quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

BANCOS FALIDOS AINDA GANHAM DINHEIRO DO GOVERNO

Quem já ouviu falar nos bancos Nacional e Econômico? Pois é, esses bancos faliram há vários anos mas continuam dando despesas para o setor público brasileiro. Em razão das massas falidas desses bancos terem títulos do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS) o governo anualmente paga verdadeiras fortunas a essas instituições.

Mesmo esses bancos devendo bilhões de reais aos cofres federais, eles obtêm um rendimento por manterem esses títulos. Esse fundo foi criado em 1967 para cobrir eventuais saldos devedores dos financiamentos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Desde então, esse fundo teve déficits que foram bastantes acentuados na década de 1980 por razões tais como: não repasse integral da inflação nas prestações dos financiamentos das moriadias, questionamentos judiciais, etc. Isso gerou nos últimos 15 anos um valor enorme de dívidas que o governo teve que reconhecer. Para saber o histórico desse fundo, os valores reconhecidos de 1995 a 2005, entre outras informações a respeito de reconhecimento de dívidas em geral pelo governo, consultar a minha dissertação de mestrado. A consulta pode ser feita pelo Google digitando “Variação da Dívida Pública Brasileira entre 1995 e 2005 - Fatores Determinantes”.

Ao reconhecer a dívida, o governo emite um título que neste caso é o CVS. O governo já reconheceu e emitiu cerca de R$ 20 bilhões que atualizado até o final de 2007 chega a R$ 69,3 bilhões. É sobre esse valor já reconhecido e contabilizado pelo governo que este paga juros desde 2005 semestralmente. A partir de 2009, o governo passará a pagar o principal.

Em 2007, do total de R$ 1, 4 bilhões que o governo pagou em juros desses títulos, os bancos Nacional, Econômico e Mercantil de Pernambuco obtiveram mais de R$ 200 milhões.

Esses três bancos têm juntos em torno de R$ 2,8 bilhões dos títulos já emitidos. Os outros maiores detentores desse título são a Caixa Econômica Federal, com R$ 6,7 bilhões e a empresa que foi criada em 2002 para sanear os bancos federais, conhecida como Emgea, com R$ 900 milhões.

Ainda restam segundo as contabilidades dos bancos, cerca de R$ 82,2 bilhões para serem reconhecidos pelo governo, que caso o sejam serão transformados em títulos. No entanto, a emissão dos títulos deve ser feita pelo governo com bastante cautela, dado o grande impacto que acarreta ás contas públicas. Em 2005, a emissão desse título foi de R$ 17,0 milhões, em 2006 foi de R$ 1,2 bilhões e em 2007 foram R$ 4,5 bilhões.


Dos R$ 82,2 bilhões a serem reconhecidos, R$ 22,1bilhões estão na massa falida do banco Nacional, R$ 5,5 bilhões com o Banco Econômico e R$ 100,0 milhões com mercantil de Pernambuco. A Caixa econômica Federal com R$ 21,2 bilhões e a Emgea, com R$ 9,3 bilhões.

Os três bancos liquidados deixaram uma dívida monstruosa com os cofres públicos. O Nacional deve ao governo R$ 20,8 bilhões, o Econômico, R$ 17,7 bilhões e o Mercantil de Pernambuco, R$ 1,4 bilhões.

A maior parte dos créditos está com as massas falidas desses bancos porque foram dados em garantias aos empréstimos do Proer, o programa adotado pelo governo para socorrer os bancos em dificuldades ou quebrados em 1995. Nessa época, os títulos do FCVS estavam com alto deságio, chegando a 60%. Hoje, em razão do reconhecimento da dívida pelo governo e da, o deságio está entre 10 e 15%.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

AS EMPRESAS BRASILEIRAS ESTÃO INVESTINDO MAIS NO EXTERIOR

O fenômeno da internacionalização das empresas brasileiras teve maior crescimento a partir de 2006. Nos últimos dois anos, os investimentos das multinacionais brasileiras atingiram US$ 36,5 bilhões, esse valor é superior ao que essas empresas investiram no exterior nos 12 anos anteriores. Nesses 12 anos anteriores, todos os investimentos das empresas brasileiras no exterior alcançaram um valor de US$ 30,6 bilhões.


Apesar de que nos últimos anos teve-se uma participação crescente de empresas não tradicionais em investimentos no exterior, a grande maioria desse valor investido é de apenas algumas poucas empresas, tais como a Vale, Petrobrás, Gerdau, Embraer e Votorantim, com as outras empresas ficando com um percentual muito reduzido.


