quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A importância do Estado na nossa economia

Os investimentos públicos constituem uma das ferramentas mais importantes para o desenvolvimento de uma nação. O investimento público além de aumentar a renda por meio do aumento do emprego e das receitas de muitas empresas, ainda deixa uma estrutura para ser usufruída pela população tais como estradas, escolas, hospitais, sistema de esgotos, etc.


Ao contrário do que dizem muitos técnicos pertencentes à ortodoxia econômica, os gastos públicos, principalmente os investimentos, têm a capacidade alavancar uma economia, notadamente quando essa economia está com sérios problemas como um baixo crescimento ou em uma recessão. Nesses momentos, os investimentos públicos e privados tornam-se complementares, os segundos acompanhando os primeiros. O mecanismo pelo qual isso ocorre é que o aumento das compras do governo aumenta as vendas das empresas e conseqüentemente, os empregos e os lucros nestas últimas. Tanto as compras da administração direta quanto das empresas estatais proporcionam praticamente os mesmos efeitos para a economia. Com referência aos investimentos, além de proporcionarem os mesmos efeitos das compras em geral do governo, tem a vantagem de elevar a produtividade das empresas privadas no futuro como são os casos de construção de escolas, hospitais, estradas, casas, etc. Evidentemente, o setor público não deve tomar o lugar das empresas privadas, deve agir de forma a complementar a atuação desse setor.


O Brasil, desde o início dos anos 1950 até o final dos anos 1970 passou por uma transformação, saindo de uma posição de país notoriamente agrário para um país industrial, com uma economia respeitada e com uma alta produtividade. Isso só foi possível porque o Estado foi o indutor dessa transformação. Dado que as empresas privadas nacionais não tinham condições de investir pesado em setores que exigiam investimentos em larga escala como a mineração, siderúrgico, energia, etc. e os investimentos estrangeiros não eram tão abundantes, não restou outra alternativa a não ser o Estado entrar de forma forte na esfera da produção. Neste contexto, foram se solidificando vários grupos empresariais nacionais de destaque, além de grandes grupos estrangeiros em áreas como a indústria automobilística, química, entre outras. Mas, vale salientar que somente por ação do governo, seja por meio de incentivos ou por outros meios que esses grupos se estabeleceram em nosso país.


No decorrer das décadas de 1950 até 1980, as várias estatais brasileiras além de servirem de indutoras do crescimento econômico, serviram para controlar o nível de preços ao postergar os reajustes de preços de seus produtos ou serviços. Isso ocorreu diversas vezes quando a inflação estava saindo do controle. Certamente, muitas áreas que hoje o Brasil é referência no mundo se não tivesse havido uma decisão política no passado do Estado ser o responsável pelo seu desenvolvimento atualmente seríamos apenas um espectador assistido esse progresso em outra nação. Nos anos 1990, ou por ideologia ou por ineficiência em algumas empresas, a maioria das empresas estatais brasileiras foram privatizadas, tirando do governo uma parte da capacidade de atuar diretamente na economia, mas ainda deixando uma capacidade muito grande, seja por meios inerentes ao de Estado ou por algumas empresas poderosas que ainda ficaram em poder do Estado.


Em um momento em que o mundo está vivendo grandes abalos na economia, merece uma reflexão a respeito da responsabilidade do Estado com o desenvolvimento e o pregresso de uma nação. O contexto atual é totalmente diferente do existente quando o Estado brasileiro passou a ser o indutor da nossa economia, mas as circunstancias atuais exigem uma posição muito mais firme deste agente do que se tem sido adotada nos últimos 25 anos. Certamente, não se exige que o Estado brasileiro crie empresas para atuar diretamente no setor produtivo em concorrência com as empresas existentes atualmente. O que se espera é a atuação do Estado, dando incentivo, financiamento para a construção civil (altamente intensiva em mão de obra), dando crédito a todas as outras empresas que estejam necessitando e não conseguem pelos meios tradicionais e atuação direta em muitas áreas que assim seja exigido. Neste momento, seria muito importante que os governos (federal, estaduais e municipais) passassem a investir pesadamente na construção de casas populares, estradas, saneamento básico, escolas, pontes e viadutos, etc. Ao fazer isso em alta escala, estaríamos muito mais confortáveis diante da crise, com muito mais emprego, várias empresas de diversos setores estariam lucrando e contratando funcionários e nos próximos anos teríamos um país com uma excelente infra estrutura. Para fazer isso, é preciso que se tenha coragem, visão de futuro, pensar no povo e trabalhar para o povo. Infelizmente, existe uma escassez de homens públicos que tenham essas qualidades.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

