta a ponto de dificultar severamente os planos das famílias e das empresas além e provocar uma série de inconveniências que atrapalhavam fortemente a evolução do país tanto em termos econômicos como sociais. Esse problema foi superado, apesar do alto custo, com a implantação da nova moeda e do forte programa de estabilização que o acompanhava ainda existem muitas deficiências do ponto de vista econômico que afetam significativamente a nossa sociedade. A falta de oportunidades de trabalho para muitas pessoas ainda é latente, as dificuldades burocráticas em termos de aberto de negócios é um dos fatores impeditivos de nossa evolução. Pode-se acrescentar a isso a deficiência no que se ensina em nossas escolas e a notável falta de apoio aos empreendimentos individuais e médios por parte do poder público.


Quanto às condições de vida das pessoas mais pobres e aquelas que necessitam de serviços do setor público, apesar de vários avanços, ainda são pessimamente atendidas e em muitas ocasiões tem as suas demandas frustradas em razão de ineficiências dos serviços públicos brasileiros. Moradias para as pessoas pobres, saneamento básico nas periferias e serviços de saúde e educação oferecidos pelo setor público, que são para os pobres, são de péssima qualidade. Essas são áreas que as autoridades devem agir com muita atenção e cuidado para que a quantidade e, principalmente, a qualidade sejam compatível com um nível adequado de bem estar de toda a população brasileira. Deve-se criar um padrão que qualifique um nível mínimo de qualidade nesses serviços públicos que são ofertados aos pobres de nosso país.


O Brasil e o seu povo possuem todas as condições de obter um futuro bastante promissor, mas para que isso seja alcançado é muito importante que o poder público tenha como objetivo principal o ser humano, o povo brasileiro como um todo e sempre buscar atender os anseios da população da forma mais eficiência possível. É preciso urgentemente eliminar todos os bolsões de miséria que ainda vigoram em todo o país. Não é possível imaginar o Brasil entre as nações mais ricas do mundo tendo em seu território famílias totalmente desamparadas e sem nenhuma perspectiva de vida. Ao mesmo tempo, os agentes públicos (servidores concursados e eleitos) devem tratar a população com respeito. É inconcebível que ocorram abusos de autoridades cometidos por autoridades, notadamente por integrantes da justiça e da polícia, contra as pessoas. Infelizmente, isso tem ocorrido com bastante freqüência com níveis de gravidade variáveis, inclusive com várias mortes de pessoas inocentes cometidas por pessoas que deveriam protegê-las. Isso é intolerável.

sábado, 24 de abril de 2010

Ciro Gomes deveria ser uma ótima opção?


Dono de uma personalidade forte, mas de bom caráter, inteligência, perspicácia e larga experiência, Ciro Gomes pode ser aleijado da disputa presidencial de 2010 em razão da incompreensão da sua importância para o país e para o pleito deste ano. As maiores forças políticas pertencentes ao grupo ao qual ele pertence foram levadas, pela lógica, para onde tem o poder, para onde tem a caneta, para onde a possibilidade, teoricamente, de vitória é maior. O afastamento de Ciro Gomes da disputa pela presidência da república ajuda ou prejudica algum candidato dos que continuam na corrida eleitoral para esse cargo? O que o grupo do governo fez com o Ciro é justo? O Ciro Gomes merecia um tratamento muito melhor por parte do governo e do PT? O que o Ciro Gomes deve fazer ao ficar impedido de disputar a presidência da república do Brasil?


Desde o ano de 1982 quando disputou a sua primeira eleição para deputado estadual pelo Ceará e ficou na suplência, Ciro Gomes construiu uma carreira política e administrativa brilhante, sempre sendo muito respeitado tanto pelo que fez e pela sua opinião a respeito de determinados assuntos relevantes. Em todos os cargos que ocupou sempre foi destaque e merecedor de todos os elogios possíveis. Seja como deputado estadual, dirigente da Assembléia Legislativa do Ceará, prefeito de Fortaleza, Governador do Ceará, ministro da fazenda, ministro da integração nacional e candidato à presidência da república por duas oportunidades sempre mereceu destaque por suas atuações em todos esses cargos importantes que ele exerceu com todo brilho possível.


