sábado, 29 de novembro de 2008

CRIAÇÃO DE EMPRESAS NO BRASIL

No Brasil, existem cerca de 5,7 milhões de empresas, entretanto, em torno 560.000 são entidades sem fins lucrativos e órgãos públicos. Em um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no qual tratou apenas de empresas propriamente ditas (excluindo entidades sem fins lucrativos e órgãos públicos), o número de empresas ativas apresentou um crescimento contínuo entre 2000 e 2006, passando de 3,7 milhões para 5,14 milhões. Ao ano, foram criadas, em média, 726.567 empresas e extintas 493.766, com saldo médio anual de 232.800 empresas. Em termos percentuais, com relação à quantidade de empresas ativas existentes em cada ano, a taxa média de abertura de empresas no Brasil, nesse período, foi de 16,9%, enquanto a de fechamento foi de 11,2%, representando um crescimento médio anual de 5,7% no total de empresas ativas no período. A taxa de abertura de empresas oscilou de 14,0%, em 2006, a 22,2%, em 2001, enquanto a de fechamento oscilou de 13,0%, em 2006, a 8,8%, em 2001.

Essas empresas criadas entre 2001 e 2006 foram responsáveis por 46,5% dos empregos formais gerados no mesmo período. De cada dez empregos formais criados pelas empresas novas (com até cinco anos), entre 2000 e 2006, em média, quatro foram no comércio, três nos outros tipos de serviços e três na indústria. Considerando o tamanho das empresas, em termos médios por ano, de cada 10 empregos gerados, cinco foram em microempresas, três em pequenas, um nas médias e um nas grandes. Isso mostra a força das micro e pequenas empresas na geração de empregos. Para o IBGE, a classificação dos tipos de empresas é de acordo com o número de pessoas ocupadas, conforme descrito a seguir: de 1 a 9 pessoas ocupadas – microempresas; de 10 a 49 pessoas ocupadas - pequenas empresas; de 50 a 249 pessoas ocupadas - médias empresas; e de 250 e mais pessoas ocupadas - grandes empresas.

No ano de 2006, todas as empresas objeto do trabalho do IBGE ocupavam 30,2 milhões de pessoas, sendo 23,3 milhões,77,2%, de assalariadas. Elas pagaram R$ 324,5 bilhões em salários e outras remunerações, correspondendo a um salário médio mensal de R$ 1.072,00, ou 3,2 salários mínimos mensais. O estudo revelou que 92,2% delas eram microempresas, 40,6% eram novas (com até 5 anos de idade) e mais da metade (53,4%) pertenciam ao setor do comércio, seguido pelas atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às empresas (12,7%) e pelas indústrias de transformação (10,3%). O número médio de ocupados por empresa foi de 6 pessoas, sendo 5 como assalariadas, que recebiam em média, 3,2 salários mínimos mensais, conforme visto acima.


Tabela - Número de empresas criadas, extintas e o saldo anual


Ano

Empresas

Ativas

Criadas

Extintas

Saldo Anual

Média


726.567

493.766

232.800

2000

3.736.766

639.526

414.138

225.388

2001

4.235.793

829.302

330.276

499.026

2002

4.494.784

720.406

461.415

258.991

2003

4.659.594

677.202

512.392

164.810

2004

4.846.609

716.603

529.588

187.015

2005

5.094.572

792.030

544.067

247.963

2006

5.140.951

710.868

664.489

46.379


Esse mesmo estudo revelou que a taxa de sobrevivência das empresas brasileiras no período compreendido entre os anos de 2004 e 2006 situou-se em 81,0%, ou seja, de cada 100 empresas abertas, 81 continuavam abertas e 19 foram fechadas. As taxas de sobrevida das empresas dependem do setor no qual estejam inseridas. As taxas eram mais elevadas nos setores de educação e saúde e serviços sociais, 87,7% e 86,6%, respectivamente, enquanto as mais baixas foram observadas em alojamento e alimentação e em atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às empresas, com 78,5% em ambas as atividades, e em produção, distribuição de eletricidade, gás e água, com 76,9%.


