quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Deveriam existir mais usuários de internet no Brasil

A internet é uma realidade em muitos lugares do Brasil, desde os grandes centros urbanos até as menores cidades nas mais diferentes regiões do Brasil. Em todos os lugares, as pessoas estão conectadas à internet, tendo acesso aos mais variados assuntos. Por meio da internet, uma pessoa que esteja na cidade mais longínqua pode ter acesso a textos e trabalhos das mais importantes e badaladas universidades e centros de pesquisas do Brasil e do mundo. Isso democratiza o acesso á informação e à formação na medida em que muitas pessoas dificilmente teriam condições de acessar os textos e dados de conceituadas instituições se não fosse por meio da internet. Entretanto, muitas pessoas ainda não estão conectadas à rede mundial de computadores e muitas estão por meio extremamente lento e caro. O que fazer para expandir o acesso de internet a muito mais pessoas? O que fazer para deixar o sistema muito mais eficiente? Será possível a universalização do uso da internet no Brasil?


A internet é também, sem dúvida, uma forma de inclusão social, onde as pessoas passam a se comunicar em pé de igualdade com qualquer pessoa de nível social diferente, seja ela rica ou pobre. Além, é claro, do fato de poder aprender muitas coisas importantes que podem ser determinantes para o seu próprio desenvolvimento pessoal e profissional. Mas, infelizmente, dos 190 milhões de brasileiros, apenas 10,1 milhões acessam a internet por meio de banda larga a um preço bastante alto se comparado com os preços praticados em países desenvolvidos. Em um estudo do IPEA, estimou-se que o preço médio mensal que se paga no Brasil pelo uso da internet por banda larga é de R$ 162,00 enquanto que o preço médio mensal nos países ricos é R$ 36,00. Sendo que no Brasil, dois terços dos acessos por banda larga são realizado por velocidade inferior a 1 Mbts, enquanto que nos países mais ricos ocorre o contrário.


Um dos fatores mais importante para aumentar o acesso das pessoas à internet de alta velocidade é baixar o preço do serviço. Mas para abaixar o preço é necessário que aumente a quantidade de usuários. Entretanto, existem outros fatores que por si só podem levar à diminuição de preços: investimento em infra-estrutura de telecomunicação tanto do setor privado quanto do setor público. Existem projetos e também já há ações concretas que levam internet por meio de banda larga para muitas cidades ou gratuitamente ou a um preço muito baixo em relação ao praticado pelo mercado. Isso só pode ser disseminado por todo o país se houver uma união de forças entre os entes da federação, as prefeituras, os governos de estado e o governo federal junto com o setor privado, notadamente as empresas da área de telecomunicação.


As possibilidades que a internet proporciona para as pessoas são infinitas. Caso possamos ter um percentual alto de acesso á internet no Brasil, com a alteração e aperfeiçoamento da tecnologia, muitas coisas que a imensa maioria das pessoas fazem somente se se deslocarem, muitas vezes a longa distância, poderão fazer em casa em seu computador. Não resta dúvida que caso o preço do uso da internet seja reduzido sensivelmente e a qualidade aumentada, a quantidade de pessoas utilizando essa ferramenta será aumentada significativamente, em proporção muito maior do que a queda do preço. Teremos pelos menos 120 milhões de pessoas usando rotineiramente internet no Brasil se houver a banda larga a um preço muito baixo e de graça nos lugares mais afastados e pobres. Certamente, os custos seriam mais do que compensados pelos benefícios advindos do uso quase que universal da internet em velocidade mais rápida. É hora das autoridades do nosso país iniciarem um programa sistemático, sério, forte e eficiente objetivando a universalização da banda larga no Brasil. Se isso se concretizar, teremos milhões de beneficiários e os custos serão revertidos para a economia e para o próprio governo. Ou seja, todos sairão ganhando: a sociedade, o governo e as empresas.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Os desafios para os novos governantes


O Brasil nos últimos quinze anos tem passado por muitas transformações do ponto de vista econômico e institucional, entretanto, ainda faltam muitas coisas a serem feitas, muitas reformas que precisam ser aprovadas e uma série de outras mudanças que necessitam serem realizadas para que o nosso país possa entrar no caminho do crescimento e do desenvolvimento mais tranqüilo e com menos dificuldades. Isso constitui um grande desafio para os governantes que serão eleitos nas eleições de 2010, principalmente os da área federal. Quais reformas são mais importantes e urgentes? Qual é a nossa responsabilidade de cada um dos brasileiros nas mudanças?