Muitas vezes, o que ele fala as pessoas distorcem ou querem dá uma conotação totalmente diferente do que deve ser dada. Mas, sempre o que ele diz tem como fundamento a verdade, a lógica e a inteligência da simplicidade. Por exemplo, quando ele diz que o José Serra tem mais capacidade, experiência e legitimidade para enfrentar eventuais crises, sejam econômicas, políticas ou de outra natureza, do que a Dilma ele simplesmente está replicando para o debate uma verdade e uma lógica. A comparação das experiências de Serra e Dilma, feita por qualquer pessoa que tenha o mínimo de bom senso leva, evidentemente, à conclusão a que o Ciro Gomes chegou. Evidentemente, em absoluto, isso não quer dizer que o José Serra seria mais bem sucedido em um eventual governo seu do que a outra candidata mais bem colocada nas pesquisas. Existem casos aos montes que mostram que pessoas que nunca exerceram cargos de muita relevância obtiveram sucesso muito significativo ao terem que assumir responsabilidades altíssimas e a terem que tomar muitas decisões muito importantes. Mas, de qualquer forma, o que o Ciro disse a respeito disso é uma verdade respaldada pela lógica.


De fato, houve um rolo compressor de pessoas ligadas ao governo que impediram que a candidatura do Ciro Gomes, tão legítima como as outras que estão postas, não lograsse êxito. A pressão de muitos sobre a direção do PSB, os arranjos regionais e uma série de outros fatores levaram ao naufrágio de uma esperança, ao apagar de uma luz da nossa democracia. A disputa deste ano poderia ser muito mais legítima se tivesse a participação direta do Ciro Gomes. O que o governo e o PT queriam para o Ciro, a disputa ao governo de São Paulo, não poderia se concretizar. Entre muitos outros fatores, pode-se dizer que ele não tem a vivência em São Paulo e não conhece a fundo os problemas de São Paulo. Que pena que os brasileiros não poderão ter a honra de poder escolher para presidente da república um homem de caráter, de respeito, de simplicidade, de moral, que tem a ética como princípio em toda a sua vida. A sua coragem para sempre dizer a verdade e o que realmente pensa lhe tem tirado vários privilégios, mas nunca o seu brilho porque Ciro Gomes é brilhante.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Mercado financeiro, economia e crise


O mercado financeiro ao longo do tempo tem proporcionado muita perplexidade entre as pessoas em razão das crises que são provocadas por ele. Sempre que isso acontece esse setor econômico é transformado em demônio e lavado à categoria de vilão da economia. Como sabemos, o mercado financeiro é dividido em vários ramos e cada um com suas peculiaridades, importância, regras, riscos e complexidade. Pode-se dizer que o mercado financeiro como um todo traz muitos problemas e dificuldades para a economia e a sociedade? Quais áreas do mercado financeiro são nocivas para a economia? As inovações financeiras são mais importantes para a economia do que os riscos e os custos sociais causados pelas crises que elas podem provocar?


O mercado financeiro representado pelos bancos de varejo e de investimento que levam crédito para o mercado produtivo, empresas, famílias e outras entidades responsáveis é muito importante para o bom funcionamento da economia, pois propicia o crescimento e o progresso econômico elevando, consequentemente, o padrão de vida das pessoas em geral. Muitos projetos de investimentos somente podem sair do papel com a interferência do mercado financeiro por meio de oferta de créditos. Muito raramente as instituições possuem recursos próprios suficientes para custear todas as despesas em seus projetos de expansão da produção, criação de empresas e outros tipos de gastos extraordinários. Não raramente, empresas e famílias recorrem ao mercado financeiro para solucionar problemas de caixa, visto que isso pode levar as empresas a ter problemas sérios em razão de falta de recursos financeiros. Então, o mercado financeiro pode salvar empresas que estejam precisando de ajuda. Muito embora, existam muitos casos em que nem o mercado financeiro pode salvar, restando apenas a falência.