As grandes empresas representavam uma pequena parcela do número total de empresa (0,2%), porém absorviam 32,0% das pessoas ocupadas, 41,4% das pessoas assalariadas e pagaram 57,7% do total de salários e outras remunerações no ano. Os menores salários eram pagos pelas microempresas, R$ 654 (1,9 salário mínimo mensal), enquanto os maiores pelas grandes empresas, R$ 1.494 (4,4 salários mínimos mensais), uma diferença de 128,4%. As grandes empresas pagaram salários 39,4% acima da média nacional. Em relação à idade das empresas ativas em 2006, 40,6% eram novas (com até cinco anos), enquanto 39,2% tinham 10 anos ou mais.

O que foi visto acima demonstra que incentivar a criação de pequenas e médias empresas é uma das formas mais eficientes de geração de emprego e renda no Brasil. Apesar do número de empresas que sobrevivem nos anos seguintes à abertura ser bem superior ao das empresas que são obrigadas a fecharem (fecham as portas), é muito importante que os governos dêem assistências técnica e financeira para quem está em processo de abertura de empresa até que a estrutura econômica e financeira da mesma esteja solidificada. Caso houvesse essas assistências, certamente o número de empresas (principalmente, as micro e pequenas empresas) que são obrigadas a fecharem as portas seria muito menor e, conseqüentemente, um número maior de empregos seria gerado, muitos capitais não seriam inutilizados e muitos projetos de investimentos fracassados passariam a ser eficientes e lucrativos.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

SERÁ QUE O DESENVOLVIMENTO SOCIAL DO BRASIL IRÁ MELHORAR?

A questão do desenvolvimento de uma na nação, de um país, requer muito mais do que crescimento do PIB ou algum outro indicador tomado isoladamente. São essenciais que sejam englobados diversos fatores, tais como mortalidade infantil, escolaridade, desnutrição infantil, nível de salário e muitos outros. Mas, um indicador que resume cabalmente o nível de desenvolvimento de um país é a expectativa de vida ao nascer. Esse retrata, em média, como tão bem vive uma sociedade. Se esse indicador é alto, vários outros contribuem para que isso ocorra.


Outro indicador também muito importante para definir o nível de desenvolvimento de uma nação é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) elaborado pelas Nações Unidas em 1990 e é utilizado desde então por aquele órgão. Esse índice varia de 0 a 1, quanto mais próximo de 1, mais as pessoas são desenvolvidas numa determinada nação. Anualmente a ONU elabora uma relação de todos os países mostrando esse índice. O Brasil em 2007 ocupa a 70ª posição, ou seja, existam 69 países com nível de desenvolvimento humano melhor do que o do nosso país. Entretanto, países como a África do Sul, Índia e China têm um IDH menor que o nosso.


A ONU também elabora uma relação onde consta para diversos países a expectativa de vida de uma pessoa ao nascer. De 1970 a 2006, as pessoas do sexo masculino que viviam no Brasil aumentaram a expectativa de vida em 11 anos, passaram de 57 anos para 68 enquanto que para as mulheres aumentou 15 anos nesse período de 36 anos, passou de 61 anos em 1970 para 76 anos em 2006. Na América Latina, o Brasil está atrás da Argentina e do México, entretanto, a diferença existe em 1970 entre esses dois países e o Brasil diminuiu significativamente. Isso é conseqüência do desenvolvimento mais acelerado no Brasil nas últimas décadas do que nos outros dois países.


Outro indicador também muito importante é a produção de bens e serviços de uma nação em um ano divida pela quantidade de pessoas existentes nesse país, o PIB por pessoa (o chamado PIB per capita). No período de 30 anos terminado em 2005, o PIB por pessoa no Brasil aumentou somente 35,6% enquanto que em outros países como a China aumentou 895% e a Índia que aumentou 174%. É verdade que alguns vários países tiveram um aumento muito menor do que o Brasil, em alguns casos um aumento muito baixo como é o caso da África do Sul que aumentou em apenas 2,7%. Enquanto que países desenvolvidos tiveram o seu PIB per Capita aumentado mais de 80% nesses 30 anos. Nos casos da china e da Índia são justificáveis porque há trinta anos eram países agrários com pouca produtividade, quando chegou a industrialização e aumentado expressivamente a produtividade desses países a tendência é que aumente no mesmo ritmo o PIB per capita.