Desde várias décadas atrás o Brasil sempre fazia ajustes de acordo com as circunstâncias do momento, salvo algumas exceções, os nossos governantes realizavam reformas quando havia algum problema de natureza econômica, quase nunca se concretizou alterações institucionais que levassem o desenvolvimento de forma sustentada. A última vez que se tentou fazer isso foi nos anos 1960 com a ditadura militar. Depois disso, o que se observou (mesmo nos anos 1970 com os militares) foram remendos para se adequar às séries de problemas vivenciados por nosso país desde então. Desde os problemas crônicos de déficits na balança de pagamentos (o valor que o país deve pagar ao exterior referente a todas as transações comerciais e financeiras em relação ao que recebe do exterior) até a inflação galopante foram problemas extremamente difíceis de serem resolvidos e que maltrataram cruelmente o nosso país e o seu povo por três décadas.

Com o advento do Plano Real, logrou-se colocar um ponto final na inflação alta e os governantes de então iniciaram um processo de reformas que visavam abrir caminho para levar o Brasil ao desenvolvimento sustentável que poderia levar o nosso país para o grupo de países mais ricos do mundo. Apesar das grandes dificuldades e do alto custo para a sociedade brasileira (o país pagou uma quantidade enorme de juros da dívida em razão das altas taxas de juros estabelecidas pelo governo para evitar a volta da inflação) vencemos a inflação, mas, apesar de desde então o governo ter realizado várias reformas, ainda existem várias outras para serem feitas e muitas outras para serem alteradas e aperfeiçoadas.

A reforma tributária tem que ser realizada já no primeiro ano da nova legislatura, deve ser simplificada, diminuir os impostos na produção e aumentar no consumo, rever a forma como é cobrado o ICMS e muitos outros impostos e rever muitos outros aspectos relacionados à tributação que dificultam significativamente a todos. A Previdência Social, apesar de já ter sido reformada algumas vezes, existe a necessidade de alterações porque não é possível conviver com um sistema que gera déficits contínuos e crescentes onerando e deixando em dificuldades as finanças públicas brasileiras. A reforma trabalhista também deve ser realizada, desde que levem melhoras simultaneamente para os empresários e para os trabalhadores. As leis de fiscalização como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei das Licitações (Lei 8.666/1993) devem ser alteradas para se adequar para a nova realidade atual vivida por nosso país. A legislação relacionada à política deve ser alterada, deixando as eleições mais democráticas e menos dependentes de dinheiro para as pessoas conseguirem se eleger a algum cargo público. Evidentemente que existem muitas outras leis e reformas altamente importante para o Brasil, mas as mencionadas acima são as mais importantes e as mais urgentes.

Nas eleições que se aproximam teremos uma imensa responsabilidade porque seremos responsáveis pela escolha das pessoas que irão votar essas e muitas outras leis que definirão o futuro do Brasil e dos Brasileiros e administrar e atender as demandas de todo o povo brasileiro. Portanto, é nossa obrigação observar todos os prováveis candidatos, o que eles pensam, o que já fizeram de bom e de ruim, como se comportam em determinada situação. A nossa escolha deve ser certeira, se escolhermos as pessoas erradas o Brasil não nos perdoará e poderemos pagar com sofrimento e penúria, seja de forma direta ou indireta. Certamente, nos estados existem muitas responsabilidades dos governantes que afetam diretamente as pessoas o que faz das eleições para os cargos estaduais também muito importantes para todos os brasileiros. Vamos analisar, escolher aqueles que possam fazer o melhor por todos e banir aqueles que querem se aproveitar da coisa pública para obter ganhos pessoais. Sem esses últimos o nosso país será muito melhor.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Onde está o maior salário: no setor público ou no setor privado?