Por outro lado, existem aquelas áreas do mercado financeiro que são extremamente férteis em produzirem milionários e bilionários em uma velocidade incrível, entretanto à custa do sofrimento, desemprego e miséria de muitas pessoas e países. A última crise econômica é testemunha disso. Operações financeiras altamente sofisticadas e entrelaçadas possuem o poder incrível de gerar riqueza fictícia onde muitas pessoas acreditam que podem ficar muito ricas e ficam, mas às custas de muitos perdedores. Na verdade, isso se transforma em um jogo em que apenas os mais “espertos” podem ganhar. Várias operações de trocas (as chamadas operações de “swaps”) são muitas vezes baseadas em outras operações da mesma natureza e possuem uma alta probabilidade de em algum momento no futuro gerar crises de altas proporções onde muita gente é atingida. Nesse momento, as perdas são totalmente socializadas. Os ganhos que os espertalhões obtiveram não são divididos com a sociedade, ao contrário, querem cada vez mais. Mas, nas crises causadas por essas irresponsabilidades milhões de famílias e muitos países sofrem perdas extremamente altas.


A economia moderna não pode existir sem a presença do mercado financeiro, mas pode perfeitamente passar sem a presença dessas operações sofisticadas que nada ou quase nada acrescentam à economia real, ao contrário, pode levar a perdas enormes para a sociedade. Empresas e famílias recorrem ao mercado financeiro para poderem viabilizar os seus projetos e desejos de investimento e consumo, o que pode levar ao crescimento da economia, geração de emprego e trabalho e melhora no bem estar da população. A regulação de todo o mercado financeiro é mais que necessária, é imprescindível. Se todo o mercado financeiro estando bem regulado, deixando a livre concorrência, mas impedindo que operações totalmente irresponsáveis ocorram, então esse lado sombrio e assustador desse importante segmento da economia seria quase que totalmente dissipado e o mercado financeiro como um todo seria muito mais importante para a sociedade e as conseqüências perversas desse mercado para a população deixariam de existir ou existiriam em escala infinitamente inferior do que a que acabamos de presenciar e continuaremos a presenciar se nada for feito.

sábado, 17 de abril de 2010

Brasília: sua importância para o Brasil


Brasília, desde o início de sua construção foi objeto de contestação e reprovação por várias pessoas. Dado o alto custo envolvendo na sua concepção e a distância dos principais centros urbanos do país muitas lideranças se voltaram contra. Na época houve também, por razões óbvias, forte resistência dos funcionários públicos federais que não queriam ser deslocados de um grande centro como o Rio de Janeiro para uma cidade isolada que acabara de ser criada. Ainda hoje se ouve pessoas se referirem à capital do Brasil de forma pejorativa. O que você acha de Brasília: ela é necessária ou o Brasil poderia está melhor sem a construção dessa cidade? Seria melhor a capital ter ficado no Rio de Janeiro? Os escândalos têm alguma relação com a cidade?


A atual capital do nosso país foi fruto da visão estratégica de Juscelino Kubitschek (JK) que via naquele lugar no Planalto Central o local ideal para iniciar o desenvolvimento do interior Brasil e diminuir a pressão nos grandes centros brasileiros, notadamente no Rio de Janeiro. É verdade que em séculos passados já se vislumbrava a construção da capital naquele local ou próximo a ele, mas foi no governo de JK em que ações concretas foram tomadas e o antigo sonho se tornou realidade para todos os brasileiros. Certamente, a antiga capital brasileira não teria condições de suportar afluxo de gente que muito possivelmente viriam caso continuasse capital da nação até os dias de hoje. O grande número de comunidades e favelas que se formaram no Rio certamente seria infinitamente maior se JK tivesse dado ouvidos aqueles que contestavam a sua saga.


É verdade que em Brasília ocorreram vários escândalos políticos com falcatruas das mais diversos matizes e envolvendo os mais diversos partidos políticos e pessoas que, a princípio, não levantavam qualquer suspeita. Mas, há de convir que esses escândalos poderiam ocorrer em qualquer cidade, como, de fato, tem ocorrido. Isso ocorre não por culpa da cidade ou de sua localização, mas por diversas outras razões que não possuem nenhuma relação com a cidade e nem de seus habitantes. A política brasileira precisa melhorar significativamente para que isso deixe de ocorrer. Brasília com a sua arquitetura, monumento, estrutura e localização e suficiente para superar qualquer escândalo que venham ocorrer em seu território.