Embora tenha havido muitos progressos em diversas áreas, principalmente nos últimos trinta anos, o Brasil está atrás de muitos países com o mesmo nível de renda. Se compararmos com os países considerados desenvolvidos aí a diferença é muito grande. Mas se o Brasil mantiver o ritmo dos últimos anos, a tendência é que possamos nos aproximar um pouco desses países. O grande problema é que o Brasil tem uma grande mazela que é a extrema concentração de renda, o que não se observa em outros países. Os Estados Unidos têm uma renda bastante concentrada (embora menos do que no Brasil), mas lá em razão da renda ser muito alta, esse problema é refletido muito pouco nos indicadores de bem estar da sociedade. Esperamos os governantes de nosso país tenham como prioridade melhorar o bem estar de todos os brasileiros e que essas ações sejam direcionadas para a melhora acelerada de todos os indicadores pertinentes tanto ao desenvolvimento da nação quanto ao desenvolvimento das pessoas. Uma nação só é desenvolvida quando esse desenvolvimento é estendido a toda população. Crescimento econômico sem melhoria de vida de toda população não é desenvolvimento econômico, para isso ocorrer as pessoas têm que está inseridas.

domingo, 23 de novembro de 2008

COMO DEVEMOS OBTER SUCESSO?

Neste final de semana, duas das mais conceituadas revistas de circulação nacional, ÉPOCA e ISTO É, publicaram matérias de capa muito importantes para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. ÉPOCA tratou sobre o que devemos fazer para termos sucesso na vida e a revista ISTO É tratou sobre a criatividade.


Em matéria do jornalista Ivan Martins, ÉPOCA comentou sobre um livro do escritor inglês Malcolm Gladwell que trata exatamente sobre o que se deve fazer para se ter sucesso no que fazemos. Primeiro começa demonstrando que ser muito inteligente não é sinônimo de ter sucesso na vida e ficar rico. Para comprovar isso, cita um norte-americano de 51 anos, de nome Christopher Langan. Esse homem é considerado um gênio com um Q.I. de 195. Quem tem Q.I acima de 150 é considerado gênio. Albert Einstein, por exemplo, tinha Q.I de 150. Entretanto, esse homem trabalha como porteiro em um bar na cidade de Nova York. O que faz com que uma pessoa extremante inteligente continuar muito pobre tendo um salário muito baixo? Para o escritor inglês, ele nasceu numa família extremamente miserável em que os pais, por pura ignorância, não tinham um mínimo de interesse que o filho estudasse. Mais ainda, porque depois das suas derrotas na infância e na adolescência ele não tentou novamente. Acomodou-se e o tempo passou. Para Gladwell, para se ter sucesso além de ser muito inteligente é preciso muito esforço (cerca de 10.000 horas), muitas pessoas que ajude e muita sorte (está na hora certa no lugar certo).


Abaixo transcrevo sete pontos que se deve atentar para se obter o caminho do sucesso: 1 – Não existe sucesso sem muito trabalho por todo tempo; 2 – Não existe sucesso sem o apoio da família, de uma comunidade ou grupo de pessoas, não se obtém sucesso sozinho; 3 – As histórias de homens de sucesso é cheia de pessoas que tiveram que sofrer na infância e na adolescência (por diversas formas e meios), as pessoas mimadas não têm muita facilidade com o sucesso; 4 – Antes de aparecer o sucesso as pessoas já têm experimentado muito tempo tentando no anonimato; 5 – Os vencedores são obstinados, não se abatem nas derrotas, se perderem se levantam e tentam novamente; 6 – A sorte é fundamental, não adianta ter tudo mas não ter sorte, deve-se está no lugar certo e no momento mais propício para ser reconhecido e ganhar dinheiro; 7 – O talento não é suficiente para se conseguir sobressair em qualquer atividade, é necessário muito mais.


A criatividade é sem dúvida nenhuma uma das ferramentas mais importantes para se ter sucesso na vida. Em matéria da jornalista Mônica Tarantino, a revista ISTO É faz um levantamento de diversos estudos e trabalhos a respeito da criatividade. Segundo a ciência, a criatividade é algo que pode ser estimulado desde cedo, mas sem nenhuma pirotecnia. Não é preciso cercar uma criança com novidades tecnológicas, por exemplo, para que ela se torne mais engenhosa e mais criativa.