Em 2007, mais de 25 empresas fizeram investimento direto no exterior em valor total de US$ 12,135 bilhões. Sendo que desse valor, cerca de mais de um bilhão de dólares foi referente a apenas a uma operação. Em 2006, em razão de uma operação da Vale que comprou uma mineradora canadense que apenas essa operação representou um valor de US$ 13,4 bilhões. O valor total de todas as empresas em 2006 foi de US$ 24,415 bilhões.


Para 2008, a tendência é que esses investimentos se mantenham ou aumente. Uma das razões é que a Vale está em negociação com a mineradora suíça Xstrata para comprá-la por um valor que poderá chegar a 90 bilhões de dólares.


Uma das razões para o crescimento nestes últimos anos é a desvalorização do Dólar em relação ao Real. Para compensar a desvalorização cambial, muitas empresas brasileiras optam não apenas por importar peças e equipamentos, mas instalar unidades fabris ou de serviços no exterior.


Outra razão são os baixos custos de financiamentos no exterior em relação aos encontrados no mercado financeiro doméstico. Visto que os financiamentos para compra, ampliação ou montagem de empresas no exterior são muito mais fáceis de serem obtidos nos países de destino do que se esses investimentos fossem feitos aqui no Brasil.


Em 2007, 43,1% desses investimentos foram para a indústria e 54,5% foram para os serviços, sendo que a maior parte direcionados para os serviços financeiros, o restante foi para o setor primário e governo. E o principal destino desses investimentos são os Estados Unidos, representando mais de 30%. Uma das razões é a forma que as empresas encontraram de driblarem as barreiras protecionistas daquele país.


Com as grandes economias ocorreram processos semelhantes no passado. Nas décadas de 1950 e 1660 as principais empresas norte-americanas passaram a investir maciçamente no exterior, inclusive no Brasil. Na década de 1960 foi a vez das empresas européias e nas décadas de e 1980 e 1990 as empresas asiáticas.


Uma das vantagens desses investimentos no exterior de empresas brasileiras é a renda do capital que teoricamente é destinada ao Brasil quando da realização dos lucros. E isto é muito importante para as contas nacionais, inclusive em relação á política das reservas cambiais que com uma maior expectativa de recebimento de renda do exterior o volume de reservas necessário para manter a credibilidade no mercado mundial passa a ser menor.


No Entanto, existe uma grande desvantagem para o Brasil desses investimentos. Os empregos gerados com esses investimentos são direcionados, em sua grande maioria, para os nativos do país que sedia o empreendimento. Embora existam pesquisas que indicam que no país da multinacional tem-se um aumento no emprego qualificado, dado que essas pesquisas obtêm dados dos países que tinham os principais investidores em anos passados que são justamente os países com muito maior qualificação profissional do que o Brasil. Então, os resultados dessas pesquisas podem ser observados para o Brasil.


Portanto, esses investimentos são muito importantes para dar segurança às finanças brasileiras e apresentar maior credibilidades ao mercado internacional. Mas, por outro lado, muitos empregos que poderiam ser criados aqui são destinados aos trabalhadores no exterior.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O BRASIL ZEROU A SUA DÍVIDA EXTERNA!

A partir de 2003 o Brasil apresentou uma melhora extraordinária em suas contas externas. Com a implantação de políticas econômicas consistentes e a confortável melhora da economia internacional levaram a um aumento considerável de ingressos de divisas estrangeiras jamais visto, enquanto que o desempenho das exportações das empresas brasileiras levou a recordes nas exportações, na balança comercial e nas transações correntes. A conjugação desses fatores levou à expressiva melhoria dos indicadores de sustentabilidade externa que em vários anos, desde o início da década de 1980, era o nosso maior origem de crises, situando-se agora como o melhor de toda a história.

Em 2007, o Brasil registrou o quinto ano consecutivo de superávit em transações correntes. Isso só foi possível em razão do superávit comercial em mais de US$ 40 bilhões ao ano de 2005 a 2007, compensando os aumentos ocorridos de remessa de rendas e serviços nesse período.

Os fluxos financeiros recebidos nos últimos anos encontram-se distribuídos entre investimento direto, mercado de capitais, dívida pública e empréstimos diretos. A desconcentração desses fluxos seja em relação aos produtos específicos, seja em modalidade de ingresso, constitui fator de consolidação externa brasileira.