Neste 21 de abril de 2010, a nossa capital completa seus cinqüenta anos de fundação que tanto frutos já deu ao Brasil e ao seu povo. Brasília, com seus problemas de concentração de renda, das dificuldades em certos atendimentos nos serviços públicos aos mais pobres, notadamente na área da saúde, e tantos outros problemas tem se revelado como um orgulho para a nação brasileira. A contestação bastante pertinente de que a construção da nova capital, em razão das altas somas de recursos públicos envolvidos, levou à escalada de inflação nos anos seguintes que por sua vez levaram a diversos problemas econômicos e políticos, é muito mais que superada pela exuberância da nossa capital. Os brasileiros têm orgulho de sua atual capital e agradecem ao visionário presidente que governou Brasil entre 1956 e 1961 (JK) que com a ajuda de um arquiteto (Oscar Niemeyer), um urbanista (Lúcio Costa) e tantas outras pessoas fizeram o Brasil ser uma nação maior, mais rica, mais visível e muito mais respeitada.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

As desigualdades regional e pessoal de renda precisam diminuir


Quem viaja pelo Brasil em todas as regiões e em várias cidades em cada uma das cinco regiões em que o nosso país está dividido encontra muitas disparidades de renda e riqueza. A diferença é visível, qualquer pessoa pode perceber os sinais de riqueza e os de pobrezas que emergem em uma mesma cidade, em um mesmo estado, em uma mesma região e de uma para outra região. Quais as principais causas que levam à existência dessas diferenças de renda? O que se deve fazer para amenizar a concentração na renda e riqueza em nosso país? Os governos têm tomado medidas adequadas para melhorar esse indicador em nossa economia?


Fatores econômicos, históricos e sociais explicam uma boa parte das diferenças de renda existentes entre o Norte e Nordeste e Sul e o Sudeste. O Centro-oeste é uma região que do ponto de vista de desenvolvimento fica numa posição intermediária em razão, principalmente, do alto nível do seu agro-negócio. Utilizando-se de tecnologia altamente desenvolvida e terras férteis, o Sudeste pode ter primeiramente uma lavoura com alta produtividade e depois passou a ter também uma indústria altamente desenvolvida gerando altas rendas para os seus proprietários e seus empregados. O mesmo ocorreu com o Sul tempos depois, embora em uma escala menor, mas em ambos os setores, agropecuário e indústria, gerando altas rendas. Já nas últimas décadas, o setor de serviços tem tido uma dinâmica própria e proporcionado pelos outros dois setores gerando grandes rendimentos para os indivíduos que participam desse setor econômico.


Enquanto isso, o Norte e o Nordeste não tiveram setores dinâmicos que pudessem proporcionar altas rendas para os seus habitantes, apenas uns poucos centros tiveram algum êxito em projetos industriais ou agropecuários, mas muito aquém dos verificados nas duas regiões mais ricas do país. Mas, nas próprias regiões ricas existem bolsões de miséria e pobreza. O Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais e o Vale do Ribeira em São Paulo, por exemplos, são muito pobres se comparadas com o restante de cada um de seus estados. Mesmo em cidades grandes e ricas como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre existem bolsões de miséria com pessoas morando em barracos sem, muitas vezes, ter o que comer. Não pode ser admissível que muitas pessoas vivendo quase que morrendo de fome enquanto que muitas outras vivendo na luxúria e desperdícios.


Uma nação que almeja pertencer ao primeiro mundo, ser um país rico, não pode aceitar conviver com uma situação dessas. Algo tem que ser feito para mudar, para sair disso. Não adianta colocar a culpa ou a obrigação apenas para uma um nível de governo e nem somente para o governo, mesmo sendo o governo em geral. Toda a sociedade juntamente com poder público é chamada para realizar a transformação. Transformar a nação brasileira em um povo com oportunidades, com renda que possa proporcionar viver bem e a pobreza e a miséria dêem lugar a uma sociedade que seja mais justa e muito menos desigual em termos de renda da existente atualmente. Infelizmente, até hoje o que os governos fizeram não lograram diminuir acentuadamente as diferenças em razão da exigüidade das ações governamentais nesse sentido e da pouca fiscalização exercida pelo poder público.