Recorrentemente existe uma discussão em torno do nível salarial no setor público e no setor privado. Uns falam que no setor público o salário é muito mais alto do que no setor privado, a diferença chegando a mais de 100%. Além disso, segundo essas mesmas pessoas, os funcionários do setor público são incapacitados, não são capazes de realizarem boa gestão por pura falta de capacidade técnica. Será que isso condiz com a verdade? Será que o salário do setor privado é muito inferior ao do seu congênere do setor público? Será que as pessoas que trabalham no setor privado são muito mais preparadas do que as que trabalham no setor público?


É evidente que existe uma rixa, aversão e muitas vezes até ódio dos funcionários públicos por parte de certo segmento da nossa sociedade, felizmente pouco representativo em termos de quantidade, mas que possuem um alto poder de publicidade que podem até levar as pessoas a acreditarem nessa mentira. Isso se traduz em informações desencontradas e distorcidas que pode transformar uma mentira em uma verdade absoluta. Recentemente, o conceituado jornal Valor Econômico divulgou um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no qual apontava que em 2008 os funcionários públicos ganhavam 101% a mais do que os funcionários do setor privado. Isso em uma manchete diz que, em média, quem trabalha no setor público ganha mais do que quem trabalha no setor privado. É necessário que essa informação seja qualificada, com os devidos ajustes e peculiaridades de cada um dos dois setores.


O IPEA, utilizando dados do IBGE, realizou outro estudo onde aponta as peculiaridades de cada um dos setores e as diferenças reais de salários por cada nível de escolaridade. Ao contrário do trabalho da FGV, o IPEA utilizou dados dos três níveis de governo. Entraram no cálculo todos os assalariados dos dois setores entre 25 e 59 anos, empregados com carga horária integral e contribuinte da previdência social. Utilizando essa metodologia, encontrou-se em 2008 uma diferença de 56% a favor dos que trabalhavam no setor público, ou seja, quem trabalhava no setor público ganhava 56% a mais do que quem trabalhava no setor privado. Uma das explicações é que no setor público no ano passado, 32,2% dos seus funcionários tinham o nível superior, enquanto que no setor privado era de apenas 11,4%. Nesse mesmo ano, 45,5% dos funcionários do setor privado tinham até o ensino fundamental enquanto que no setor público, esse percentual era de 22,3%.


Ao analisar por o nível de salário dos dois setores por nível de escolaridade, nos leva a entender que o diferencial não é muito grande. Em 2008, o setor público pagava 27% e 8% a mais do que no setor privado para os empregados que possuíam o ensino médio completo e ensino fundamental completo, respectivamente. Para as pessoas com nível superior, no trabalho do IPEA, ganhavam 8% a mais trabalhando no setor público do que trabalhando no setor privado. Quem tem o ensino médio ou nível superior, ganham mais no setor privado do que trabalhando para as prefeituras ou para os governos estaduais. No caso das prefeituras, o setor privado paga mais em todos os níveis de escolaridade. No caso do governo federal, os salários em todos os níveis de escolaridades são superiores ao do setor privado e dos outros dois níveis de governo, entretanto, o percentual de funcionários com nível superior é muito maior do que verificado no setor privado e nos governos estaduais e municipais.


Existem muitas funções, notadamente no nível federal, que são próprias para quem trabalha no governo como muitos cargos do judiciário e muito outros em outras áreas do setor público. Essas áreas devem pagar salário superior ao que o mercado privado paga em razão da complexidade e responsabilidade, etc. Como visto acima, o setor público é muito mais preparado do que o setor privado, com muito mais técnicos de nível superior e altamente qualificados. Ao calcular a diferença de salários, colocando todos no mesmo nível, sem desconsiderar a diferença de perfil, produz-se uma informação altamente distorcida que certamente não condiz com a realidade. Comprovadamente, os funcionários públicos são altamente preparados e qualificados, o que podem faltar são meios para que possam desempenhar a contento as suas funções.