A idade média do brasileiro está aumentando e os desafios também

A população brasileira nos últimos anos tem ficado mais velha, mais experiente, entretanto, demandando mais ações de políticas públicas e, conseqüentemente, mais recursos do poder público. Em que medida o envelhecimento da nossa população afeta a tomada de decisão das nossas autoridades no atendimento às demandas dos idosos? É um bom sinal termos uma população idosa?


No período compreendido entre 1991 e 2007 a expectativa devida do povo brasileiro passou de 67 anos para 73 anos e a perspectiva é que em 2015 as pessoas brasileiras tenham uma expectativa de viver 75 anos. Em 2010 o Brasil terá 24,5 milhões de pessoas com mais de 60 anos, dez anos depois, em 2020, a população com essa idade deverá ser de 31 milhões. Em termos percentuais, em 1970 a população idosa era de 5,1% da população total do Brasil, em 2000 esse percentual era de 8,6% e em 2010 será de 10,5%. Portanto, a participação das pessoas consideradas idosas tem tido um aumento muito grande nesses últimos anos. Se continuar nesse ritmo, a tendência é que nos próximos 30 ou 40 anos a participação de idosos na população brasileira seja igual à verificada nos países desenvolvidos.


Nos Estados Unidos, no ano de 2000, a população com mais de 60 anos correspondia a 16,2% da população total daquele país. A Europa nesse mesmo ano, a população idosa correspondia a 20,3% da população total. Na América Latina, esse percentual era de 8%. Na Europa, a participação dos idosos é mais acentuada do que em outros países em razão da implantação de políticas de ajuda á população, a chamada “política de Bem Estar Social” que deu um padrão de vida bastante confortável á população em geral, o que ajudou a combater muitas doenças, desnutrição, mortalidade infantil, violência entre os jovens, etc. Estas são as principais causas que impedem o aumento de expectativa de vida de uma nação. Nos Estados Unidos e em outros países como o Japão não tiveram, de forma explícita, programas como o implantado em vários países da Europa, mas como a suas economias cresceram muito e aumentou muito a renda da população, os benefícios que poderiam vim do Estado a população os obtiveram, em grande parte, por meio de seus próprios recursos.


Um fenômeno que está ocorrendo em nosso país é o aumento das pessoas com mais de 80 anos. No ano de 2000 a população com 80 anos ou mais era 1,8 milhões, o que correspondia a 1,09% da população total e a 13% da população considerada idosa (acima de 60 anos). No ano de 2020 a perspectiva é que essa população chegue a 6 milhões, o que corresponderá a 2,7% da população total e a 19% da população idosa.


No Brasil, esse envelhecimento na população, apesar de ser um fenômeno mundial, é causado por uma série de fatores que convergem para a melhora nas condições de vida das pessoas. Programas, sejam do setor público ou do chamado terceiro setor, tem diminuído de forma exponencial a taxa de mortalidade infantil por meio de cuidados médicos e alimentares, o avanço na medicina e o acesso a serviços médicos com mais facilidade por uma boa parte dos pobres (apesar de ser ainda bastante precária) tem ajudado muito a prolongar a vida de muitas pessoas. Por outro lado, temos na violência entre os jovens um dos fatores que afetam negativamente a nossa expectativa de vida. Com esse crescimento na participação das pessoas idosas, tem-se um desafio muito grande para os nossos governantes.


