sábado, 7 de novembro de 2009

Corrupção nos municípios deve ser combatida por todos


A corrupção que assola o nosso país tem prejudicado, de forma visível, muitas pessoas, notadamente as mais pobres que são as que mais precisam do auxílio do poder e das instituições públicas. Os municípios brasileiros são governados por pessoas eleitas para cuidar e melhorar o bem estar da população, mas em muitos casos esse intento pode ser prejudicado e até inviabilizado pela ganância, pela incompetência e até pela índole criminosas de alguns funcionários públicos, secretários, vereadores e até dos prefeitos. Quem são os principais responsáveis por isso nos nossos municípios? O que deve ser feito para diminuir significativamente a corrupção nos municípios brasileiros?


Evidentemente que dada a pouca importância dos médios e pequenos municípios para o país como um todo e os mesmos geralmente estarem distantes dos grandes centros e da grande mídia nacional, os desvios de recursos e os escândalos que ocorrem nesses municípios são praticamente ignorados da opinião pública brasileira que fica mais focada nos escândalos envolvendo pessoas mais conhecidas dos governos federal e estaduais e das grandes cidades. Entretanto, uma quantidade enorme de municípios, cujas receitas são em sua grande parte oriundas de convênios com os Estados e com a União, são fontes recorrentes de mau uso do dinheiro público servindo a interesses particulares, deixando os seus participantes ricos enquanto que a população fica sem os benefícios que adviriam da sua aplicação na destinação correta. Existem municípios em que o principal envolvido é próprio prefeito, entretanto, também existem muitos em que o prefeito nem sabe dos pequenos e médios delitos que são praticados nos cofres da prefeitura.


Dos 5.565 municípios brasileiros, a imensa maioria não possui um sistema interno de controle eficiente que possa inibir os pequenos delitos no âmbito dos recursos e programas da prefeitura e, na grande maioria das vezes, as câmaras municipais que deveriam fiscalizar as ações das prefeituras são totalmente dominadas pelo prefeito ou são coniventes com os atos praticados pelos órgãos e agentes públicos dos municípios. Os prefeitos por meio de nomeações de parentes ou aliados dos vereadores conseguem maioria folgada nas câmaras, fazendo com que o nível de fiscalização desses órgãos se torne totalmente inadequado e ineficiente sem produzir praticamente nenhum efeito, ficando os agentes municipais quase livres para agirem conforme os seus instintos, que podem ser de obterem benefícios para si mesmos ou para seus aliados. Os órgãos de fiscalização estaduais que são os Tribunais de Contas dos Estados (TCE) possuem muito poucos técnicos para poder fiscalizar tantos municípios no âmbito de suas respectivas abrangências e quando o fazem, a fiscalização fica restrita apenas com a destinação dos recursos envolvendo os convênios entre o município e o Estado. O mesmo ocorre com os órgãos de controle da União que fiscalizam apenas os gastos envolvendo recursos do governo federal. Quem fiscaliza a aplicação dos recursos arrecadados no próprio município como IPTU, IPVA, ISS e muitos outros?


Evidentemente que mesmo nos pequenos municípios existem muitas pessoas sérias que entram na vida pública tendo como único objetivo ajudar todas as pessoas a terem uma vida melhor e obterem o progresso e a melhora dos municípios, para isso fazem de tudo, sacrificando o próprio bem estar e de seus familiares. Esses agentes, constituídos de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, secretários municipais e funcionários municipais dão até o próprio sangue para servir a população. Mas, infelizmente, existem aqueles aproveitadores que roubam da população, geralmente os mais pobres, para benefícios próprios objetivando o enriquecimento ilícito. Esses aproveitadores devem ser combatidos pela população, as ações de corrupção praticadas por esses indivíduos devem ser levadas ao conhecimento do público. As pessoas devem cobrar sistematicamente dos prefeitos, secretários e vereadores as informações e a prestação de contas da aplicação de todos os recursos que entram nos cofres dos municípios, sejam provenientes de arrecadação própria ou de convênio de qualquer natureza e espécie. A população não deve ficar apática porque é exatamente isso os maus políticos querem. A população organizada possui um poder muito superior ao poder dos detentores de mandatos. Se os dirigentes de seu município não estiverem cumprindo de forma descente com as suas obrigações, você deverá se organizar com as outras pessoas e passarem a pressionar esses agentes até eles passarem a agirem com decência. Caso isso não ocorra, poderá a recorrer a órgãos como o Ministério Público para que medidas mais fortes sejam tomadas.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