sábado, 12 de dezembro de 2009

É preciso ter coragem para realizar mudanças na vida


A vida é algo insubstituível e temos apenas uma, não podemos ter várias vidas. Cada momento que vivemos pode ser único e deve ser tratado como tal, as oportunidades de ganhos ou perdas, de paz ou guerra, de felicidade ou tristeza, de amizades ou desprezo podem está presentes a todo o momento em nossa vida. As escolhas são pertinentes a cada instante da vida de cada um de nós, sempre estamos sujeitos e obrigados a realizar escolhas que podem ter efeitos apenas somente por alguns instantes ou podem ter efeitos para o resto de nossa existência. O que devemos fazer para melhorar a nossa vida? Devemos ficar na mesma empresa mesmo estando infeliz? Mudar de rotina pode ser uma forma de melhorar de vida?


Muitas pessoas vivem rotinas que as levam a ficarem tristes e insatisfeitas com o que realizam, mas não tentam mudar, não tentam sair dessa rotina e a buscarem novos horizontes, novas perspectivas. Vivem, de certa forma, infelizes porque lhes falta coragem para mudarem. A mudança é a palavra chave para quem não se encontra feliz. Entretanto, mudanças são sempre carregadas de desafios, riscos e medos. Para que possam ser concretizadas, as mudanças devem vir acompanhadas de atitudes, de poder de decisão, pessoas indecisas dificilmente conseguem realizar mudanças espontaneamente.


Muitas pessoas passaram da condição de infelizes para a de felicidade plena em razão de mudanças que realizaram no decorrer de suas vidas pessoais e profissionais. Muitas vezes trabalhar em uma empresa por muito tempo fazendo a mesma coisa sem nenhuma perspectiva de melhora, de promoção, de almejar algo melhor na própria empresa pode levar a pessoa a ficar desmotivada, desinteressada, acomodada e pode também levá-la a perda de interesse por outras coisas pessoais, família, etc. Isso, evidentemente, pode ser terrível. Neste caso, é preciso que haja uma reação à altura, deve haver uma atitude concreta. Se a pessoa se sente feliz fazendo aquilo sempre e é feliz mesmo não vislumbrando nenhum progresso dentro da empresa, então pode continuar fazendo o mesmo desde sempre sem ter maiores problemas. Mas, esse não for o seu caso e você está totalmente estagnado ou estagnada na empresa e você quer progredir profissionalmente, então é hora de buscar mudanças, novos horizontes. Busque o seu progresso e sucesso, encontre uma empresa melhor que lhe dê oportunidade e saia dessa que não lhe oferece nada de melhor.


O mesmo vale para a vida pessoal, se algo está diferente, se está lhe deixando infeliz tente mudar, tente realizar mudanças no que fazia antes. Ter atitudes para concretizar alterações no que fazia, objetivando melhorar a vida em termos de felicidade, prazer e realização pessoal são o que todos devemos fazer. Nunca devemos ter medo de sermos felizes. Desde a adolescência até a velhice podem ser realizadas mudanças na vida de cada um. É somente ter coragem para sair da rotina e encontrar o caminho das realizações, da satisfação, das amizades sadias, do reconhecimento, da valorização, do sucesso e do amor.


Viva a vida, as suas surpresas, as suas oportunidades e os seus caminhos que nos são postos para que possamos escolher. Não devemos sofre por falta de coragem de mudar o que fazemos no nosso cotidiano. Entretanto, devemos realizar mudanças depois de termos um grau razoável de segurança, devemos realizar pesquisas para sabermos onde estamos pisando, para não nos atirarmos em um abismo. É necessária também prudência, análise e ponderação em cada decisão que fizermos. Quanto mais importante é a mudança para a nossa vida mais profunda deve ser a análise e a prudência. Devemos jogar fora a nossa tristeza, a nossa angustia, a falta de perspectiva por meio de atitudes e mudanças em nossa vida. O ano de 2010 é uma ótima oportunidade para concretizarmos mudanças que deveriam ter sido feitas e não o foram por falta de coragem. A felicidade espera cada um de nós no próximo ano.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O peso da saúde na economia brasileira


A saúde é um dos itens mais importante, se não o mais importante, para o ser humano. A pesar de existirem muitos progressos na medicina que deixam muitos tratamentos de enfermidades mais baratos, os gastos relacionados com cuidados médicos em geral consomem uma parte significativa dos gastos totais, tanto do setor público como das pessoas. Quanto da renda é gasto com saúde em nosso país? Quantas pessoas trabalham nessa área em nosso país? Qual é a remuneração obtida nesse setor?