Abaixo, transcrevo algumas sugestões para aguçar a criatividade, tanto do ponto de vista pessoal e geral como no trabalho. Pessoal e geral: 1 – Esqueça tudo que deve fazer em outros momentos, pense somente no que deve fazer neste instante; 2 – Tenha tempo livre, muitas ideais brilhantes aparecem quando estamos descansando ou caminhando; 3 – Não ignore idéias que parecem sem sentido, 4 – Anote todas as suas idéias, algumas poderão ser muito úteis em algum momento; 5 – Evite fazer julgamentos à primeira vista, seja receptivo; 6 – Tenha curiosidade. Para ser criativo no trabalho: 1- Peça opinião de pessoas mais experiente e não existe de mudar de idéia se achar a outra melhor do que a sua original; 2 – Estude bastante, boas idéias devem está baseadas em informações seguras; 3 – especule sobre oportunidades; 4 – Ao tem uma idéia faça questionamentos e não desanime das adversidades; 5 – antes de iniciar um processo criativo tente fazer algo que seja divertido, que lhe possa dar muito prazer.


Todos nós queremos ter sucesso em tudo que fazemos. Neste pequeno texto vimos que o sucesso é fruto de muitas coisas, entre as principais estão: criatividade, inteligência, obstinação, ajuda das pessoas, muito trabalho e também muita sorte. Desta forma, para o sucesso de todos nós passemos a trabalhar mais, aguçarmos mais a nossa veia criativa, não desistirmos nunca diante de nossas derrotas, peçamos sempre ajuda das pessoas amigas, passamos a estudar mais e passamos a rezar mais para que a sorte esteja do nosso lado.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

REAJUSTES DOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS

Segundo o Ministério da Previdência Social, existem 105 projetos em tramitação no Congresso Nacional que visam majorar os rendimentos das aposentadorias e pensões. Evidentemente, todos nós somos a favor que os nossos aposentados e pensionistas tenham um rendimento que lhe assegure uma vida digna e saudável, entretanto, é necessário que hajam condições financeiras e econômicas para que isso ocorra sem estrangular as contas públicas brasileiras.


Entre os diversos projetos, existem três de autoria do Senador Paulo Paim do PT-RS que tratam respectivamente da extinção do Fator Previdenciário (um índice que penaliza quem se aposenta mais cedo), determina que os reajustes das aposentadorias superiores a um salário mínimo sejam realizados acima da inflação e cria o Índice de Correção da Previdência (ICP) pelo qual todas as aposentadorias e pensões deverão ficar com o mesmo número de salários mínimos quando da sua concessão. Isso significa que se, por exemplo, quando o benefício foi concedido o valor equivalia a 5 salários mínimos mas agora o valor da aposentadoria for de R$ 1.245,00, equivalentes a 3 salários mínimos em valores de hoje, deverá ser reajustado para R$ 2.075,00 que corresponde a 5 salários mínimos vigente atualmente. Esse aumento equivaleria um reajuste no benefício de 66,67%, certamente não existem condições para aceitar esses tipos de reajustes.


Nos últimos anos, notadamente a partir de 2003, o salário mínimo tem passado por um processo forte de recuperação de puder de compra que é muito louvável dada a nossa péssima distribuição de renda. Em razão disso, o salário mínimo foi reajustado em 20,00% em 2003, para uma inflação acumulada medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 18,54%, o que significou um aumento real de 1,23%. Em 2004, o reajuste foi de 8,33%, enquanto o INPC acumulou 7,06%, resultando em aumento real de 1,19%. Em 2005, o salário mínimo foi corrigido em 15,38%, para uma inflação de 6,61%, o que significou um aumento real de 8,23%. Em 2006, para uma inflação de 3,21%, o reajuste foi de 16,67%, o que correspondeu a um aumento real de 13,04%. Em 2007, para uma elevação do INPC de 3,30%, entre maio de 2006 e março de 2007, ante uma variação de 8,57% no salário nominal, o aumento real do salário mínimo ficou em 5,1%. Considerando a variação do INPC em 4,98%, até o final de fevereiro de 2008, e o valor de R$ 415,00, o ganho real acumulado no período de 2003 a 2008 é de 37,02%, correspondendo a diferença entre a variação nominal de reajustes de 107,49% e a inflação acumulada medida pelo INPC no período que foi de 51,43%.