Essa população passa a demandar muito mais serviços públicos, principalmente serviços de saúde e assistência social. Com a diminuição da formalização do mercado de trabalho, onde muitos trabalhadores não estão regularmente registrados, e conseqüentemente não contribuem para a Previdência passarão a receber uma contribuição mínima em sua aposentadoria por idade. Com a redução da taxa de fecundidade das mulheres brasileiras, tem-se um outro fenômeno que é a diminuição do estoque de jovens, o que levará ainda mais à diminuição de pessoas que contribuem para a Previdência Social, criando-se um problema seriíssimo para o futuro não muito distante: Como é que se poderá sustentar o sistema de aposentadoria com menos contribuição e muito mais aposentados? São desafios que os próximos governantes terão a obrigação de responder à altura das necessidades de nossa população idosa, experiente e exigente.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A reação do Brasil frente à crise é adequada?

Com a crise que surgiu de forma mais forte em meados do segundo semestre do ano passado, diversos países reagiram com a implementação de ações do governo tentando amenizar as conseqüências para as pessoas, para as empresas e para os próprios países. Nesse contexto, quais foram as principais ações tomadas pelo governo brasileiro? Elas têm proporcionado algum resultado?


Como é sabido, em setembro de 2008 ocorreu um aprofundamento da crise que já estava instalada nos Estados Unidos desde 2007. Com isso, o Brasil foi afetado diretamente em pelo menos quatro áreas fundamentais para o bom andamento da economia: fortíssima restrição ao crédito, forte queda no comércio mundial, aumento dos estoques e forte diminuição nas expectativas dos agentes econômicos. Essas são áreas bastante sensíveis à atividade econômica, fatores que afetem-na negativamente, certamente levarão problemas sérios para a economia de um determinado país.


No Brasil, os setores pertencentes ao comércio, à indústria e à agricultura sentiram os efeitos da crise, embora em menor magnitude dos verificados em muitos outros países. O comércio, apesar de finalizar o ano de 2008 com um crescimento de 15,1% em relação ao ano anterior, houve uma redução nos três últimos meses do ano. A indústria vinha em um ritmo de crescimento de cerca de 7% ao ano e finalizou o ano de 2008 com 3,1%. A agricultura nesse ano que passou teve um crescimento de 5,81%, bem abaixo do esperado, mas muito superior ao aumento da população. A pecuária teve um desempenho muito mais favorável, crescendo 8,56% no ano passado.


O ano de 2009 iniciou e os governos tentando por todos os meios encontrar formas de minimizar os efeitos perversos dessa crise para a sociedade. O Brasil, tem tomado diversas medidas. Entre as principais medidas tomadas pelo governo brasileiro podem-se destacar as seguintes: Diminuição dos depósitos compulsórios (depósitos que os bancos são obrigados a reter provenientes de todas as aplicações), rapidez nas operações de redescontos (empréstimos do Banco Central aos bancos em geral), autorização ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal (CEF) a comprarem instituições financeiras em dificuldades, aumento do capital do BNDES para emprestar às empresas que tenham dificuldades em obter crédito no sistema bancário, anúncio de ajuda ao setor imobiliário por meio da CEF, redução de tributos em diversos bens tais como veículos, aumento de investimentos em infra estrutura com verba do PAC tais como saneamento básico, moradia, ferrovias, portos, etc. Além desses, existem os investimentos das estatais, notadamente a Petrobrás, cujos projetos em curso remontam dezenas de bilhões de dólares anuais.


Essas ações têm levado a nossa economia a ter uma minimização dos efeitos da crise. Entretanto, faz-se necessário que todos os outros países também tomem ações semelhantes. Caso contrário, uma parte dos efeitos positivos advindos da atuação do governo será dissipada para outros países que não fazem nada ou fazem pouco, é o que se chama de “carona”, ou seja, obtém as vantagens sem se esforçar. Como os últimos números da economia real têm demonstrado, o nosso país está na direção da recuperação dos efeitos negativos verificados nos últimos meses. Certamente, isso já é fruto das ações tomadas pelo governo. Caso o governo tivesse ficado passivo, sem agir, estaríamos passando por seriíssimas dificuldades, provavelmente já estaríamos vivendo numa fortíssima recessão. Segundo o Banco Central, o crédito já está no nível de antes da crise e várias empresas estão planejando investir. Isso é a volta da confiança. Aqueles que pensam que a nossa economia crescerá em 2009 em torno de 1% estão enganados e ao final deste ano os seus números se revelarão falsos.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Existem meios para reduzir a pobreza em nosso país?