O IBGE publicou um trabalho no qual descrimina os dispêndios com saúde no Brasil nos anos de 2005, 2006 e 2007. As atividades relacionadas com a área da saúde são muito importantes em termos de geração de renda. Por exemplo, no último ano, a renda gerada nessas atividades correspondeu a 6,0% do PIB, sendo que mais de um terço foi no setor público. Quanto à despesa realizada com saúde também foi bastante significativa, o governo gastou em 2007, 3,6% do PIB enquanto que os gastos das famílias com esse item foram de 4,8% do PIB, totalizando 8,4% os gastos totais com saúde no Brasil. Ou seja, de cada R$ 100,00 que as pessoas receberam como salário, renda ou lucro e dos recursos pagaram de impostos, R$ 8,40 foram gastos com saúde em nosso país.


As importações de medicamentos, aparelhos, instrumentos e produtos relacionados à saúde corresponderam a 3,7% do total das importações enquanto que as exportações do setor foram bastante insignificantes, correspondendo a cerca de 20% do valor das impostações do mesmo setor. Com relação às exportações correspondeu a apenas 0,6%, mostrando que a nossa indústria da área da saúde ainda é muito fraca no mercado internacional. É necessário que muito mais pesquisas sejam realizadas em nosso país nessa área, o resultado dessa fraqueza nos investimentos em pesquisas é essa quase nula participação das nossas exportações nessa área.


Quanto ás ocupações, a área da saúde é bastante importante na oferta de vagas no mercado de trabalho. Em 2007, existiam 4,21 milhões de pessoas trabalhando em áreas relacionadas á saúde. Desses, 1,4 milhão estavam na saúde pública, o restante nas mais diversas formas de atividades do setor, desde hospitais e clínicas particulares, fabricantes de medicamentos, aparelhos, etc., funcionários e proprietários de farmácias, entre muitos outros tipos de ocupações pertinentes a esse setor. Nesse mesmo ano, a remuneração média maior verificada foi dos profissionais que trabalhavam no atendimento médico, com R$ 43,7 mil, sendo seguido pelos pertencentes aos fabricantes de produtos farmacêuticos que pagou, em média, R$ 41,16 mil no ano. Como se observa, essas duas áreas da saúde são bastante favoráveis aos seus empregado visto que pagam um salário médio bastante alto para os padrões da economia brasileira. Por exemplos, os que trabalhavam no atendimento médico naquele ano ganharam 3,7 vezes mais que a média do salário do brasileiro em geral.


Observamos que os gastos com a saúde são bastante altos entre os brasileiros, sendo que os gastos realizados por particulares foram maiores do que os realizados pelos três níveis de governo. É uma área que requer uma preparação muito grande, tanto em termos de profissionais que irão trabalhar diretamente com os pacientes quanto aqueles que irão lidar com pesquisas. Por isso essa é uma área onde o salário médio é bastante alto. Entretanto, existem muitos profissionais que ainda ganham muito pouco mesmo trabalhando nessa área. Infelizmente, a área hospitalar é uma atividade que requer investimentos muito altos, o que inibe bastante as inversões particulares limitando significativamente a oferta de serviços médicos. Seria muito importante para a sociedade em geral que houvesse maior abertura de hospitais mesmo particulares e que pudessem cobrar um preço baixo no atendimento das pessoas. A rede pública disponível é insuficiente para atender satisfatoriamente toda a demanda e os poucos particulares que existem são muito caros, deixando de fora a grande maioria dos brasileiros.

sábado, 5 de dezembro de 2009

A qualidade do ensino no Brasil é adequada?