A problemática da aposentadoria em nosso país é extremamente grave e deve ser encontrado algum mecanismo que leve a uma solução menos traumática para as partes, essa solução não deve passar por reajustes que sejam muito superiores à inflação simplesmente porque não existe verba para cobrir tais despesas. Desta forma, os reajustes dos benefícios não devem acompanhar os reajustes do salário mínimo. No decorrer da década de 1990 e início dos anos 2000, os beneficiários tiveram reajustes inferiores á inflação, a partir de 2003 embora seus reajustes tenham sido equivalentes à inflação, têm tido perdas relativas quando se compara com os aposentados que ganham um salário mínimo. O número de beneficiários com rendimento de um salário mínimo corresponde a 65,7% do total, entretanto, o valor total de seus benefícios corresponde a 42,8%. Considerando que os benefícios são pagos basicamente com recursos das contribuições das pessoas empregadas ou autônomas, empresas e do Tesouro e que o rendimento nominal de todos esses entes aumenta conforme a inflação e o crescimento do PIB e dado que o crescimento do PIB consta na fórmula de reajuste do salário mínimo é bastante salutar que seja pelo menos estudada a seguinte proposta: Diminuir a magnitude do reajuste real do salário mínimo, reajustar os benefícios que têm valores compreendidos entre um salário mínimo e um real e dois salários mínimos em 75,0% do que foi concedido aos benefícios de um salário mínimo e na proporção que os valores dos benefícios sejam maiores, menores devem ser os reajustes em comparação com os que ganham um piso. Imagino que com esse tipo de reajuste as contas da previdência não sofrerão alterações significativas com relação à forma atual de reajuste. Quem ganha mais de um salário mínimo passa a ter um reajuste um pouco maior (embora menos em ternos relativos do que quem ganha um salário mínimo) e quem ganha um salário mínimo passa a ter um reajuste menor embora acima da inflação. Vamos torcer que os governantes e os tecnocratas encontrem uma forma de reajuste que seja parecida com esta.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

FÉRIAS

Olá amigos e amigas, no período de 08/11/08 a 18/11/08 estarei ausente por motivo de férias. Estarei viajando e descançando. A partir de 19 de novembro estarei aqui novamente com muitas novidades.

Até a volta.

Abraços a todos

OS ESTADOS E SUAS FINANÇAS

Os estados brasileiros viveram um período de crise muito forte logo a partir do início dos anos 1980 (como ocorreu com todo o setor público brasileiro) e logo após a implantação do Plano Real se agravou mais ainda, provocada principalmente pelo fim do imposto inflacionário. Onde os impostos eram pagos no tempo correto e os salários e os fornecedores de materiais e serviços eram pagos muitas vezes com atraso. Como a inflação no período era bastante alta, atrasando o pagamento em 15 ou 20 dias, por exemplo, o governo deixava de pagar um valor muito alto. Outro fator que ajudava muito os governos estaduais, eram os bancos estaduais que muitas vezes serviam como “emprestador” de última instância para governos incompetentes que não sabiam ou não queriam controlar as suas finanças.


Com o advento do Plano Real, muitos estados se viram em situação crítica porque o lençol pelo qual ele se protegia de sua incompetência (o imposto inflacionário) não existia mais ou existia em magnitude insignificante, ao mesmo tempo em que os bancos estaduais entraram em dificuldades que além de não puderam socorrer os seus donos, estavam na eminência de serem sucumbidos pela más gestão de suas carteiras de empréstimos entre outras deficiências. Para resolver esses dois problemas, o governo federal fez dois planos: um para salvar os estados e o outro para salvar os bancos estaduais e depois vendê-los. Ambos planos foram bem sucedidos. Praticamente quase todos os bancos estaduais foram vendidos e as dívidas dos estados foram renegociadas por um período bastante longo, onde o tesouro de cada estado deve pagar no máximo 13% da sua receita corrente líquida.


No ano 2000 foi aprovada a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que delimitou os tipos de gastos que os entes públicos deveriam praticar e sistematizou a forma de gerência dos órgãos e instâncias do setor público brasileiro. Para os estados, um dos pontos de maior destaque nessa lei é com referência ao gasto com pessoal. A LRF fixou o teto de 60% da receita líquida dos estados que deveriam ser gastos com pessoal. Esses 60% devem ser distribuídos da seguinte forma: 49% do executivo, 6% do judiciário estadual, 3% do legislativo estadual e 2% para o ministério público estadual.