As reservas em moedas estrangeiras são importantes para o Brasil?


Apesar de muitas economias que antes eram consideradas fracas e sem muita importância para a economia mundial estarem crescendo e passando a ter uma parte significativa do comércio mundial, muitos mercados formando blocos para facilitarem as suas transações e existirem muitas economias ricas com alto poderio político, econômico e militar, mas, ainda assim, as reservas cambiais possuem uma importância muito alta para a estabilidade, a credibilidade e a sustentação das economias, sejam elas ricas ou não. Entretanto, apesar de toda a sua importância, as reservas que o governo mantém fazem com que o país incorra em um custo significativo. Quais são esses custos? Em que sentido as reservas ajudam e atrapalham a nossa economia, o governo e o país?


Um dos fatores em que os agentes econômicos internacionais mais têm em consideração para determinar onde irão realizar os seus investimentos está relacionado com as reservas em moedas estrangeiras (principalmente dólares norte-americanos). Se um país possui uma reserva bastante alta, os investidores estrangeiros (e os locais também) encontrarão moedas estrangeiras com bastante facilidade para trocar pelos seus reais, a moeda em que os negócios são transacionados dentro do Brasil. Se houver uma crise na economia por qualquer motivo e os investidores quiserem tirar os seus investimentos do país não conseguirão realizar os seus intentos caso o país não tenha moeda estrangeira suficiente para trocar pelos reais dos investidores que quiserem sair do país. Neste último caso, certamente os investidores irão relutar em investir no país.


A contrário, um país que tenha uma reserva em moedas estrangeiras bastante alta, os investidores encontrarão mais tranqüilidade em realizarem as suas aplicações e investimentos, inclusive os agentes financeiros internacionais podem realizar empréstimos para as empresas e o setor público por uma taxa de juros mais baixa do que se o país tivesse uma reserva bem baixa. A grande questão é se o país que tem reservas baixas, havendo uma crise, essas reservas logo podem se exaurir, forçando a economia a realizar um empréstimo salvador ou realizar uma moratória. Esse último caso é devastador para qualquer economia, ficar com o rótulo de caloteiro não é ruim somente para as pessoas, para os países soam tão ruim ou pior. Agora, se o país tem uma alta taxa de reservas, mesmo se os agentes saiam em período de crises, as reservam podem suportar e não faltarão dólares para quem quiser comprar.


Entretanto, as reservas deixam um custo muito alto para o país que as mantém. Na verdade, podem ter custos e também podem haver ganhos. Os custos ocorrem quando o real de valoriza em relação ao dólar (com um real passa a comprar mais dólar) e também quando as taxas de juros da dívida interna é maior do que as taxas de juros no mercado onde as moedas estrangeiras estão aplicadas. Os ganhos ocorrem quando ocorrem desvalorização e as taxas de juros da dívida interna é menor do que a taxa em que as moedas estrangeiras estão aplicadas. Como os juros da dívida pública brasileira são sempre superiores aos juros norte-americanos, esse fator sempre faz com que aumente os custos das nossas reservas. Quanto à taxa de câmbio (preço de uma moeda em relação à outra), as reservas brasileiras tiveram um ganho R$ 171,00 bilhões em 2008 por causa das desvalorizações cambiais ocorridas naquele ano, entretanto, até agosto de 2009, as valorizações deram um prejuízo para o país de R$ 112,00 bilhões. Evidentemente, se somarmos os custos dos diferenciais de juros, os ganhos do ano passado foram muito menores e as perdas deste ano muito maiores. Os juros são importantes porque o governo compra os reais que repassa aos donos de dólar no mercado interno por meio de títulos da dívida pública, pagando os juros da dívida do governo.