Incentivos fiscais para projetos específicos devem ser implementados tanto para os estados das regiões mais pobres quanto em bairros pobres das grandes cidades brasileiras e em municípios pobres de estados ricos. É verdade que existem exemplos onde recursos destinados a diversos projetos de desenvolvimento foram objetos de falcatruas e corrupção, mas isso não significa que as pessoas que moram nesses lugares devem ser condenadas a viverem permanentemente na pobreza ou então migrar para as regiões ricas. Certamente, essa duas últimas alternativas não podem ser consideradas. As favelas devem ser urbanizadas, seus habitantes devem ser educados com ensino formal profissionalizante e dadas oportunidades tanto de obter um bom emprego quanto de trabalhar por conta própria com toda assistência do poder público. Quanto às regiões pobres, tanto do país, quanto dos estados ricos, devem, sim, haver forte incentivo fiscal e de diversas outras naturezas com alto grau de fiscalização e levar aos seus habitantes o mesmo que foi proposto acima para os moradores das áreas mais pobres das grandes cidades.

sábado, 10 de abril de 2010

Corrupção prejudica muito mais do que ajuda


O termo corrupção que tanto está presente na mídia por conta da prática de atos ilícitos, imorais, contra as leis por parte de várias pessoas que ocupam cargo no poder público e privado é muito mais vasto e muito mais praticado do que se imagina. Pessoas comuns podem ser corruptas e podem até pensar que não sejam. Embora o poder possa transformar as pessoas, os princípios da moralidade muitas vezes são esquecidos quando a pessoa tem que tomar uma decisão onde ela tem a oportunidade de sair ganhando mais mesmo com prejuízo para outra pessoa, seja física, jurídica ou a própria sociedade. O que faz as pessoas praticarem atos de corrupção? O poder aumenta a possibilidade das pessoas praticarem corrupção? O que deveria ser feito para diminuir a corrupção existente no Brasil?

Todos nós sabemos que atos ilícitos não são praticados somente por políticos, mas igualmente pessoas comuns sempre que tem oportunidade de tirarem alguma vantagem de determinada situação o fazem, sem se importar, em muitas das vezes, se isso poderá causar algum tipo de prejuízo ou dano a algum outro indivíduo. Isso ocorre muito quando alguém dirige um veículo em uma velocidade acima da permitida, mas quando chega próximo de um radar reduz a velocidade do veículo para evitar receber uma multa por excesso de velocidade. O mesmo pode-se dizer quando alguém estaciona o seu veículo em uma vaga reservada para deficiente ou idoso. Todos os casos relacionados à infração das leis de trânsitos podem ser considerados como atos de corrupção e seus infratores podem perfeitamente ser taxados de corruptos da mesma forma que os políticos que praticam atos ilícitos os são. Em ambos os casos a sociedade é prejudicada, em ambos os casos pessoas saem prejudicadas, a sociedade sai prejudicadas e até vidas podem ser perdidas por conta desses atos.

A corrupção não é privilégio somente do Brasil, mas ela está presente em todo o mundo. Em todos os países se pratica atos ilícitos ou reprováveis, embora a incidência seja mais alta em uns do que em outros países. Muitas vezes as práticas se dão de forma quase que inconsciente, mas sempre voltadas para levar vantagens. Pelo mundo a fora, muitas empresas tiveram sérios prejuízos ou até foram à falência por conta de “espertezas” de empregados que queriam levar vantagens para si em prejuízo para a organização ou então não mediu corretamente os riscos envolvidos para a empresa em determinadas operações nas quais lograriam grandes ganhos. Casos em que empresários que levaram uma vida para construir um patrimônio e que perderam uma parte muito grande do mesmo em razão de empregados corruptos existem aos montes. Na maioria das empresas, existe algum tipo de corrupção praticada pelos seus empregados, sempre objetivando levar alguma vantagem para os mesmos em prejuízo para outrem.

Estudos em todo mundo tem sido feitos sobre corrupção e as suas principais conclusões são de que as pessoas que possuem algum tipo de poder estão mais propensas a praticarem atos ilícitos do que outras que não possuem nenhum poder. Na verdade, sempre que uma pessoa está diante de uma decisão e essa decisão depende somente dessa pessoa, então ela tem o poder e, em razão disso, poderá terminar por decidir por levar alguma vantagem indevida. Quando alguém está fazendo a sua declaração de imposto de renda, por exemplo, e tem a oportunidade e omitir algum ganho tributável ou de inserir alguma despesa médica ou outra que abata o seu valor a pagar o aumente o seu valor a receber, então ele está decidindo por levar vantagem de forma indevida, de forma indireta, sobre a sociedade.