A educação é um dos pilares que sustentam o progresso e o desenvolvimento de um povo ou país. Entretanto, para cumprir essa função a educação deve ser de qualidade, as pessoas devem ter conhecimento pleno dos assuntos estudados. O Brasil tem avançado muito na quantidade de pessoas com acesso aos diversos níveis de ensino, principalmente no nível superior. Mas, será que essa quantidade combina com qualidade? Será que as pessoas saem das faculdades sabendo tudo que deveriam saber? Será que elas saem preparadas? O que deve ser feito para melhorar o nível de ensino no Brasil?


De acordo com uma pesquisa divulgada pelo IBOPE no final de novembro último, 32% das pessoas com nível superior ou cursando uma faculdade no Brasil não são plenamente alfabetizadas e apresentam severas dificuldades em desempenhar atividades para as quais teoricamente foram preparadas. Ou seja, conseguem ler e entender apenas textos de média extensão ou complexidade e fazer operações matemáticas muito simples, sendo totalmente incapazes de ler e entender textos mais extensos ou mais complexos e em matemática não passam das quatro operações básicas. Isso é vergonhoso para quem está dentro de uma faculdade ou já concluiu um curso nela. Onde saiu algo errado nisso? É extremamente preocupante que de cada três pessoas que estão fazendo um curso superior ou já o concluíram, uma sabe muito menos do que uma pessoa que conclui o segundo grau.


Evidentemente que existem múltiplas causas, entretanto, os dois principais fatores que levam a esse resultado são a proliferação de cursos superiores no país sem nenhuma estrutura pedagógica, com baixíssimo nível de ensino e a péssima qualidade do ensino básico e médio, principalmente os de boa parte do setor público. Uma parte muito grande das prefeituras e dos estados brasileiros prefere uma quantidade muito grande de alunos e desprezam totalmente a qualidade do ensino dispensado a esses estudantes. O ensino é algo muito sério para deixar de qualquer forma, é preciso ter mais respeito pelo próprio aluno e pela sociedade. Ao passar de ano um aluno que não está habilitado por meio do conhecimento, a escola o está prejudicando ao invés de lhe ajudar. Mais a frente ele irá precisar do conhecimento que deveria ter aprendido, mas não lhe foi dada a oportunidade de tentar em uma segunda chance de aprender.


Uma das medidas que devem ajudar a melhorar o ensino nas nossas escolas é a obrigatoriedade do número máximo de alunos por sala de aula. Existem estudos internacionais de instituições sérias que comprovam a eficácia das turmas menores na aprendizagem dos estudantes. Isso parece ser bastante óbvio, visto que com uma sala com poucos estudantes o professor poderá ter muito mais tempo para dá atenção a todos os alunos e, além disso, os estudantes passam a ter menos vergonha de perguntar, ficam com menos dúvida e, consequentemente, aprendem muito mais. O Ministério da Educação recomenda o número máximo de aluno por sala de aula desde o jardim de infância até o ensino médio, mas muito poucas escolas obedecem a essa recomendação. Existe em tramitação no Congresso Nacional um projeto de lei que, se aprovado, irá obrigar todas as escolas a respeitarem esse limite. Isso pode ser um primeiro passo no sentido de melhorar o ensino no Brasil.


A educação deve ser tratada com muito mais seriedade pelos governantes e autoridades da área. Deixar proliferar cursos superiores no país e não impor uma fiscalização rigorosa na qualidade dos cursos oferecidos por essas instituições é uma falta de respeito muito grande para a sociedade, fato que poderá custar muito para o país no futuro. Poderá ter uma grande quantidade de doutores analfabetos em nosso país, isso seria uma vergonha extrema para todos. Os prefeitos e governadores deveriam investir muito mais em salas de aula, dando ênfase à qualidade e do nível de aprendizagem no ensino oferecido pelas escolas públicas. O sistema de período integral adotado por algumas escolas públicas em alguns municípios deveria ser adotado por todos. Não há dúvida que se todas as escolas públicas adotassem em todas as suas turmas com estudantes de até 18 anos o período integral o nível de ensino seria extremamente melhorado, chegando ao nível de excelência. Que as autoridades realizem todos os esforços para que esse objetivo seja concretizado.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Democracia e ética no Brasil


A democracia é definitivamente a melhor forma com que a sociedade pode conviver harmonicamente, sem que as benesses sejam direcionadas totalmente para os mais fortes. Nos outros regimes alternativos à democracia, somente quem é mais forte tem a possibilidade de almejar os ganhos na própria vida e em qualquer disputa. Somente por meio da política é que se pode realizar a democracia. A política é o veículo que transporta e viabiliza todos os processos que dão sustentáculo ao regime democrático. Por que, mesmo com toda essa importância a política é contestada por boa parte da sociedade? O que torna pessoas que são aparentemente honestas em políticos corruptos? O que fazer para melhorar a percepção da política como uma atividade ética?