O professor da Unicamp Francisco Lopreato fez um trabalho muito interessante a respeito das finanças de três estados-chaves nesse processo de renegociação de dívida: os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio de Janeiro. Segundo os dados do professor Lopreato, dos três estados, o que está em melhor situação é o Rio de Janeiro. As razões disso foram basicamente duas: o forte crescimento na produção e preço dos combustíveis (o estado do Rio de Janeiro é disparado o maior produtor do Brasil) e a criação do regime próprio dos servidores daquele estado. O primeiro aumentou extraordinariamente a arrecadação do estado e o segundo diminuiu o valor do gasto com pessoal já que o aposentados pelo regime próprio de previdência não conta como gasto de pessoal enquanto que os que participam do regime geral é computado como gasto com pessoal.


Por outro lado, o estado que está em pior situação é o Rio Grande do Sul. Para se ter uma idéia da gravidade da situação daquele estado, no ano de 2006, 71,79% da receita corrente líquida do tesouro estadual foi direcionado para o pagamento de pessoal, sobrando muito pouco para os outros tipos de custeio, investimento e mais os 13% relacionados à dívida (já que aquele estado paga o teto estipulado pelo acordo). Nos anos anteriores, a situação era bastante parecida com a do ano de 2006. A situação do estado do Rio Grande do Sul se agravou ainda mais porque ocorreram atrasos nos pagamentos dos juros o que levou à mudança de indexador da dívida. Este fato não alterou o valor pago mensalmente ao governo federal (porque esse estado já paga o teto de 13% da receita corrente líquida), mas deverá aumentar o valor total da dívida dado que o indexador atual é maior do que o anterior. O estado de São Paulo está em situação intermediária entre os outros dois estados.


Também diversos outros estados brasileiros passaram ou passam por situações parecidas a desses estados descritos acima, embora com valores envolvidos menores. A exceção é o estado de Minas Gerais que no final dos anos 1990 passou por uma crise muito forte, entretanto, nos últimos anos o governo estadual conseguiu sanear com eficiência as suas finanças. Com leis severas que coíbam práticas inaceitáveis na gestão da coisa pública, tem-se uma melhora na eficiência do setor público e quem ganha com isso é a população que paga impostos ou que necessitam dos serviços do estado ou pagam impostos e também necessitam dos seus serviços. Enfim, todo brasileiro quer ver a gestão do estado mostrando eficiência e que respeite cada centavo arrecadado.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

EMPRESAS NO BRASIL

A quantidade de empresas existentes em um país é muito importante pois são estas que geram riqueza, emprego, renda e alavanca o progresso de uma nação. No Brasil, as empresas existentes têm sido fundamentais para sustentar a nossa sociedade e serão de importância ímpar para levar a nossa economia para níveis de destaque entre todas a nações mundiais. São nas empresas onde são realizados as produções de serviços, produtos e todos os tipos de fatores que dão sustentáculos ao desenvolvimento de uma nação.


De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano de 2006, existiam no Brasil 5,7 milhões de empresas formalmente inscritas no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Deste total, 89,8% eram efetivamente empresas, 9,9% eram entidades sem fins lucrativos e 0,3% eram instituições e órgãos da administração pública. Em todas as empresas(incluindo as empresas sem fins lucrativos e dos órgãos públicos) trabalhavam cerca de 41,4 milhões de pessoas. Destas pessoas, 82,6% eram assalariadas e 17,4% eram sócias ou proprietárias. Nas empresas trabalhavam 72,9% do total das pessoas ocupadas, 20,1% trabalhavam no setor público e 7,0% trabalhavam nas entidades sem fins lucrativos. Nesse mesmo ano de 2006 foram pagos R$ 536,9 bilhões entre salários e outras remunerações, o que dava um salário médio de R$ 1.208,64 para cada trabalhador. É importante destacar que do total das empresas e outras organizações, 92,1% possuíam menos de 10 pessoas ocupadas, 39,0% tinham menos de 5 anos de existência e 59,4% tinham mais até nove anos de existência.


