Nos dias 15 e 16/04/2008 o Comitê de Política Monetária (COPOM) reuniu para analisar os principais indicadores da economia brasileira e daí tomar uma decisão com relação às taxas de juros básicas. Abaixo, serão descritos os principais pontos discutidos nessa reunião que fazem parte da ATA referente a essa reunião.
Segundo o Banco Central (BC), a inflação medida pelo índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que o índice utilizado pelo governo para medir a inflação oficial, apresentou uma ascendência nos últimos meses em razão dos preços livres. Enquanto que os preços livres estavam apontando uma inflação anual de 6,03%, os preços que são administrados por contratos, apontavam para uma inflação anual de 1,83%, o BC trabalha com a hipótese de que os combustíveis não sofrerão aumento de preços neste ano de 2008. Segundo o BC, “o comportamento recente do IPCA tem sido notadamente menos favorável do que nos trimestres anteriores, de modo que desde o final de 2007 a inflação dá sinais de que poderia estar divergindo das metas, tendo atingido 2,97% nos últimos seis meses”.
Outro índice de preços, que apesar de não fazer parte diretamente do índice que mede as metas de inflação do governo, IPCA, tem uma influência muito grande, que é o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) também teve um aumento significativo. Em março de 2008 esse índice, no acumulado de 12 meses, foi de 9,18%, enquanto que em março de 2007 esse índice no acumulado de 12 meses era de 4,49%.
Segundo o BC, a expansão extraordinária no nível de produção de bens duráveis reflete melhoras nas condições de créditos na economia se comparado às épocas anteriores. Os sinais que apontam para a redução do grau de expansão da atividade industrial podem está relacionados com a restrição da capacidade produtiva, ou seja, em razão das fábricas estarem próximas de atingir toda a sua capacidade produção tendem a diminuir o ritmo de expansão de produção, notadamente que a expansão da capacidade instalada leva muito mais tempo do que contratar mais funcionários ou aumentar a quantidade de horas extras.
De acordo com BC, em linha com o crescimento do mercado de trabalho e com a expansão do crédito, o comércio varejista tem tido uma expansão e que o nível de crescimento da demanda doméstica continuará robusta. Onde o aumento das vendas no comércio varejista em fevereiro de 2008 foi 12,2% superior ao verificado em fevereiro em 2007. Enquanto que o aumento das vendas de móveis e eletrodomésticos foi 22,3%, e nas vendas dos itens matérias de construção, veículos, motos e peças o aumento foi de 18,1% com relação ao mesmo mês do ano passado.
As importações vêm crescendo a um ritmo muito maior do que as exportações, enquanto as exportações vêm crescendo 16,1% as importações vêm crescendo 36,0% nos últimos doze meses com relação aos doze meses terminados em março de 2007. Assim, mesmo com investimento estrangeiro direto de UU$ 36,5 bilhões, o que equivale a 2,8% do PIB, levando em consideração os doze meses terminados em fevereiro de 2008, o Brasil teve um déficit em transações correntes de UU$ 4,9 bilhões.
Segundo o BC, “o COPOM considera que se elevou a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação doméstica, uma vez que o aquecimento da demanda e do mercado de fatores, bem como a possibilidade do surgimento de restrições de oferta setoriais, podem ensejar aumento no repasse de pressões sobre preços no atacado para os preços ao consumidor”. Em seguida, continua: “o COPOM conduzirá suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação nos anos recentes sejam permanentes”.
Assim, o COPOM decidiu por unanimidade pelo aumento da taxa básica de juros (SELIC) em 0,50 ponto percentual, passando 11,25% para 11,75% ao ano.
A próxima reunião será nos dias 03 e 04 de junho de 2008 para decidirem sobre a manutenção, diminuição ou aumento da SELIC. Eu imagino que nessa reunião deverá ter mais um aumento, só que de 0,25 ponto percentual. Na minha opinião e em razão dos fatores que mencionei no penúltimo artigo que publiquei neste blog, esse aumento decidido na última reunião do COPOM não deveria ter ocorrido. Seria muito importante para a economia que a taxa de juros básica da economia brasileira tendesse para um dígito.