É bastante recorrente notícias na mídia referentes a escândalos, falcatruas e corrupção no meio político em nosso país, que deixam as pessoas acostumadas com tantas baixarias e falta de respeito com a coisa pública. É com tristeza que a sociedade brasileira assiste à desmoralização de pessoas em quem foram depositadas esperanças e confianças na condução de órgãos públicos relevantes. No passado recente tivemos um caso, dentre muitos outros de menor monta, o chamado caso de mensalão no qual políticos de diversos partidos recebiam dinheiro para votar conforme os interesses do governo. Apesar da grande repercussão, o grau de punição até o momento está muito abaixo do que se espera para casos dessa magnitude. A grande maioria dos processos vem se arrastando nos tribunais, com protelações e todos os tipos de artifícios das defesas em favor dos réus.

Outro caso mais recente é o descoberto recentemente envolvendo políticos do primeiro escalão do governo do Distrito Federal, onde o governador é um dos principais envolvidos. O nível de detalhes é muito grande, ficando muito difícil da contestação por parte dos envolvidos. Onde as pessoas que escolheram esses políticos erraram? O grau de preocupação dos eleitores com o destino dos entes da federação não é suficiente para levá-los a realizar uma pesquisa criteriosa dos políticos que irão votar? A verdade é que sempre existe a possibilidade dos eleitores não se preocuparem muito em quem irão votar, se importando mais com os discursos, enfeites e outros adereços do candidato do que propriamente com o provável comportamento dele no governo. Ao mesmo tempo, existe a possibilidade de pessoas que se dizem certinhas, que possuem um passado honroso, sem nenhum tipo de comportamento que o desabone, mas quando chegam ao poder se transformam e passam a se comportar de forma totalmente sem ética.

Em economia, existe uma máxima que diz que os piores expulsam os melhores. Não se pode dizer categoricamente que isso seja verdade na política, mas é verdade que em razão da descrença da política por parte da sociedade, muitas pessoas que poderiam contribuir brilhantemente com municípios, estados ou a nação não o fazem. Isso deixa aberta a possibilidade de pessoas sem nenhum ou muito pouco compromisso com as pessoas em geral assumam cargos de grande importância, contaminando de forma irreparável o processo de escolha democrático dos dirigentes públicos. Desta forma, muita gente encontra na política a possibilidade de enriquecerem por meios de atos ilícitos. Além disso, a ganância, a falta de princípios éticos, a falta de punição severa dos atos de corrupção, o incentivo de pessoas corruptas podem levar pessoas que a princípio poderiam ser consideradas sérias a cometerem atos ilícitos.

Quem é eleito diretamente pelo público deve ter por este um respeito muito grande, agindo sempre objetivando o bem estar de todos e tendo como guia o programa e a plataforma pelos quais foi eleito. Para aqueles que desviam de conduta, a punição deve ser sistemática, rápida, forte e impiedosa. Isso levaria á diminuição da corrupção na política, os políticos trabalhariam com mais seriedade e respeito aos princípios éticos e mais pessoas realmente de bem entrariam na política. Desta forma, as pessoas em geral passariam a perceber que a atividade política é uma atividade ética, séria e muito importante para todos e que todos deveriam participar efetivamente seja direta ou indiretamente. A sociedade brasileira deve ficar muito atenta nas eleições que ocorrerão no ano de 2010. A responsabilidade será de todos os eleitores, todos já devem começar a pesquisar sobre os pretensos candidatos aos diversos cargos para que erros do passado não sejam cometidos.