Existe sempre a discussão a respeito das reservas em moedas estrangeiras que um determinado país deva manter. Embora existam custos significativos intercalados com ganhos razoáveis, ter reservas em grande magnitude é sinal de segurança, prestígio, respeito, créditos externos mais baratos, mais investimento e muitos outros benefícios. Os custos podem ser extremamente reduzidos se o país consiga manter a economia estabilizada, sem nenhuma surpresa de última hora e taxas de juros internas a níveis civilizadas. Caso consiga fazer isso, o nosso país terá muitos ganhos, a nossa economia terá muito mais progresso e a nossa população sairá fortalecida.

sábado, 31 de outubro de 2009

Corrupção e miséria: tudo a ver


É muito doloroso ver pessoas passando por necessidades, desprezos, indiferenças, preconceitos, falta de moradia e até do que comer. O sofrimento imposto a essas pessoas é indescritível e pode levá-las a ficar em estado totalmente desumano, enquanto que ao mesmo tempo observamos muitas pessoas e instituições a praticarem atos totalmente contra os princípios éticos, morais e de bons costumes ao atuarem de forma corrupta. O que devemos fazer para acabar com tamanho nível de corrupção praticada em toda a sociedade? O que devemos fazer para acabar com tanto nível de miséria e sofrimento de muitas pessoas? O que as ações não éticas tem a ver com a miséria de uma parcela significativa dos brasileiros?


Atos de corrupção são praticados desde as instâncias mais maltas do poder público, constituído pelo executivo, legislativo e judiciário, até no cotidiano das pessoas, seja com amigos ou familiares ou nas relações de trabalhos, colegas, em pequenos negócios, no trânsito e em muitas outras situações. As empresas também praticam atos não éticos que afetam negativamente parceiros, governos, concorrentes e até funcionários. É importante observar que esse comportamento está implantado de forma quase que igual no setor privado e no setor público. Existe uma impressão muito nítida na sociedade que a corrupção é coisa de governo, de funcionário público, mas é um grande engano. Esse mal está fincado com a mesma intensidade nas empresas privadas. Vivemos um país de corrupção, onde a moral, o respeito e os princípios éticos não são respeitados.


Ao mesmo tempo em que assistimos a um festival de corrupção na sociedade em geral, também assistimos ao descaso da própria sociedade pelo sofrimento de milhões de compatriotas que sofrem as amarguras de não possuir os bens e os meios que lhes poderão proporcionar respeito e dignidade. São pessoas que pelos mais diversos motivos lhes foram roubado o direito de sonhar, de ser um cidadão, de ser alguém que a sociedade possa enxergar e de ao menos ver o seu sofrimento. Quando essas pessoas são notadas, as são como algo inferior, como algo desprazível, como algo que não deu certo. Essa mentalidade deve ser mudada. Esse comportamento da sociedade diante da realidade tão cruel dessas pessoas é um comportamento tipicamente antiético, de corrupção. Milhões de pessoas são desprovidas até de alimentação básica, mas diante disso muitas pessoas ficam indiferentes, ao contrário, quando o governo toma alguma ação para diminuir o sofrimento dando-lhes meios para se alimentarem, muitos são os que são contra essas medidas governamentais.