De acordo com algumas definições, uma pessoa está em situação de pobreza quando as suas necessidades básicas não são atendidas plenamente. Essas necessidades básicas são: ter alimento, estudar, vestir-se, se locomover, higiene pessoal, etc. Quais são os fatores que levam as pessoas terem ascensão social, saírem da pobreza? Quais são os meios para reduzir a pobreza em nosso país?


Historicamente, nos últimos 30 e 40 anos, a quantidade de pessoas com insuficiência de renda teve uma redução significativa. De 1970 até 2005, a quantidade de pobres caiu de 61 milhões para 34 milhões, isso apesar nesse mesmo período o Brasil ter passado de 70 milhões para 185 milhões. Por sub período, de 1970 a 1980 a quantidade de pobres em relação à população total do país passou de 68,4% para 35,3%. Durante a década de 1970, a pobreza teve uma redução, em média, de 6,4% ao ano. Em 1990, a pobreza estava presente em cerca de 30% da população. Durante a década de 1980, houve oscilações bastante fortes nesse indicador. Em razão das fortes quedas na taxa de crescimento experimentadas pela nossa economia no início da década de 1980, em 1983 a quantidade de pobres correspondia a 41% da nossa população. Entretanto, ao final de 1986 a quantidade de pobres correspondia a 23,5% da população, em razão dos ganhos momentâneos obtidos pelo Plano Cruzado. Após a implantação do Plano Real em 1995, o patamar de pessoas que vivem na pobreza passa para cerca de 20% da população.


Em um excelente trabalho dos economistas Roberto Cavalcanti e Sonia Rocha, por meio de regressões obtiveram um alto poder de explicação da redução da pobreza pelo aumento do PIB per capita (o PIB divido pela população do país). Segundo eles, em toda a década de 1970 o PIB per capita cresceu 6,04% ao ano, enquanto que a redução da pobreza foi de 6,40% ao ano. No período de 1980 a 2004 o PIB per capita cresceu em média 0,32% ao ano, enquanto a pobreza teve uma redução, em média, de 2,35% por ano. Isso significa que apesar da taxa de crescimento da economia explicar a maior parte da redução da pobreza, ela não explica tudo, existem outros fatores bastante importantes que devem ser considerados na atenuação do nível de pobreza em nosso país. Entre esses fatores, pode-se mencionar os mais importantes: educação, desigualdade de renda, inflação e políticas de rendas.


É sabido e notório que a partir de meados da década de 1970 o governo tem investido pesado em educação, notadamente nos últimos 25 anos. Isso tem proporcionado a muitas pessoas obter melhores rendimentos, elevando um pouco o seu nível no extrato social. A desigualdade de renda em nosso país é considerada uma das maiores do mundo, o que deixa uns com muitas riquezas e muitos outros com praticamente nada, muito abaixo da linha de pobreza, sendo considerados abaixo dos pobres, ou seja, eles têm que melhorarem de vida para serem considerados pobres. A inflação proporciona um tipo de perda muito grande para os pobres, que é o chamado imposto inflacionário, no qual o dinheiro que é retido no bolso da pessoa, no salário (trabalha o mês todo e recebe apenas no final do mês ou no início do outro) ou em conta sem ser remunerado perde o valor que tinha quando a pessoa passou a ter direito sobre ele. É notório que logo após os lançamentos dos planos Cruzado e Real houve uma quantidade muito grande de pessoas que passaram a consumir o que não podiam consumir antes, isso de deu, em grande parte, em razão da redução para quase a zero do imposto inflacionário. A política de rendas, notadamente o reajuste do Salário Mínimo acima da inflação e ajudas diretas tais como Bolsa Família, Prouni, entre outros têm proporcionado a muitas pessoas saírem do nível de pobreza em que viviam há muitas gerações.