Em decorrência desse cenário, possibilitou-se expressiva modificação na posição externa brasileira, com elevação das reservas internacionais a nível jamais visto e redução da dívida externa (a pública e a privada), em razão, principalmente, da diminuição da dívida externa pública. Com relação ao PIB, a melhora é ainda mais significativa em razão do aumento do Produto Interno Bruto nesse período.

As reservas internacionais tiveram um crescimento sem precedentes na história. De US$ 16,3 bilhões em 2002, para US$ 180,3 bilhões em dezembro de 2007, neste último ano teve um crescimento de 110,1%. O principal fator nessa evolução foi superávit do mercado cambial, que no período de 2003 a 2007 foi de US$ 150,6 bilhões. Nesse mesmo período, as compras líquidas do Banco Central foram de US$ 141,3 bilhões, 55,6% apenas em 2007.

Com as condições muito favoráveis no mercado externo, favoreceu ao governo a implementar uma política de redução de dívida, por meio de compra de títulos brasileiros no mercado internacional, reduzindo muito a nossa vulnerabilidade externa que foi o pesadelo de muitos governos desde os anos 1980.

Com essas operações, a dívida pública externa foi reduzida em relação a 2003 em 43,3%, atingindo em 2007 o valor de US$ 70,1 bilhões. A dívida externa bruta total embora nos últimos dois anos tenha apresentado uma ligeira subida, de 2003 a 2007 apresentou uma redução, chegando ao final deste último ano a US$ 197,7 bilhões.

A redução da dívida externa total líquida, quando se deduz da dívida externa bruta os ativos do Brasil no exterior, constituídos fundamentalmente pelas reservas internacionais, tem sido muito expressiva. Nos últimos cinco anos essa dívida externa líquida teve uma redução muito grande. Em 2003 ela era de US$ 165,2 bilhões e em 2007 era de US$ 4,3 bilhões. Ao final de janeiro de 2008 essa dívida se tornou negativa em US$ 4,0 bilhões. Isto é de um significado muito grande, pela primeira vez em sua história moderna o Brasil é credor externo, o que o exterior deve ao Brasil é superior ao que o Brasil deve ao exterior.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

OS BANCOS ESTÃO LUCRANDO MUITO!!!

As últimas décadas têm sido muito generosas para o sistema bancário brasileiro. Nos anos da década de 1980 os bancos brasileiros tinham lucros exorbitantes com as taxas de juros muito altas que eram praticadas naquela época. Na década de 1990, principalmente a partir de 1995, os bancos passaram a ganhar muito em razão das altas taxas de juros dos títulos públicos, o governo tomava emprestado dos banqueiros vendendo a estes títulos do governo no qual eram cobrados juros extremamente altos.

Mas na década atual, os bancos estão batendo recordes sobre recordes. Enquanto os bancos dos Estados Unidos e da Europa estão contabilizando bilhões de reais em prejuízo, os brasileiros estão contabilizando bilhões de reais em lucros.

O banco Itaú em 2007 teve um lucro de R$ 8,5 bilhões, o Bradesco R$ 8,0 bilhões, o Unibanco com um lucro de R$ 3,5 bilhões e o Santander com R$ 1,9 bilhões. Enquanto que o banco suíço UBS apresentou um prejuízo de cerca de R$ 8,0 bilhões durante o exercício de 2007. Somando o lucro em 2007 dos 16 maiores bancos brasileiros tem-se um valor de R$ 23,5 bilhões, sem considerar os bancos públicos, principalmente o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal que ainda não apresentaram oficialmente os seus resultados.

Em 2006 a rentabilidade dos 16 maiores bancos privados brasileiros foi de 16,7%, considerada alta para a rentabilidade média das empresas em geral. Em 2007, a rentabilidade média desses mesmos bancos foi de 26,5%, muito mais alta!

Os fatores principais para esses lucros tão extraordinários são a ampliação de crédito com altos spreads (pagando uma taxa de juros muito baixa para que deposita no banco e empresta a altas taxas de juros para que necessita de dinheiro). Por exemplo, no final de 2007 os bancos captavam dinheiro pagando 11,5% ao ano e emprestava cobrando 33,8% ao ano, em média. Para as empresas essa diferença era de 11,9 pontos percentuais e para as pessoas físicas, de 31,9 pontos percentuais.

As tarifas bancárias têm crescido de forma muito acentuada nos últimos anos que reforçam a sustentabilidade e o crescimento dos ganhos dessas instituições. Um dos fatores principais foram os ganhos obtidos no mercado financeiro visto que a grande maioria dos bancos vêem trabalhando alavancado com um percentual razoável aplicado em ações que tiveram alta rentabilidade no exercício passado. Outro fator, são os títulos públicos em que os bancos obtêm um alto ganho sem nenhum risco.