É preciso que existam dois movimentos de grande intensidade, muito difíceis, porém necessários, que levem à diminuição acentuada da corrupção e o aumento do respeito à ética e ao mesmo tempo deve-se implanta no seio da sociedade o princípio da solidariedade, não devemos deixar tudo para o governo. Cada um pode fazer a sua parte, tanto em passar a praticar apenas atos éticos e ao mesmo tempo ajudar a quem precisa, notadamente, aqueles que mais precisam. Devemos banir do meio da sociedade todos os tipos de preconceitos, sejam eles de qualquer natureza, preconceito é dos atos mais repugnantes que a sociedade deve abolir. Se todos se unirem para acabar com a corrupção e a miséria em nosso país, poderemos sair vitoriosos desses dois males que tanto nos envergonham e causa sofrimento em tantas pessoas. Faça a sua parte nessa batalha que a vitória será certa, os benefícios serão de todos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Os micro-empreendedores merecem mais atenção das autoridades

As pessoas empreendedoras são muitas vezes impedidas de concretizarem os seus sonhos simplesmente por falta de recursos. Quando esses empreendedores são pessoas de baixo poder aquisitivo e sem conhecer pessoas influentes que possam lhe ajudar na obtenção de um empréstimo, certamente verão abortados os desejos de progredir com um negócio próprio. Infelizmente, o crédito bancário é extremamente caro e muito difícil de ser obtido se o tomador é alguém que esteja começando algum pequeno negócio. Quais as alternativas para essas pessoas sem recursos que queiram abrir um negócio próprio? O que o governo deve fazer nessa área para melhorar a situação? Qual a importância do pequeno empreendedor para a nossa economia?


A lei nº 10.735, de setembro de 2003, determina que 2% dos valores que todos os bancos comerciais recebem em depósito a vista sejam destinados nos empréstimos de micro-crédito. Essa lei estabelece também que as taxas de juros efetivas desses empréstimos não devem ultrapassar 2% ao mês e as taxas de aberturas não devem ultrapassar 2% para pessoas físicas e 4% para pessoas jurídicas. Apesar de existirem alguns exemplos bastante importantes de operações de micro-crédito no Brasil como o crediamigo do Banco do Nordeste e alguns outros de menor monta, no geral essa prática tem sido muito insignificante. Por exemplo, no decorrer dos anos 2006 e 2007 esses tipos de empréstimos correspondiam a cerca de 6% do valor disponível, determinado pela lei citada acima, mesmo tendo em conta que esses empréstimos são fundamentais para alavancarem muitos pequenos negócios.


O governo e as autoridades monetárias deveriam atuar firmemente junto ao setor bancário brasileiro para que este tenha uma participação mais efetiva no mercado de micro-crédito, levando desenvolvimento, geração de renda e emprego, melhora de vida e de expectativa de muitas pessoas. É sabido que esses pequenos tomadores de empréstimos são muito mais pagadores que os grandes. Imagina se os governos federal, estaduais e municipais se unirem e criarem meios e recursos humanos na orientação dos pequenos empreendedores e concomitantemente o governo federal, por meio de mecanismos próprios, fizesse com que todos os bancos passassem a emprestar dinheiro a esses pequenos empresários ou micro-empresários? Certamente, a nossa economia e a nossa sociedade sairiam ganhando muito, com a redução significativa da pobreza, da desigualdade de renda e de riqueza e teríamos ainda uma forte geração de empregos que faria com que a economia fosse auto-realimentada gerando novas demandas.


É preciso que as autoridades tenham em mente que o caminho do desenvolvimento do nosso país encontra-se nos pequenos investidores que não tem medo de correr riscos com os seus negócios e possuem um desejo tremendo por crescer, ter mais rendimentos e produzir mais. Faz-se necessário que esses homens e mulheres valentes e corajosos não fiquem desamparados, ao contrário, devem ser dadas todas as oportunidades possíveis para que todas as suas potencialidades sejam exploradas para o bem do povo brasileiro. Para que isso ocorra, além de incentivos de ordem tributária e fiscal, é preciso que existam crédito abundante e disponibilidade de assistência técnica grátis para todos os pequenos empreendedores em todo território brasileiro.

sábado, 24 de outubro de 2009

A polícia merece respeito e confiança da sociedade?