É muito desanimador ver lugares em que casas e apartamentos valem milhões de reais e não muito longe dali ver barracas em que muitas vezes as pessoas não têm nem o que comer. A dignidade da pessoa passa pelo direito a não passar fome, ter vestimentas, ter escolas para seus filhos e ser bem atendidos em hospitais quando precisar. Esses direitos muitas vezes são negados a milhões de pessoas por nosso país afora. Existem meios para que essa redução da pobreza em nosso país tenha continuidade. Esses meios são os seguintes: fazer com que a nossa economia cresça em pelos menos uns 5% ao ano, em média, por um período de pelo menos uns 15 anos, aumentar a oferta de educação (principalmente a profissionalizante) pública de alta qualidade, controlar responsavelmente a inflação, manter as políticas como a Bolsa família, mas tendo contrapartida como as crianças obterem boas notas e assiduidade na escola. Se tudo isso for feito com seriedade, daqui uns 15 ou 20 anos teremos uma sociedade mais justa, menos pobre e mais respeitada.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O Brasil merece cidadania, democracia e liberdade

Na república e na democracia o destino do povo está nas mãos do próprio povo. Mas a democracia não deve estar resumida apenas em seus cidadãos votarem, deve estar calcada em liberdade, igualdade e participação plena. Numa nação verdadeiramente democrática, os cidadãos participam diretamente dos benefícios sociais, econômicos e políticos advindos do exercício da democracia.

Existe um dilema muito grande em nosso país, acerca da existência da democracia e da desigualdade. Em termos de desigualdade, o Brasil está entre os 10% dos países que têm a renda mais concentrada. O nosso país tem cerca de 38 milhões de pessoas consideradas pobres, dependendo do conceito e de definição, pode-se variar um pouco para cima ou para baixo. Teve-se um avanço nos últimos anos em razão do avanço da ajuda assistencial que o governo proporciona aos mais necessitados, entretanto, muitas coisas precisam ainda ser feitas. Como por exemplo, pode-se citar: aumento dos gastos com educação de qualidade, dando ênfase nas áreas de engenharia e de alta tecnologia, incentivar o empreendor - muitas pessoas poderiam se tornar um empresário cuidando de seu próprio negócio, deixando de ser desempregado ou vivendo em um subemprego, ensinar uma profissão mais que possa proporcionar um aumento na produtividade dos beneficiários do Bolsa Família inclusive incentivando-os a abrirem seus negócios próprios. Existem muitas outras formas de aumentar o bem estar das pessoas sem precisar se prolongar com os programas assistenciais. Basta força de vontade dos governantes e vontade política que esse problema de subdesenvolvimento estaria resolvido em nosso país. Com essas medidas mencionadas acima e mais algumas poucas o Brasil daria passos enormes em busca do status de primeiro mundo.


A representação política atualmente, muitas vezes contestada por muitos, é a menos culpada pelo fracasso até o momento do nosso subdesenvolvimento. O que de fato conta de verdade, é a qualidade das pessoas que se dispõem a ser um agente público que cuidará dos destinos dos cidadãos por um período de tempo. Como vivemos numa democracia (e que bom que vivemos numa democracia!), qualquer pessoa pode participar na disputa para ser esse agente público. É nesse momento da disputa para saber quem será o representante do povo que muitas vezes o próprio povo fica ausente. Para que o escolhido seja verdadeiramente a pessoa que levará a dignidade, o progresso, o respeito e ao bem estar do povo é necessário que esse indivíduo seja comprometido verdadeiramente com esses conceitos. Para que se tenha uma alta probabilidade de que o futuro agente do povo irá servir o povo da melhor forma possível é preciso que ele seja escolhido de forma racional, consciente e conhecendo a índole, caráter e sua história. Somente desta forma, é que se sair errado o eleitor não terá culpa. Para culpar somente o político é preciso que o eleitor pesquise muito a respeito do seu candidato, não aceite nenhum favor pessoal para votar e fiscalize sempre o eleito. Se o eleitor não fizer tudo isso, ele não terá como cobrar ou culpar ninguém, ele é o culpado.