Como a economia brasileira está com tendência de manter ou ampliar a taxa de crescimento e os fatores que proporcionaram os altos lucros dos bancos em 2007, neste ano de 2008 os bancos continuaram a ter os seus lucros muito altos, destoando da imensa maioria das empresas brasileiras.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

VALE A PENA FAZER FACULDADE, MESMO DE PÉSSIMA QUALIDADE?

Educação é sem nenhuma dúvida a forma como uma nação, um povo se desenvolve, encontra novas perspectivas e aumenta a produtividade da sua força de trabalho. E com o aumento da produtividade da força do trabalho leva as pessoas a terem maiores salários e conseqüentemente, a renda geral é aumentada.

Para que a educação seja eficaz é necessário que ela seja ofertada com qualidade, seja ofertada pelo governo (nas suas três esferas) ou pela iniciativa privada. Pois se se aumenta o quantitativo, tanto em pessoas atendidas quanto e anos de estudo dessas pessoas, mas esses quantitativos são de péssima qualidade se está enganando porque quando esse estudante for disputar qualquer vaga no mercado trabalho irá se deparar com necessidade de conhecimento que deveria ter obtido na escola, mas que em razão da sua precariedade e ineficiência não lhe foi ensinado.

No caso da educação superior, existe uma controvérsia a respeito de se é melhor a pessoa não fazer nenhuma educação superior a ter uma de baixa qualidade que não lhe dará condições de disputar as vagas de trabalho que são ofertadas no mercado. A verdade é que a oferta do Estado é muito insuficiente para atender a demanda a toda a população estudantil que egressa do segundo grau, as faculdades particulares, na sua maioria, são de péssima qualidade e o que se ensina na escola secundária é de muito baixa qualidade. Misturando tudo isso, o que se obtém é um número pequeno de pessoas estudando em cursos que são de boa qualidade (os que estudaram em ótimos colégios e entraram uma universidade pública ou os que têm dinheiro suficiente para pagar uma faculdade particular de primeira linha).

A partir de meados dos anos 1990, a oferta de curso superior no Brasil aumentou de forma impressionante, e mais recentemente, com o governo federal dando bolsa para pessoas carentes cursarem faculdade aumentou enormente o quantitativo de pessoas que podem realizar um curso superior no Brasil. Mas, a pergunta é a seguinte: será melhor uma pessoa fazer um curso superior em uma faculdade que não lhe ensinará o suficiente para ter uma carreira profissional de sucesso ou é melhor não perder seu tempo ou dinheiro com isso?

Para responder a essa pergunta, deve-se recorrer à uma pesquisa realizada recentemente em que aponta que uma pessoa com ensino superior completo ganha em torno de três vezes mais do que uma pessoa com apenas alguns anos de faculdade, e quase cinco vezes mais do que uma pessoa que tenha apenas o segundo grau completo. Outro estudo recente aponta que aumento salarial de uma pessoa com curso superior, ou seja, o aumento de salário em decorrência de ter um diploma de nível superior descontado os custo de obter o diploma, é de cerca de 20%. Assim, pode-se dizer que investir em educação no Brasil é a melhor forma de investimento porque terá um alto retorno, muito superior a qualquer outro investimento que um indivíduo realize em sua vida.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O IMPOSTO SINDICAL CONTINUA

Todos os trabalhadores pagam compulsoriamente um valor anual correspondente a um dia trabalhado, geralmente em março, como forma de contribuição sindical, mesmo que não seja sindicalizado.

Existem, atualmente, cerca de 15 mil sindicatos, federações e confederações. Em 2007, o imposto sindical foi de R$ 1,31 bilhões, sendo R$ 754 milhões dos trabalhadores, 50 milhões dos autônomos e R$ 504 milhões das empresas. Os autônomos pagam 30% sobre um valor de referência fixado pelo Governo em R$ 19,00, que equivale a R$ 5,70 que cada autônomo paga. A empresas pagam progressivamente variando de 0,02 a 0,08% o capital social.

Os valores arrecadados são distribuídos da seguinte forma: 60% para os sindicatos, 15% para as federações, 5% para as confederações e 20% são entregues ao Governo em uma conta chamada “Conta Especial Emprego-Salário”, cuja utilização é feita sem nenhum controle por parte dos trabalhadores.

O deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) introduziu um dispositivo alterando o Decreto-Lei nº 5.454, de 1° de maio de 1943 (CLT), impedindo que esse desconto fosse feito em folha de pagamento, mas que passasse a ser recolhido apenas daqueles trabalhadores, inclusive os trabalhadores autônomos, que manifestassem vontade de contribuir.

Esse dispositivo foi aprovado na Câmara dos Deputados em meados do segundo semestre de 2007, o mesmo não aconteceu no Senado Federal.

Pressionados pelos sindicalistas os senadores mantiveram a cobrança compulsória do imposto sindical. Em votação simbólica, o senado aprovou o projeto de lei que legaliza as centrais sindicais, determina a manutenção desse imposto, mas prevê que as entidades sindicais sejam fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o que atualmente não ocorre. Esse dispositivo não constava na emenda do deputado Augusto Carvalho, mas de um outra emenda do deputado Antônio Carlos Pannunzio (PSDB/SP). Essa emenda originalmente, previa a fiscalização pelo TCU apenas do sistema sindical mas no Senado foi alterada para que aquele tribunal também fiscalizasse também o sistema S (Sesi, Sebrae, Sesc, etc.).

Graças ao forte lobby dos sindicalistas que temiam perder uma fatia da montanha de dinheiro que recebem dos trabalhadores, a matéria foi votada e aprovada sem que antes passasse pelas comissões de Assuntos Econômicos (CAE), Assuntos Sociais (CAS) e pela Constituição e Justiça (CCJ).

Na votação do Senado o Plenário estava lotado de sindicalistas, daí se conclui que a pressão foi enorme, tanto nos bastidores quanto no próprio momento da votação.

Para aprovar a matéria, o Governo e as centrais sindicais fecharam um acordo de encaminhar, até o final de fevereiro de 2008, uma proposta de regulamentação de um novo imposto: a contribuição “negocial”. Portanto, a proposta do deputado Augusto Carvalho foi derrubada no Senado, mas o governo se comprometeu que esse imposto que é cobrado atualmente será substituído por outro mais favorável ao trabalhador.

A CRISE NORTE-AMERICANA E A ECONOMIA BRASILEIRA - INÍCIO

Desde o surgimento da crise norte-americana, que começou a se revelar nos riscos dos empréstimos com as hipotecas subprime, passou existir uma grande preocupação dos agentes econômicos. Esta crise não foi detectada nem pelos organismos oficiais de controle de crédito nem pelas agências que se intitulam classificadoras de risco e nem pelos ultra-sofisticados modelos matemáticos (utilizando-se as mais modernas técnicas de econometria) que pretendem serem capazes de estimá-los. Em hipótese alguma, esta crise não é novidade nenhuma. Como tem acontecido algumas vezes na história econômica, o sistema financeiro que, em princípio, deve estar a serviço da economia real e facilitar o seu funcionamento, tem a tendência de se tornar independente e passar a controlá-la. Assim, a economia real passa a ter dependente da economia financeira, ou seja, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), do emprego, dos salários são inteiramente controlados pelos acontecimentos ocorridos nas instâncias do mundo financeiro.

Em economia, existem diversas formas para sanar ou ajustar essas crises, algumas onde o mercado é o agente que levará a economia para rota de crescimento e outras, onde o Estado é o agente que, por meio de seus investimentos e/ou renúncia fiscal e política monetária, dará nova dinâmica à economia. No primeiro caso, o mercado é capaz de resolver todos os problemas econômicos da maneira mais eficiente, inclusive de se auto-regular. Para essa corrente do pensamento econômico, qualquer política governamental estabilizadora é inútil, porque o esforço do governo em reduzir a flutuação tem pouca probabilidade de êxito. E, além do mais, é prejudicial, visto que reduz o PIB e o nível de emprego, afastando os agentes econômicos do equilíbrio por ele escolhido. No segundo caso, é chamado de keynesiano, onde Estado deve ter ação forte na economia.

Nesta crise atual, o governo norte-americano, indo contra a visão predominante de que as crises são resolvidas pelo mercado, agiu no mercado visando debelá-la, fazendo isenção de impostos em cerca de 1% do PIB daquele país juntamente com a queda sistemática da taxa básica de juros, além de outras ações de incentivo à produção e ao consumo.

Esta crise está acontecendo nos Estados Unidos, mas em razão daquela economia ser muito grande (de toda riqueza que é gerada no mundo cerca de 30% é criada lá), os mercados financeiros são extremamente interligados e muitos dos parceiros do nosso país são muito dependentes dos norte-americanos pode-se indagar se essa crise pode atingir a economia brasileira.