A nossa polícia deve ter todo apoio das autoridades e ser muito respeitada pela sociedade brasileira, entretanto, existem muitos policiais que não condizem com as atribuições próprias de um servidor público que é pago para levar segurança e tranqüilidade para todas as pessoas. A desonestidade, a falta de caráter, o despreparo e o desrespeito às pessoas são alguns dos tipos de deslizes que muito policiais cometem. A polícia no Brasil deve ser levada a sério no combata à criminalidade? Se houvesse mais policiais honestos poderíamos ter menos violência? O pobre é discriminado nas ações policiais? O que deve ser feito para deixar a polícia mais humana e mais eficaz tanto no combate ao crime como no respeito às pessoas, principalmente aos mais pobres?


As razões do aumento dos mais diversos tipos de crimes que ocorrem em nosso país são as mais diversas e, por isso, devem ser combatidos por múltiplas formas e meios. Mas, as nossas forças policiais são as mais cobradas e tem como dever diminuir todos os tipos de crimes que ocorrem ou possam correr na nossa sociedade. É da polícia a responsabilidade de fazer com que as pessoas tenham segurança e vivam no sossego, tanto quando estão em suas residências como em seus passeios, lazer, trabalho, na rua ou em qualquer lugar. Mas, ao contrário disso, muitas pessoas quando vêem a polícia tem medo e passam a evitar simplesmente porque são humilhadas por ela somente porque são pobres e moram em lugares desprovidos de visibilidade e sem estruturas: as favelas e periferias. As pessoas que moram nesses lugares muitas vezes são tratadas pela polícia como bandidos e sofrem as mais terríveis humilhações.


Esse tipo de comportamento de uma parte da polícia não está restrito apenas às pessoas menos afortunadas econômica, financeira e socialmente. Existem também incontáveis casos de policiais que usando o poder de polícia humilham pessoas honestas, deixando-as totalmente constrangidas e não raramente comentem até crimes graves contra essas pessoas. Isso ocorre com os quatro tipos de polícia: a federal, a militar, a civil e a guarda civil metropolitana. Exemplos não faltam desse tipo de comportamento extremamente nocivo à sociedade. Um caso notório que foi amplamente divulgado pela mídia foi a operação desastrada de policiais militares do Rio de Janeiro que liberaram os supostos assassinos de um rapaz bastante conhecido e deixaram a vítima agonizando sem prestar nenhum tipo de socorro e ainda roubaram-lhes alguns pertences da vítima. Isso só veio a tona porque existiam câmaras de vídeo que gravaram tudo. A polícia civil consegue apurar crimes e prender os culpados quando a vítima é alguém de grande visibilidade ou envolvam alguém da corporação deles, caso contrário, é contar com a sorte.


Felizmente, os quadros das nossas polícias são constituídos de pessoas com alto nível de comprometimento com as suas atividades e possuem um grande respeito pelas pessoas. Eu mesmo conheço policiais que dão a própria vida para salvar qualquer pessoa. Esse tipo de polícia deve ser respeitado e até idolatrado porque são eles que nos salvam constantemente de todos os tipos de perigos que nos rondam. Os comandos das polícias deveriam praticar ações que levassem a praticamente a zero o número de policiais que comentem crimes ou que não cumprem o seu papel de policial. Caso isso ocorra, o nível de criminalidade seria reduzido e a sociedade ganharia duplamente. A polícia deve ser disciplinada, honesta, respeitadora, fiel no seu cumprimento ao combate ao crime e, acima de tudo, ter o ser humano como o seu alvo a ser defendido. Se tivéssemos uma polícia assim poderíamos ter mais segurança, mais tranqüilidade e, principalmente, poderíamos confiar na polícia.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Estado, setor privado e sociedade: elos que se complementam


A participação e a intervenção do Estado na economia sempre foi contestada por muitas pessoas que imaginam a economia livre sem ser ditada pelo governo e sem as regras que não aquelas próprias do mercado. Na década de 1990, o Brasil passou por um período no qual o governo brasileiro era constituído praticamente de pessoas que pensavam dessa forma. Nesse período, quase todas as empresas estatais foram vendidas, muitas das quais por preço muito inferior ao valor verdadeiro. Na verdade, nessa época passou-se uma idéia para a população em geral que o Estado, as empresas estatais e os funcionários públicos eram sinônimo de desperdício, ineficiência e muito pouco poderia contribuir para o desenvolvimento e crescimento do país.