Democracia e liberdade são dois termos que não devem ficar separados. Igualdade de condições deve ser um termo que deve ser perseguido para que a democracia e a liberdade tenham condições de existirem em sua plenitude. A democracia representativa na qual uma pessoa ou um grupo de pessoas representa a sociedade, é preciso que seja aprimora em nosso país, passando pela educação dos nossos eleitores, não somente a educação formal, na escola, mas aprender a pesquisar profundamente os seus candidatos e votar buscando o bem estar de toda a sociedade, com ética, respeito e desprendimento. A democracia para ser perfeita passa pela democracia capitalista, na qual exista a liberdade da utilização do capital pelas pessoas mais pobres por meio de financiamento mais baratos para as pessoas que estejam dispostas a abrirem seus negócios. O bem estar de um povo é decido pelo próprio povo, passa pela escolha ótima dos representantes do povo que juntamente com a força, a vontade, a dedicação levará à melhora de todos. É isso que o nosso Brasil merece, um povo com alto nível de satisfação, de felicidades, de auto estima de um imenso orgulho do nosso querido Brasil.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A eficiência no setor público é possível?

Quase sempre se ouve falar ou ler algo relacionado com a ineficiência do setor público, principalmente com relação ao funcionalismo público. Um exemplo que vai na contra mão disso é o sucesso das reformas implantadas nos estados brasileiros a partir de 1995. Essas reformas constituem-se em um marco da gestão pública levando-nos a acreditar, apesar de alguns deslizes aqui e acolá, que o setor público do Brasil é capaz de mostrar eficiência.


A situação financeira dos estados brasileiros era bastante crítica até 1994, após a implantação do Plano Real ficou pior ainda. Dado que os governos estaduais não podiam mais obter ganhos com a inflação, não tinham meios para aumentar a arrecadação na magnitude necessária, com as finanças totalmente desmanteladas e com uma dívida muito alta não restou alternativa a não ser renegociar as suas dívidas junto ao governo federal e aplicar um forte programa de ajuste que culminou com a venda de diversos ativos tais como banco e empresas prestadoras de serviços e redução dos gastos com o funcionalismo.


O processo de renegociação com o governo federal foi positivo para os estados em diversos aspectos. No período compreendido entre 1995 e 2006 as receitas dos estados passaram de 11,2% do PIB para 13,1%. Nesse mesmo período, a arrecadação própria dos estados passou de 7,0% para 8,2% do PIB (a diferença entre receitas e arrecadação própria dos estados é compreendida pelas transferências dos mais diferentes tipos da União). Somente o ICMS aumentou nesse período um por cento do PIB. Por outro lado, as despesas com custeio tiveram um aumento bastante considerável, passando de 1,1% do PIB para 6,0%. Isso se deveu, principalmente porque a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) aprovada em 2000 não impôs qualquer limite para os gastos com custeio em geral, restringindo apenas os gastos com pessoal. Desse modo, muitos estados passaram a terceirizar muito dos serviços passando a não ser mais computados como gastos com pessoal, mas aumentando os gastos com custeio sem pressionar os gastos com a folha com pessoal.


Como a renegociação da dívida, com os ajustes implantados pelos estados e posteriormente, com a aprovação da LRF levou os estados brasileiros a um aumento considerável em suas finanças a despeito de muitos deles pagarem um valor muito alto para o Tesouro Nacional, em torno de 13% de toda sua receita líquida. No início da negociação, em 1995, 21 estados apresentavam resultados primários negativos (a diferença entre receita e despesas desconsiderando os gastos com o pagamento de juros e amortização da dívida). Em 2006, apenas 5 estados tiveram esse resultado negativo, sendo que nos anos de 2004 e 2005 todos os estados tiveram superávit primário. Essa é uma prova inconteste da eficácia das medidas tomadas visando melhorar a eficiência na gestão pública, notadamente dos estados brasileiros.


Caso não tivesse ocorrido todo esse movimento em prol da moralização administrativa, financeira e econômica de muitos entes da federação brasileira, incluindo todos os estados, teríamos uma tragédia no setor público brasileiro ao longo da segunda metade da década de 1990. Mas, felizmente, as pessoas que estavam no poder naquele momento tiveram o discernimento para acabar com a festa que havia na administração de quase todos os estados e implantaram medidas duras que em muitas vezes iam contra a vontade desses governos estaduais, mas não sobravam alternativas para estes. Temos, agora depois de dez anos da assinatura do ultimo contrato de renegociação evidências fortes de esse conjunto de medidas foi um marco na administração brasileira e que não há mais lugar para improviso na gestão da coisa pública, mas sim profissionalismo, respeito com as leis e a busca do principal objetivo que um gestor público deve almejar: a satisfação máxima da população gastando o mínimo possível de recursos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A força das cidades médias brasileiras

Há muito tempo que o desenvolvimento e o crescimento econômico têm-se mostrado com maior dinâmica nas médias cidades do que nas pequenas ou nas grandes cidades. As cidades consideradas médias em todos os estados brasileiros têm proporcionado várias oportunidades para muitas pessoas.