No período de 2000 a 2006, o salário médio real (indexado pelo IPCA) teve um aumento de 5,6%, ou seja, o salário médio aumentou 5,6% acima da inflação do período. Esse aumento não foi uniforme, nas grandes corporações o aumento foi de 4,1%, em média, e nas empresas médias e com até 1.000 funcionários esse aumento foi, em média, de 3,8%. Como é de se esperar, o maior salário médio é pago nas grandes corporações que têm um salário médio de R$ 1.7001,00. Na ponta das empresas com os menores salários médios se encontras as empresas com 1 a 49 funcionários em que o salário médio foi de R$ 797,65 em 2006.


Em 2006, de todas as empresas e organizações existentes no Brasil, 82,6% tinham até quatro pessoas ocupadas, ao mesmo tempo 0,3% tinham mais de 250 pessoas ocupadas e empregavam 54,6% de todos os assalariados brasileiros. Nesse mesmo ano, as empresas que apresentavam as maiores médias de pessoas ocupadas estavam inseridas nos segmentos de produção de intermediação financeira, seguros, previdência complementar e atividades correlacionadas. De todas as empresas, em 2006 71,4% estavam concentradas em apenas três segmentos econômicos: comércio – 48,0%, setor imobiliário – 14,1% e indústrias de transformação – 9,3%.


Em 2006, 50,5% das empresas estavam no Sudeste, o Sul tinha 23,3%, o Nordeste tinha 15,6%, Centro-Oeste com 7,1% e o Norte tinha 3,5%. Na região Sudeste eram pagos 56,6% de todos os salários pagos no país, sendo seguida pela região Sul com 16,4%. Entretanto, os maiores salários eram pagos na região Centro-Oeste, certamente puxado pela concentração de altos salários pagos a muitos funcionários públicos de Brasília e os maiores salários pagos no agro-negócio, muito forte nos estados daquela região.


Como era de se esperar, as menores empresas pagam os menores salários e a região Sudeste é onde está concentrado o maior número de empresas e empregos. Entretanto, a região Sul que uma região que tem muito menos pessoas do que o Nordeste tem mais empresa do que essa última região. O salário real aumentado a partir de 2000, mas em muito menor magnitude do que o salário mínimo. Este último em razão da política do atual governo de valorização do salário mínimo tem tido reajustes muito além do que as empresas têm podido dá aos seus funcionários com salários mais altos.


Caso houvesse menos burocracia na abertura, manutenção e fechamento de uma empresa, certamente o número de empresas abertas no Brasil seria muito superior ao visto acima. Se isso ocorresse, teríamos uma formalização muito maior da nossa economia e isso seria bom para todos: o governo arrecadaria mais impostos, a previdência social arrecadaria muito mais contribuições, os trabalhadores teriam assegurados seus direitos trabalhistas, etc. As nossas autoridades deveriam se ater para isso, ao desburocratizar o sistema tributário e legal das empresas simplificando o dia-a-dia dessas, todos sairiam ganhando. É preciso agir de forma eficaz para que isso aconteça. Vamos à luta autoridades!

domingo, 2 de novembro de 2008

KEYNES AINDA ESTÁ VIVO?

Foi no ardor dos acontecimentos da crise de 1929 que John Maynard Keynes, um economista inglês, escreveu a maior obra de economia do século 20 e a publicou em 1936. Nesse período, houve a maior recessão dos tempos modernos (infinitamente superior a atual) em que a taxa de desemprego nos Estados Unidos subiu de 3,2% em 1929 para 25,2% em 1933 e o Produto Nacional Bruto (PNB) daquele país caiu cerca de 30,0% entre nos anos de 1929 e 1933, e somente voltou ao nível de 1929 em 1939. Nessa obra, Keynes ensina como e o que os governos devem fazer para tirar as nações da recessão. Para ele, somente com a ação do governo estimulando a economia por meio de investimentos públicos e outras ações que estimule a economia pode-se lograr êxito em levar a economia para o crescimento, gerando emprego e riqueza. As ações pautadas apenas em baixar os juros podem não ter o efeito desejado em razão (entre outras razões) do efeito chamado armadilha da liquidez, na qual o efeito da baixa dos juros no crescimento econômico é nulo.