Evidentemente que algumas das empresas estatais vinham amargando prejuízo e o Estado estava totalmente sem recursos para a realização dos aportes de verbas que fossem suficientes para viabilizar essas empresas num mundo extremamente competitivo. Entretanto, foram vendidas empresas altamente lucrativas ou em um mercado altamente promissor como eram os casos da Vale do Rio Doce e as empresas de telefonia. Essas e muitas outras foram vendidas a preços muito baixos e muitos casos por meio de empréstimos baratos de bancos estatais brasileiros. A maior parte dos recursos das privatizações arrecadados serviu para segurar o aumento da dívida pública que estava crescendo muito em razão das altas taxas de juros praticados na época objetivando segurar os preços e a inflação e, conseqüentemente, o Plano Real. O país saiu vitorioso com o Real, mas a sociedade brasileira pagou um alto preço para isso com a perda da maioria de suas empresas estatais e ainda sendo obrigada a pagar uma carga tributária muito alta como herança desse período.


Felizmente, essa idéia de inutilidade do Estado está ficando para trás. Todos sabemos que é através do Estado que se resolvem os problemas das desigualdades de oportunidades por meio de educação, saúde, alimento, moradia, aposentadoria, segurança e uma infinidade de outras ações que levam as pessoas a terem condições de viver uma vida muito melhor do viveriam na somente na presença do mercado, com este regulando tudo e ofertando tudo. Em praticamente todos os países que lograram crescer de forma sustentada e se desenvolveram tiveram a participação efetiva do Estado em conjunto com um mercado muito atuante. A economia planejada de forma unilateral já nos mostrou que não funciona a longo prazo e nem leva ao desenvolvimento e ao progresso, mas se existir um processo com o Estado comandando e orientando o setor privado que não seja fraco pode produzir um aumento muito grande no bem estar das pessoas.


O setor privado pode investir em áreas altamente lucrativas e que elevem as rendas do trabalho, capital e do governo, pode investir em magnitude muito grande, é capaz de investir em inovações tecnológicas. O setor privado deve atuar nas mais diversas áreas, inclusive em áreas que o Estado atua diretamente como saúde e educação. O papel central do Estado é de orientador, de organizador, de atuar em áreas nas quais o mercado não oferta de forma suficiente, além de complementar atuação da iniciativa privada em áreas que achar conveniente elevar a concorrência. Uma das obrigações mais importantes do Estado é nos momentos de crises econômicas quando setor privado se sente inibido em sua atuação, o setor público deve atuar firmemente objetivando diminuir as turbulências econômicas e os efeitos destas para a sociedade.


A sociedade, o setor privado e o Estado formam um elo que devem sempre está junto, devem ficar sempre integrados e de forma harmônica sempre objetivando elevar o bem estar da sociedade. Um país com um Estado forte e com mercado fraco não pode haver uma sociedade com todas as suas necessidades atendidas. O mesmo deve ocorrer em um país com um Estado fraco e um setor privado forte. Entretanto, quando se tem uma Estado forte atuando de forma plena em conjunto e sincronizado com um setor privado também forte tem-se uma sociedade plenamente atendidas em suas necessidades e com um alto nível de bem estar. Para a sociedade ser forte necessariamente o Estado e o setor privado também devem ser fortes.

sábado, 17 de outubro de 2009

O presidente LULA é um grande líder político e popular?