Em razão do exposto acima, realmente é preocupante, caso as ações já tomadas não sejam suficientes para debelar a crise (o que eu acho muito difícil), para a economia mundial e conseqüentemente para a economia brasileira. No entanto, na atual situação a economia brasileira encontra-se numa situação muito confortável, em razão dos seguintes fatores: a) eliminação de nossa vulnerabilidade externa e que garante uma relativa estabilidade da taxa cambial; b) a firme disposição do governo de continuar com uma política fiscal que controla o déficit nominal e produz superávits primários que reduzem a relação Dívida/PIB; c) a decisão de não reduzir o nível de investimento em infra-estrutura, transferindo-o para o setor privado; d) expectativa de inflação baixa; e) aumento da renda produzido por mais emprego, com salários reais compatíveis com o aumento da produtividade e; f) em razão de tudo isso aliado ao aumento do crédito, mesmo com a crise às nossas portas ocorrerá, máximo, uma pequena redução do ritmo do crescimento (próximo dos 4%) e uma taxa de inflação em torno da meta de 4,5%, com a uma redução razoável do superávit comercial.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A CRISE NORTE-AMERICANA E A ECONOMIA BRASILEIRA

Realmente, existem certas dúvidas a cerca da real abrangência da crise dos subprimes norte-americanos para a própria economia e para a economia global. Esse país tem histórico recente de crises que foram superadas em curto período de tempo, como o estouro da chamada bolha da Internet, vários escândalos corporativos e o maior ataque terrorista da história no 11 de Setembro de 2001.

Na atual crise, as empresas norte-americanas têm pelo menos três trunfos: a) tiveram nos últimos anos os maiores lucros da história; b) cerca de 40% de seus ganhos em 2007 foram gerados hoje fora do território norte-americano, epicentro da crise, concentrada no mercado imobiliário; e c) estão aumentando fortemente as exportações com a desvalorização do dólar (as vendas externas norte-americanas subiram 13% em 2007). Com toda essa efervescência foram realizadas centenas de milhares de préstimos temerários a consumidores e compradores de imóveis nos EUA. No setor imobiliário, a oferta de dinheiro levou 70% das famílias americanas a terem, no ano passado, pelo menos uma casa própria. Como conseqüência dessa crise, espera-se que cerca de 2 milhões de norte-americanos tenham de devolver seus imóveis por falta de dinheiro para pagá-los. Além de cerca de 100 fundos de financiamento imobiliário deverão desaparecer e deixar um rombo de uns 400 bilhões de dólares.

Uma das principais causas da atual volatilidade nas Bolsas mundiais é resultado desse rombo. Como os investidores internacionais ganharam muito dinheiro em países emergentes, apenas no Brasil a Bovespa subiu deu um ganho de 410% nos últimos cinco anos. Esses investidores, para fazerem caixa em razão das perdas nos Estados Unidos e na Europa, vendem as ações aqui o que leva os preços das mesmas a caírem.

A grande questão é se realmente o setor de crédito dará sustentabilidade à farra do crédito fácil, o que afastaria a recessão ou pelo menos evitaria uma de grande magnitude. Mas, ainda perdura um clima de muitas incertezas, além da crise dos financiadores do mercado imobiliário, há a iminência de acontecer a crise das seguradoras de bônus, ocasionado, principalmente, pelo clima de incerteza nos mercados interbancários nos Estados Unidos e na Europa. Como muitos outros agentes do mercado, as seguradoras não calcularam corretamente o risco dos papéis vinculados a títulos hipotecários.

Todos esses eventos não têm nada a ver com o Brasil, no entanto, o nosso país pode ser afetado (embora em intensidade muito menor do se fosse no passado em razão dos fatores que eu descrevi no último artigo deste blog). Caso não existissem aqueles fatores certamente o Brasil teria dificuldades imensas para suportar o esse solavanco da economia internacional. Cerca de 16% das exportações brasileiras vão para os EUA. Se a economia norte-americana entrar numa recessão ou passar a ter um crescimento muito baixo, não apenas essas exportações diminuem, mas também as destinadas a outros países (como por exemplo a China) que têm nos EUA um grande mercado.

Um fator que atenua é que as empresas ganharam muito dinheiro nos últimos anos e reduziram fortemente suas dívidas. Ou seja, têm um colchão mais grosso para agüentar um período de solavancos.