Essa obra de Keynes teve uma grande repercussão e revolucionou o ensino e o modo de como se entendia do funcionamento da economia. Isso predominou até o final da década de 1960 quando os chamados monetaristas tiveram um certo sucesso em explicar alguns fenômenos econômicos e a teoria keynesiana não teve o mesmo sucesso em explicá-los. O mesmo ocorreu com diversos outros fenômenos ocorridos durante as décadas de 1970 e 1980. Para explicá-los a teoria keynesiana passou por algumas reformulações, mas sempre mantendo os mesmos preceitos originais, embora tendo bastante sucesso não conseguiu suplantar as outras correntes do pensamento econômico, principalmente as de cunho liberal. Na década de 1990, com a expansão, a implantação e a proliferação da idéia do liberalismo por muitos países, teve-se quase que por completo o abandono das idéias da teoria de Keynes. Nesse período a maioria dos países do continente americano, muitos países europeus e muitos outros países aderiram a essa corrente.


Mesmo de 1994 até 1999 período em que houve diversas crises, mas como essas crises estavam restritas aos países em desenvolvimento, a moda liberal não teve muito abalo. Ao contrário, as políticas recomendadas pelos países ricos, empresas classificadoras de riscos e organismos multilaterais, entre outros, aos países acometidos com a crise eram sempre pautadas nos preceitos liberais, nos quais as ações do Estado deveriam interferir o mínimo possível. Nos últimos 5 anos da década de 1990, países como o Brasil, Argentina, México, Rússia e muitos outros foram obrigados a adotarem políticas restritivas onde milhões de empregos foram perdidos e em alguns desses países, como o Brasil, tiveram que arcar com um valor enorme para pagar os juros da dívida interna em razão das altas taxas de juros vigentes nesses países. Com exceção da ajuda a alguns bancos privados em dificuldades e aos bancos públicos (que vários foram privatizados em seguida) não se teve ajuda ao mercado em geral nem teve aumento do crédito pelo governo, diminuição do compulsório nem outras ações que visassem diminuir a recessão, ao contrário, os juros altos produziam dois efeitos que eram desejados pelos governos: aumentava o fluxo de dólar em momento de escassez dessa moeda e ao mesmo tempo diminuía a demanda agregada interna que levava à diminuição da inflação que o governo desejava combater. Vale lembrar que com a vinda de dólar (proporcionada pelo aumento dos juros internos) tenderia a baixar a taxa de câmbio que é um dos fatores principais para o aumento da inflação. Como boa parte desses países conviveram com altas inflações, não se devia descuidar nem um pouco de combatê-la. Assim, as políticas ditas liberais foram seguidas pela maioria dos países mesmo no período de crises.


A crise atual é diferente, surgiu na principal economia do planeta e atingiu os países centrais, ditos desenvolvidos cuja dinâmica é diferente da dos países em desenvolvimento. Todos eles estão cortando ou mantendo os juros vigentes e intervindo fortemente e diretamente na economia, expandindo o crédito, comprando ações de empresas em dificuldades e muitas outras ações que visam levar a economia para o crescimento. Nada de deixar que o mercado resolva. A crise atual terá sua dramaticidade bastante reduzida exatamente por isso: pela intervenção do governo tomando as rédeas da economia e levando-a para a rota do crescimento, primeiramente, crescimento muito baixo depois a economia toma a sua dinâmica própria.


As principais diferencias dos países centrais em relação aos países em desenvolvimento é que essas economias ricas não têm problemas sérios de histórico inflacionário (nem no presente), a taxa de câmbio também não é problema atualmente e esses países têm muito dinheiro. Apesar da dívida pública desses países ser muito alta (muito mais alta do que a do Brasil em termos de percentual do PIB - Produto Interno Bruto), mas a taxa de juros internas nesses países é muito baixa (nos Estados Unidos está em 1,0% ao ano) o que não irá gerar problemas sérios nas finanças públicas pelo aumento exagerado dos juros pagos sobre a dívida pública. Assim, esses países praticam políticas recomendadas por Keynes para salvar a economia e a população de seus próprios paises e de outros países que em razão dessas políticas passarão a sofrer muito menos ou não sofrerão nada. Keynes pode ter morrido em 1946, mas suas idéias e suas teorias monetárias e fiscais estão até hoje vivas e ajudando a salvar as economias e as pessoas das recessões e depressões.