O governo é sempre cobrado para o atendimento às mais diversas demandas das pessoas em geral e até às mudanças estruturais da sociedade. O governo LULA tem mostrado um altíssimo nível de aceitação popular e a avaliação da população com relação ao presidente está em nível jamais visto para um mandatário de nosso país após mais de dois anos de mandato, mesmo estando no sexto ano de governo. Quais os motivos que levam a população ter tamanha simpatia e aprovação ao presidente LULA? Porque mesmo com os escândalos que abateu diversos de seus membros, o governo tem tamanha aprovação? O presidente LULA é um grande líder político?


O Brasil viveu momentos terríveis em termos econômicos e políticos nos anos compreendidos entre 1964 e 1994, com ditaduras cruéis e inflação altamente destruidora de expectativas, progresso, desenvolvimento e bem estar para a população brasileira. Após esses trinta anos e com o advento do Real, a sociedade brasileira pôde conviver plenamente com democracia, estabilidade nos preços e melhora significativa no padrão de vida. Dados os sérios problemas e crises econômicas que ocorreram no exterior e no próprio país e a determinação política de manter o programa de estabilidade de preços, o país logrou uma taxa de crescimento muito baixa até 2003. Entretanto, a partir de 2004 o Brasil teve uma taxa de crescimento bastante significativa, embora aquém das possibilidades então disponíveis, principalmente vindas do exterior, até meados de 2008.


O presidente LULA, contrariando muitos dos que apostavam que seu governo seria um fracasso, tem tido êxito em praticamente todas as suas ações, mas tem tido muito mais que êxito em duas áreas extremantes sensíveis: Os pobres e uma parte significativa dos empresários. Os primeiros foram contemplados com programas sociais em magnitude jamais vista em toda a história de nosso país com programas como o Bolsa Família, o Prouni, entre muitos outros. Os segundos foram cooptados pela manutenção da política econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso e também por ter até ampliado os contatos e as viagens com o exterior, elevando significativamente a nossa balança comercial. Ao mesmo tempo, teve o cuidado com a responsabilidade fiscal, não deixando que as contas públicas não saíssem do controle por meio da meta de superávit primário. Pode-se também mencionar os vários programas de investimentos implantados durante o seu governo.


É de se admirar e deixar qualquer um intrigado com o fato dos políticos estarem tão em baixa com a população e o nosso presidente tão admirado por essa mesma população. De acordo com algumas pesquisas, 85% da população brasileira acham que os políticos são os maiores beneficiados da política, 82% não cumprem as suas promessa de campanha e 51,1% votariam no presidente LULA se ele concorresse a um terceiro mandato. Existe aí, evidentemente, uma contradição, as pessoas não confiam nos políticos, mas querem e apóiam o político LULA mesmo que este não respeite a democracia e a lei vigente atualmente que assegura apenas dois mandatos consecutivos para os mandatários do executivo.


LULA é, evidentemente, infinitamente maior do que o seu partido e sobre saiu muito bem dos escândalos protagonizado por integrantes-chaves do Partidos dos Trabalhadores e apoiadores do governo, no chamado escândalo do mensalão, em razão de sua força extremamente forte entre os vários segmentos da sociedade brasileira. Sociedade na qual os partidos políticos não gozam de força e nem prestígio é pródiga no surgimento de líderes carismáticos com Getúlio, Juscelino e LULA. Este último não pode ser considerado um líder político no sentido clássico que apregoa a liderança de um processo que leva a transformação da sociedade, como foi Getúlio, mas certamente, LULA é o maior líder popular que o Brasil já conheceu. Infelizmente, práticas como o fisiologismo junto a partidos em trocas de apoio no Congresso Nacional, programas sociais que visam mais o curto do o longo prazo, não aprovação de reformas das quais o Brasil tanto depende para caminhar de forma segura e persistente na transformação para muito melhor da sociedade brasileira impedem que o LULA seja caracterizado como um grande líder político, mas seguramente é um grande líder popular com todas as características que esse termo requer.