Embora não exista um consenso quanto qual critério deve ser utilizado para definir o que é uma cidade média, o critério que é utilizado de forma mais abundante está relacionado ao tamanho da população. Por esse critério, a cidade é considerada média se sua população estiver entre 100 mil e 500 mil, embora nas regiões Norte e Centro-Oeste as cidades com população entre 50 mil e 100 mil sejam consideradas médias em razão das especificidades dessas duas regiões. Essas cidades são caracterizadas por possuírem um processo ativo de desenvolvimento econômico e populacional próprio. Nestas cidades são oferecidos produtos e serviços de alta qualidade, oportunidades de emprego e educação em nível quase igual ao encontrado nas grandes cidades sem, entretanto, ter as mazelas próprias destas últimas, tais como alto nível de violência, trânsito caótico e diversos outros tipos de dificuldades para a população.


Os números têm demonstrado que as cidades médias têm tido uma taxa de crescimento bem superior à verificada nas cidades de portes diferentes. A partir de 1970, as cidades médias têm aumentado consistentemente mais que as outras, e mais recentemente têm passado a crescer mais ainda em termos relativos. No período compreendido entre 2002 e 2005, as cidades médias cresceram 1,28 ponto percentual de participação no PIB enquanto as cidades com população acima de 500 mil habitantes tiveram a sua participação no PIB reduzida em 1,64 ponto percentual. Em 2002 as cidades brasileiras com população superior a 500 mil tinham 43,62% do PIB e em 2005 esse percentual abaixou para 41,93%. As cidades médias em 2002 tinham 25,74% do PIB e em 2005 esse percentual passou para 27,13%. Já as cidades com população inferior a 100 mil em 2002 tinham uma participação no PIB de 30,63% e em 2005 essa participação passou para 30,93%. A taxa média de crescimento do PIB do município nesse mesmo período foi de 1,55% para as cidades com população acima de 500 mil, 4,71% para as cidades médias e 3,22% para as cidades com população menor de 100 mil.


As cidades médias também têm tido um crescimento acima das outras cidades com relação ao número de habitantes. Em 2000 as cidades com número de habitantes superior a 500 mil tinham 29,6% da população brasileira e em 2007 essa participação passou para 29,25%, as cidades médias em 2000 tinham 23,45% da população brasileira e em 2007 tinham 24,36%, já as cidades com menos de 100 mil habitantes tinham em 2000 47,49% da população brasileira e em 2007 passou para 46,39%. É possível observar que houve um fluxo migratório das populações das pequenas cidades cujas pessoas que saíram, uma parte maior migrou para as cidades médias e uma parte menor para as grandes cidades. No período de 2002 a 2005, o crescimento médio da população nas cidades grandes, médias e pequenas foram 1,43%, 2,06% e 1,15%, respectivamente. O PIB per capita (PIB dividido pela população total do município) teve um crescimento médio nesse mesmo período para as grandes, médias e pequenas cidades de 0,42%, 2,85% e 2,08%, respectivamente.


Os números mostrados acima são bastante claros quanto à dinâmica das cidades médias brasileiras. Muito se ouve falar em empresas dos mais diversos segmentos da economia que se mudam para esse tipo de cidades. Aliado a isso, a maioria dessas cidades têm ofertado quais os mesmos tipos de oportunidades encontradas nas grandes cidades. Atualmente, existem dois principais problemas que afligem a maioria das pessoas, que são a violência e o trânsito que são encontrados em abundância nas grandes cidades e em muito pouca monta nas médias cidades. Juntando tudo isso e muitos outros tipos de benefícios, as cidades médias brasileiras têm sido uma excelente oportunidade para as famílias melhorarem o seu bem-estar.