É muito difícil ver uma pessoa e dizer que ela não tem propensão a praticar algum ato de corrupção. Muitas vezes uma pessoa que não apresenta ter característica de alguém que seja corrupta, mas que ao ter uma oportunidade concreta pode se transformar em um dos maiores protagonistas dessa prática deplorável. Mesmo investigando o passado de uma pessoa é difícil saber se ela irá praticar algum tipo de corrupção, mesmo porque ela pode praticar um tipo de ato ilícito e não praticar outros tipos. Formar uma pessoa que seja isenta da possibilidade de realizar tipos de ilícitos deve iniciar do berço. Cuidar muito bem, ensinar muito bem o que é certo e errado, fazer que acredite piamente que não devemos prejudicar outra pessoa, ensinar que sempre devemos respeitar todas as leis, que não devemos transgredir qualquer tipo de norma. É verdade que existem pessoas que mesmo com uma rígida educação e ensinamentos desse tipo desde o berço podem ainda desobedecer, mas, certamente, a incidência será bem menor do que nas pessoas que não tiveram qualquer tipo de ensinamento desde a infância sobre isso.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

As instituições de ensino deveriam ser obrigadas ofertar boa educação?


Muito se tem escrito, falado e discutido sobre educação, o que ensinar, como ensinar, enfim, tem havido um grande debate sobre educação, mas na grande maioria das vezes tem-se esquecido do principal: As pessoas estão aprendendo de verdade? As escolas estão oferecendo educação que qualidade que seja suficiente para transformar os estudantes em verdadeiros protagonistas do desenvolvimento e do progresso de nosso país? As escolas devem ser públicas ou privadas? Deve haver um limite mínimo na qualidade dos cursos oferecidos por toda e qualquer escola ou faculdade pública ou privada?


Não resta dúvida que as respostas a essas e outras questões são sempre carregadas de teor ideológico que, evidentemente, empobrece enormemente o debate do tipo e da qualidade do ensino em nosso país. Em todo o Brasil, não somente nas pequenas cidades do interior, mas também nos grandes centros, o que se ensina está muito aquém das reais necessidades dos estudantes. Existe uma quantidade enorme de alunos que concluem o segundo grau que possuem um nível de conhecimento muito inferior ao que um do primeiro grau deveria saber. São pessoas que concluem o ensino médio que não deveriam ter saído do ensino básico. Isso é um crime que cometem contra esses indefesos. Essas pessoas dificilmente conseguirão almejar grandes horizontes em suas vidas profissionais. Esse tipo de absurdo ocorre, principalmente, nas escolas do setor público, notadamente municipais e estaduais.


O mesmo se pode dizer das faculdades e universidades privadas que, com raras exceções, são protagonistas de ensino de péssima qualidade enganando muitas pessoas que ao se formarem em seus cursos pensam que estão preparadas, mas ao entrar no mercado terão uma terrível surpresa. De 1995 para cá houve uma verdadeira proliferação de escolas privadas de ensino superior que ensinam muito mau e transformaram essa atividade em um negócio que já formou diversos impérios empresariais no Brasil. É um negócio altamente lucrativo que deixam muti milionários os empresários dessa área e os estudantes com o tempo perdido, desperdiçado um bom dinheiro e sem perspectivas no mercado de trabalho. Esses estudantes para terem algum sucesso profissional devem fazer vários outros cursos complementares ou estudarem bastante por conta própria, coisa que muitos não possuem aptidão para fazer isso.


Diante de tudo isso, está bastante claro que tanto nas escolas do ensino básico e médio quanto nas faculdades deve existir um limite mínimo que deixe o nível do ensino em um ponto considerado adequado. Isso, evidentemente, não deve ser definido pelos que oferecem o ensino, mas pelo governo federal e por um grupo de especialistas totalmente desvinculados das instituições de ensino. As escolas que não ensinam o que os alunos deveriam aprender devem ser submetidas a regras que façam com que a qualidade seja aumentada até a um grau em que os seus estudantes fiquem competitivos. Deve haver um padrão mínimo que ao não ser atingido, os seus diretores, professores e demais funcionários deveriam passar a ser penalizados severamente.


O mesmo pode se dizer das faculdades e universidade. Deve haver um nível mínimo na qualidade do ensino que caso fique abaixo, a diretoria e seus donos passariam a ser fortemente penalizados. Entretanto, esse nível mínimo não deveria ser baixo, deveria ser compatível com os melhores cursos oferecidos no país. A competição não deve ser aplicada no ensino, a educação é muito importante para as pessoas e para o nosso país para deixar ao sabor do mercado. Deve haver, sim, controle pelo puder público e da sociedade dessas faculdades privadas visando fazer com que elas ofereçam ensino universitário digno desse nome. Os empresários dessa área deveriam ser submetidos a regras bem rígidas na oferta de seus serviços. Não se deve brincar de faz de conta com a educação.

sábado, 3 de abril de 2010

Mais respeito ao dinheiro público


A seriedade que se deve ter com o dinheiro que é arrecadado da população para o setor público brasileiro nas mais diversas formas e tipos deve sintetizada no cuidado que se deve ter com ele ao mesmo tempo de ser muito bem aplicado com eficiência, eficácia e com coisas que realmente rendam frutos e resultados para as pessoas para as quais devem ser destinados. Todos os anos centenas de bilhões de reais são transferidos dos bolsos dos cidadãos brasileiros para os cofres públicos. Uma parte possui destinação certa, entretanto, a grande maioria deve ser aplicada conforme a determinação das autoridades. Você confia no uso dos seus impostos pelas autoridades? As pessoas deveriam fiscalizar mais os governos e as prefeituras? Você confia nos órgãos de fiscalização?


Os estados e municípios além dos recursos que arrecadam por meio de cobrança de impostos como o IPTU, IPVA, INSS, ISS e muitos outros também recebem verba da União na forma de convênios e de forma voluntária. São aqueles recursos que são repassados para esses entes da federação, mas que não fazem parte dos Fundos de Participação dos Municípios ou dos Estados nos quais a União é obrigada a repassar. Estima-se que existam cerca de 230 mil convênios em que a União aplica recursos em projetos dos estados, municípios e de entidades sindicais e não governamentais envolvendo cerca de R$ 70 bilhões de recursos do governo federal. São convênios envolvendo os mais diversos tipos como recuperação ou construção de estradas, ruas, moradias, escolas, pontes, implantação de cursos e mais uma série de outros onde os recursos do governo federal complementam os recursos do município ou do estado ou de entidades.


Sabemos que existem muitos prefeitos, vereadores, secretários, governadores e deputados que trabalham com afinco em prol do povo, dão até o próprio sangue para conseguir isso. Eu acredito que a maioria das pessoas que ocupam cargos públicos desse nível é constituída de pessoas desprovidas de qualquer conotação com a corrupção e que tem o grande objetivo melhorar a vida das pessoas. Entretanto, todos nós sabemos que também existe, embora em quantidade menor, um grande número de pessoas que ocupam esses cargos para obter vantagens pessoais, para ficar rico, para melhorar a própria vida e a de seus familiares. Não é raro encontrar pessoas que eram pobres e passaram a ostentar grande quantidade de riqueza após exercerem cargos de prefeito, governador, etc. Em cidades do interior do país se encontra muito isso. A origem dos recursos objeto de corrupção são dos mais diversos tipos, mas uma grande parte é oriunda desses convênios, visto que existe muito pouco controle por parte do governo federal.


Agora que se está implantando um sistema no qual os recursos só serão liberados após uma série de comprovações em que a prática de corrupção fica quase que impossível. Isso é bastaste louvável, mas esperamos que esse sistema funcione de verdade e que os recursos repassados pelo governo federal sejam realmente destinados ao povo. O que se deseja é que os recursos sejam aplicados e geridos com seriedade, levando aos resultados esperados. Infelizmente, encontramos muitos municípios onde a pobreza impera junto à população enquanto que os seus mandatários que já são ricos ficam mais ricos ainda. As pessoas que se candidatam a algum cargo público elegível devem passar seriedade, honestidade e lealdade aos princípios éticos para o povo e ao assumir o mandato por em prática apenas os interesses da população. Se a vida dessas pessoas melhorasse, a do povo deveria melhorar na mesma proporção. O termo corrupção deve ser banido do vocabulário e da vida de qualquer pessoa que exerça cargo público. Que bom seria se as pessoas olhassem para todos os políticos e vissem neles exemplos de honestidade, respeito às pessoas e ética.